Carnaval de rua de São Paulo ganha força no Ibirapuera

Decio Caramigo
13:21 06.02.2026
Jornalismo

Carnaval de rua de São Paulo ganha força no Ibirapuera

Coletivo articula artistas consagrados e blocos independentes no entorno do obelisco, reforçando a dimensão cultural e econômica da festa

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- 06.02.2026 - 13:21
Carnaval de rua de São Paulo ganha força no Ibirapuera
Alceu Valença e Mariana Aydar na edição do Carnaval de rua de São Paulo de 2025. Foto: Marcos Credie.

Os tamborins ainda estão esquentando, mas o entorno do Obelisco do Ibirapuera já virou ponto de encontro de foliões. O pré-Carnaval da capital paulista começa a ocupar a região com grandes blocos e, por trás dessa engrenagem, está o Carnaval Pipoca.

Diferente do que o nome pode sugerir, o Pipoca não é um bloco que sai abrindo a festa. Ele funciona como um articulador. Um hub que conecta artistas, estrutura técnica e produção.

“O Pipoca nasceu a partir de 2011, quando a gente começou a organizar de forma muito orgânica pequenos blocos aqui na cidade de São Paulo”, explica o fundador Rogério Oliveira. “Oficinas de percussão para pessoas como jornalistas, dentistas, advogados que não sabiam tocar um instrumento mas que pudessem participar de forma protagonista no Carnaval.”

Do bloco pequeno ao artista consagrado

O crescimento veio naturalmente. Segundo Rogério, o coletivo passou a ser procurado por nomes grandes da música.

“A gente teve um crescimento muito orgânico, sendo de um lado procurado por grandes artistas para criar seu bloco, como o bloco do Alceu Valença, por exemplo, que nasceu aqui em São Paulo… um bloco paulistano. E também outros blocos como o Monobloco, que vem do Rio.”

Hoje, o Pipoca apoia tanto megablocos quanto iniciativas periféricas.

“A curadoria é simples pra gente: a gente trabalha com artistas com os quais a gente admira. Tamanho do bloco não é critério. Um bloco grande tem a mesma importância que um bloquinho de bairro.”

Programação no Ibirapuera

Os desfiles se concentram na praça do Obelisco, com trajeto até o Monumento às Bandeiras.

“A logística é o seguinte: você chega aqui em frente ao Obelisco, é de onde saem todos esses blocos. Termina ali no monumento. Depois é Carnaval, você vai pulando de um bloco pro outro e não sabe quando acaba”, brinca.

Entre os destaques estão o Forrozin, de Mariana Aydar, o bloco de Alceu Valença, o Quintal dos Pretos, novidade, e o Monobloco.

Veja também:

Impacto que vai além da folia

Para Rogério, o Carnaval de rua virou parte importante da engrenagem da cidade, culturalmente e financeiramente.

“Nesses anos todos, esse movimento se renasceu e hoje tem essa dimensão grandiosa econômica pro turismo”, afirma. “O que a gente gosta de destacar é que ele não perca a sua dimensão cultural também. Como é que a gente encontra esse equilíbrio entre o lado econômico, as marcas, os patrocinadores, mas sem deixar que os blocos percam o protagonismo? Eles são os verdadeiros donos dessa festa.”

A prefeitura estima cerca de 16,5 milhões de foliões entre pré e pós-Carnaval, movimentando comércio, serviços e empregos temporários.

Serviço e dicas

A programação completa do Carnaval de Rua da cidade de São Paulo está disponível no site blocosderua.com.
E, claro, sempre existem as recomendações que ajudam a melhorar a festa:
“Celular vem na pochete escondido. Assédio, por favor: não é não. Leva capa de chuva, usa tênis por causa de caco de vidro, protetor solar e muita água.”

Mas Rogério reforça também o espírito da festa:

“Por favor, se fantasiem, gente. Carnaval é fantasia.”

No fim das contas, é isso que o Carnaval de rua faz melhor: transformar a cidade em palco, aproximar desconhecidos e lembrar que São Paulo também sabe se divertir.

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