HIP‑HOP 80’sp: A batida das ruas ressurge no Sesc 24 de Maio

Henrique Oliveira
18:15 28.07.2025
Arte e cultura

HIP‑HOP 80’sp: A batida das ruas ressurge no Sesc 24 de Maio

O nome “Hip-Hop” apareceu no fim dos anos 1970, criado por artistas que usavam a batida “hip hop, hip hop” nas apresentações, imitando sons que lembram movimento e dança

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- 28.07.2025 - 18:15
HIP‑HOP 80’sp: A batida das ruas ressurge no Sesc 24 de Maio
FOTO/ACERVO King Nino Brown

Quatro décadas depois de ecoar com força nas ruas da capital paulista, o Hip-Hop retorna ao centro da cidade como celebração e resistência. A exposição HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break, em cartaz no Sesc 24 de Maio de 24 de julho de 2025 a 29 de março de 2026, propõe uma verdadeira imersão na cultura urbana que transformou a cidade em uma grande pista de expressão e identidade.

O público é convidado a revisitar uma São Paulo que dançava, pintava e rimava em meio à escassez, ao improviso e à potência criativa da juventude periférica dos anos 1980. Com curadoria coletiva assinada por nomes históricos da cena, como KL Jay, Thaíde, OSGEMEOS, Sharylaine, Rose MC, Rooneyoyo e ALAM Beat, a mostra apresenta mais de 3 mil itens, muitos deles inéditos, que reconstruem os passos dessa revolução cultural.

Dos bailes black aos fones dos DJs, passando por fotos raras, roupas de época, gravações exclusivas e materiais cedidos por instituições como o Museum of Graffiti (Miami), a exposição se desdobra como uma linha do tempo viva. Entre os destaques estão registros da fotógrafa americana Martha Cooper, o documentário clássico Style Wars (1983), e materiais assinados por Michael Holman, referência quando o assunto é a gênese do breakdance.

Mas o foco não está só no passado: a exposição também olha para o presente e futuro da cultura Hip-Hop no Brasil. O trajeto expositivo simula uma linha de metrô e leva o visitante a diferentes “estações” dessa história: do Bronx ao centro paulistano, da São Bento aos palcos e telas que imortalizaram o movimento. Cada parada revela os pilares do Hip-Hop, DJ, MC, Breaking, Graffiti e conhecimento, conectando memórias afetivas e trajetórias de luta.

Drizy (MG) e Cesar (ES) disputaram a final em 2017, vencida pelo capixaba Cesar (foto: Pablo Bernardo/Divulgação)

Outro ponto alto é o reconhecimento à presença feminina na cultura, com destaque para Sharylaine e Rose MC, pioneiras que abriram caminho para gerações de artistas mulheres no rap nacional. Seus relatos e acervos ajudam a construir uma narrativa mais ampla e representativa do que foi, e ainda é viver o Hip-Hop no Brasil.

Veja também:

Sharylaine e DJ Quetry (1989) Foto: acervo pessoal Sharylaine

Em meio a beats, versos e cores vibrantes, HIP-HOP 80’sp reafirma a força de uma cultura nascida da margem e que se mantém essencial para compreender os movimentos sociais, artísticos e políticos das últimas décadas.

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