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– Nara se apresentou pela primeira vez como cantora profissional, dividindo o palco com Carlos Lyra e Vinícius de Moraes no espetáculo Pobre Menina Rica, escrito pelos dois, em 1963. Neste mesmo ano, passa a se apresentar em programas de TV e grava o seu primeiro disco: Nara.

Nara Leão com Carlos Lyra e Vinicius de Moraes

– No álbum, lançado em 1964, Nara já mostra que seu talento vai muito além das fronteiras da bossa nova e grava compositores diversos como Zé Keti e Hortêncio Rocha, em Diz Que Fui Por Aí; Cartola e Élton Medeiros, em O Sol Nascerá e Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, em Luz Negra; além de composições de Vinícius de Moraes e Baden Powell, em Berimbau; Edu Lobo e Ruy Guerra, em Canção da Terra, entre outras.

– No mesmo ano, Nara viaja pelo nordeste, onde conhece e entra em contato com a música dos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia.

– Também em 1964, lança o seu segundo disco, Opinião de Nara, na mesma linha do anterior, mesclando compositores da bossa nova com poetas do morro e o samba de raiz.

– Em seguida, anuncia que romperia até então com a bossa nova, que passava por um momento de cisão. De um lado, um grupo que mantinha-se fiel a estética suave e intimista e com temas menos compromissados com posicionamentos políticos e sociais e, de outro – o lado de Nara – um grupo que se associava ao movimento geral da cultura brasileira no sentido de se aproximar mais da realidade do país, com bases mais populares e temas sociais em suas letras.

– Esse último disco inspira o espetáculo Opinião, com Nara, Zé Keti e João do Vale e dirigido por Augusto Boal. O show tornou-se um grande sucesso na época por conta de suas canções de protesto, que retratavam a problemática social do país, com músicas como Carcará, de João do Vale e José Cândido; Opinião, de Zé Keti e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Sérgio Ricardo e Ruy Guerra.

Maria Bethânia e Nara Leão

– Foi este espetáculo que revelou e projetou Maria Bethânia nacionalmente. Nara ficou afônica no meio da temporada e sugeriu que quem a substituísse fosse a baiana de voz firme e presença inigualável, que conhecera pouco antes em Salvador.

– Também em 1965, grava o álbum O Canto Livre de Nara e participa do espetáculo Liberdade, Liberdade, de Millôr Fernandes, que misturava protesto, humor e música.

– Em 1966, no disco Nara Pede Passagem, apresenta novos compositores como Chico Buarque, Paulinho da Viola e Jards Macalé, este último já mostrando um futuro flerte que teria com o movimento tropicalista.

– No mesmo ano, apresenta-se ao lado de Chico Buarque no II Festival de Música Brasileira da TV Record, apresentando a canção A Banda, de Chico, que vence o festival ao lado de Disparada, de Geraldo Vandré, interpretada por Jair Rodrigues. Por conta do sucesso estrondoso da música, Nara e Chico apresentam, por seis meses, o programa televisivo Pra Ver a Banda Passar. Anos mais tarde, Nara grava um disco inteiro de sucessos de Chico.

– Ao longo dos próximos anos, Nara grava mais discos – com novos e antigos compositores – faz diversas turnês nacionais e internacionais, participa de festivais e programas de TV e do filme Garota de Ipanema, de Leon Hirszman e Vinícius de Moraes, e continua posicionando-se fortemente contra o regime militar e a situação do país.

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