Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui:

– Cantora, compositora, instrumentista e uma das grandes vozes da Música Popular Brasileira, Margareth Menezes é uma figura de extrema importância para a cultura afro-brasileira.

– Nascida Margareth Menezes da Purificação, em 1962, em Boa Viagem – região de Itapagipe, Salvador, Bahia – teve um contato muito intenso com a música durante sua infância, se interessando naturalmente pela cultura que exalava das ruas onde nasceu e cresceu.

– Seu avô tocava violão e seus pais adoravam música e tinham o costume de reunir a família em volta do aparelho de som para ouvir Clara Nunes, Noite Ilustrada, Martinho da Vila, Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, entre outros artistas consagrados.

– Já na adolescência, as serenatas e festas da cidade eram programas imperdíveis. Foi nesta época que Margareth ganhou o seu primeiro violão e a partir daí começou a cantar no coro da igreja.

– Antes de despontar na música, Margareth Menezes descobriu os palcos por meio do teatro. Foi no grupo teatral do Centro Integrado de Educação Luiz Tarquínio, que a artista começou a descobrir a própria expressividade.

Margareth Menezes quando jovem

– Dos 15 aos 18 anos, Margareth teve aulas com Reinaldo Nunes, ator e diretor teatral que fundou a Companhia Baiana de Comédias, pioneira no estado. Nesta época, Margareth conheceu o músico e compositor Silas Henrique, que se tornou seu parceiro, e participou – como atriz – das montagens “Ser ou Não Ser Gente” (de 1980), no Teatro Vila Velha, em Salvador, e “Máscaras” (de 81), de Menotti Del Picchia, ambas dirigidas por Reinaldo.

– Em 82, a artista fundou com Paulo Conde e João Elias, o grupo teatral Troca de Segredos em Geral, que se dedica à montagem da peça do teatrólogo russo Nikolai Gogol, O Inspetor Geral, a qual Margareth atuou no papel do carteiro Osipe e com a qual ficou dois anos em cartaz.

– No ano seguinte, Margareth participou da criação de um espaço que revolucionou a cena cultural de Salvador: o Gran Circo Troca de Segredos, local pelo qual passou diversas linguagens artísticas nacionais e internacionais. Esse espaço cultural, montado em uma lona de circo na Praia de Ondina abrigou apresentações musicais, peças teatrais adultas e também infantis, como a montagem de Ou Isto Ou Aquilo, de Cecília Meireles.

– Margareth também participou da idealização e ficou responsável pela trilha sonora, operação de som e gerenciamento da técnica vocal da montagem da peça O Menino Maluquinho, de Ziraldo.

– Depois de permanecer por três anos no Troca de Segredos, Margareth Menezes recebeu um convite para participar do grupo teatral Amoras Lá Em Casa, com o qual foi pela primeira vez para São Paulo, e se apresentou com a ópera-rock Colagens e Bobagens, em 1985. Depois, com o mesmo grupo, ela participou da montagem da peça Um Tiro no Coração, de Berthold Brecht.

– Por volta de 1986, Margareth Menezes deu início a sua carreira musical, se dividindo entre a música e o teatro. Passou a se apresentar, ao lado de Silas Henrique, nos Centros Sociais Urbanos, espaço onde as comunidades participavam de ações socioeducativas e projetos de fortalecimento da cidadania e desenvolvimento social.

– Depois de uma pequena turnê cantando pelo interior da Bahia, a atriz passou a se apresentar no Teatro Castro Alves, no Projeto Pixinguinha.

– Nesta mesma época, Margareth participou como vocalista do bloco 20 Vê, que se apresentou no Projeto Astral, em Salvador, para cerca de cinco mil pessoas, ao lado de nomes como Geraldo Azevedo e Gerônimo. A partir daí, recebeu o convite para se apresentar no Oitavo Festival de Música do Caribe, realizado em Cartagena, na Colômbia, ao lado de Pepeu Gomes. Os dois foram eleitos os melhores do festival.

Banho de Luz é o primeiro espetáculo solo de Margareth Menezes, onde ela também participou da produção e direção, ao lado de Silas Henrique. O show rendeu a ela um Troféu Caymmi de Melhor Intérprete. Em 87, em seu outro espetáculo solo, Beijo de Flor, recebeu um Troféu Caymmi de Melhor Show do Ano.

– É neste mesmo ano, em que Margareth Menezes conheceu o produtor, empresário e cantor baiano Djalma de Oliveira, que a convidou para gravar com ele o seu primeiro single, lançado como LP: o grande clássico “Faraó (Divindade do Egito)”, composição de Luciano Oliveira e primeiro samba-reggae gravado no Brasil, que vendeu mais de 100 mil cópias. A canção se tornou um grande marco para o Axé Music (gênero fundado por Luiz Caldas no início dos anos 80) e também para o Carnaval de Salvador, quase que um hino da festa soteropolitana.

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