[Ilustração Elis Regina por @Bfrema]

Dia 17 de março é dia de festa para a música popular brasileira. Elis Regina, uma das maiores vozes da nossa MPB, faria hoje 76 anos.

Elis nos deixou cedo, com apenas 36 anos, mas a sua pouca idade não a impediu de transformar a história da música brasileira para sempre. Além de ser reconhecida como uma das maiores cantoras do mundo, Elis nos deixou um legado que vai além de sua voz primorosa e sua interpretação magistral. Nos deixou também três filhos talentosíssimos, que perpetuam a sua história até os dias de hoje: Maria Rita, Pedro Mariano e João Marcelo Bôscoli.

Nascida em Porto Alegre, Elis Regina começou a carreira influenciada pelas cantoras do rádio, como Emilinha Borba e Ângela Maria, sua maior fonte de inspiração. Foi também no rádio que ela começou a se apresentar profissionalmente e foi descoberta, como um talento nato, por sua primeira gravadora.

Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a se apresentar em programas de TV, no famoso Beco das Garrafas e também nos festivais de música brasileira.

Sua interpretação avassaladora de Arrastão, venceu o 1º Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, em 1965, e entrou para a história como uma das melhores performances já vistas.

Depois disso, comandou, ao lado de Jair Rodrigues, o famoso programa O Fino da Bossa, na TV Record, que rendeu a gravação de três discos consagrados. Um deles, Dois na Bossa, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias.

Em 1975, o show Falso Brilhante, protagonizado por Elis, tornou-se um dos mais bem sucedidos espetáculos da história da música nacional e um marco definitivo da carreira da cantora.

De clássicos da MPB ao samba, da bossa nova ao jazz, do rock’n roll aos boleros, tudo ganha interpretações extraordinárias na voz de Elis. A Pimentinha, como era conhecida por sua personalidade forte – apesar da pouca altura – gravou nomes como Adoniran Barbosa, Tom Jobim, Edu Lobo, Milton Nascimento, Belchior, Ivan Lins, Tim Maia e Aldir Blanc, tendo ajudado a lançar muitos desses nomes, divulgando suas obras por meio da sua interpretação única e sofisticada.

A morte precoce de Elis, há exatos 39 anos, causou grande comoção no país inteiro. O legado que ela nos deixa é imensurável: sua vida virou livro, filme e peça de teatro.

Em 2013, foi eleita a melhor voz feminina da música brasileira pela Revista Rolling Stone.

Para sempre, Elis.