Brasil se abstém junto aos EUA de resolução da ONU para Ucrânia

Camilo Mota
17:24 25.02.2026
Jornal novabrasil

Brasil se abstém junto aos EUA de resolução da ONU para Ucrânia

Governo brasileiro não votou por considerar que não houve espaço de diálogo nem negociação, princípios da ONU sobre a guerra

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- 25.02.2026 - 17:24
Brasil se abstém junto aos EUA de resolução da ONU para Ucrânia
Assembleia Geral das Nações Unidas. Foto: United Nation Photo.

Na data em que se completaram os quatro anos da guerra entre Ucrânia e Rússia, as Nações Unidas votaram uma resolução de Kiev. O texto “apoio à paz duradoura na Ucrânia“, que recebeu apoio de 45 países, defende cessar-fogo imediato, a retirada de tropas da Rússia e a troca de prisioneiros. Apesar da urgência na votação e consenso de 107 países, 51 nações se abstiveram, entre elas Brasil e Estados Unidos. Esta última, que até então apoiava incondicionalmente o governo Zelensky, até o início de rodadas de negociações com Vladimir Putin.

De acordo com o Itamaraty, o Brasil se absteve da votação devido à ausência dos princípios estabelecidos junto à ONU:

“Negociação direta, Mediação e Conciliação”, que constam no Artigo 2º da Carta das Nações Unidas.

Na ocasião, o documento foi apresentado unilateralmente por Kiev, sem espaço para debate. Além disso, o governo brasileiro avalia que esta pode ser a mesma justificativa para que os outros 50 países se abstivessem durante a sessão realizada em caráter de urgência.

Por outro lado, doze países foram contra a resolução, que não tem poder jurídico, mas expõe a urgência humanitária e o custo astronômico da reconstrução ucraniana. Organizações mundiais, entre as quais a ONU, estimam algo em torno de U$ 588 bilhões para a reestruturação do país pelos próximos 10 anos.

“Paz duradoura”

O texto diz que as Nações Unidas apelam:

Veja também:

  1. “A um cessar-fogo imediato, total e incondicional entre o
    Federação Russa e Ucrânia”;
  2. Reitera o seu apelo a uma paz abrangente, justa e duradoura, em conformidade com o direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas;
  3. Reitera também o seu apelo à troca completa dos prisioneiros de guerra,
    libertação de todas as pessoas detidas ilegalmente e o regresso de todos os internados e de civis transferidos ou deportados à força, incluindo crianças, como uma medida de criação de confiança;
  4. Decide adiar a décima primeira sessão especial de emergência da Assembleia Geral e autorizar o Presidente da Assembleia Geral a retomar as suas reuniões a pedido dos Estados-Membros.

4 anos de guerra

A guerra entre Rússia e Ucrânia completou 4 anos no dia 24 de fevereiro. Na data, tropas russas deram início à Operação Militar Especial, uma ação na fronteira com o objetivo de neutralizar ações de grupos neonazistas em território ucraniano. O governo russo também buscava obter controle da fronteira para impedir a expansão militar do Ocidente, além do resgate histórico e territorial.

Segundo estimativas das Nações Unidas, a guerra resultou na morte de 15 mil civis, 55 mil soldados ucranianos e 350 mil militares russo. Mas o número pode ser ainda maior.

Atualmente, a Rússia domina 20% do território ucraniano, principalmente nas regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, além da Crimeia. E cerca de 10 milhões de pessoas precisaram sair de casa por causa da guerra.

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