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Novas instalações no Itaú Cultural revelam a arte nas capas de LPs brasileiros e a memória cênica dos 40 anos do LUME Teatro
Novas instalações no Itaú Cultural revelam a arte nas capas de LPs brasileiros e a memória cênica dos 40 anos do LUME Teatro
Introdução à história da arte brasileira 1960-90 reúne 168 discos em que a música de Gal Costa (1945-2022), Milton Nascimento, Titãs e outros é envolta pela obra de artistas visuais como Hélio Oiticica, Guto Lacaz e Regina Vater.
De 13 de dezembro de 2025 a 15 de fevereiro de 2026, o Itaú Cultural apresenta, no piso 2, duas instalações individuais que revelam processos essenciais por trás de obras da música, das artes visuais e do teatro e provocam o visitante a ampliar o olhar sobre as produções artísticas. A primeira, Introdução à história da arte brasileira 1960-90, realizada por Bruno Faria de 2015 a 2022, dá luz ao trabalho artístico presente nas capas de icônicos discos de vinil brasileiros. A segunda, Lume Teatro – tecnologias do corpo e arquivos da presença celebra os 40 anos do grupo Lume, mostrando, por meio de suportes digitais e analógicos, como suas memórias corporais permanecem ativas e em constante reinvenção.
As instalações podem ser visitadas de terça-feira a sábado, das 11h às 20h, e aos domingos e feriados das 11h às 19h. A programação é gratuita e conta com recursos de acessibilidade.
Percurso de imagem e som
Ao chegar no piso 2 do Itaú Cultural, o visitante se depara com a montagem da obra Introdução à história da arte brasileira 1960-90. Nessa instalação, o artista Bruno Faria propõe relevar o trabalho artístico por trás das capas de discos – um aspecto que pode passar despercebido pela maioria do público, mas é celebrado com atenção por amantes do vinil. A obra mescla música e artes visuais ao reunir artisticamente 168 discos de vinil brasileiros lançados entre as décadas de 1960 e 1990 – de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa, Milton Nascimento, Elza Soares e Titãs, entre outros –, que tiveram suas capas desenvolvidas por artistas como Hélio Oiticica, Guto Lacaz, Regina Vater, Décio Pignatari, Samico e Rubens Gerchman.
Dispostos em ordem cronológica em prateleiras, os discos perfazem um recorte da história da arte brasileira, como sugere o título da obra, apresentada no formato de “U”, entre as quais uma vitrola tocará os discos em sequência.
Ao lado, os visitantes encontram exemplares de alguns dos discos, para manusear e ouvir em uma outra vitrola do espaço expositivo, retomando a dimensão material dessa produção e integrando imagem e som em uma experiência única. Na parede, um QR Code dá acesso a uma playlist do Spotify com as faixas de todos os discos.
Um dos álbuns é A bossa negra (1961), segundo disco de Elza Soares e o mais antigo da seleção. A capa, que traz a cantora em um fundo azul claro, é assinada por Cesar G. Villela (1930-2020), pintor e programador visual carioca que ficou conhecido pelo seu trabalho com artistas da bossa nova. Outra capa desenvolvida por ele é a do disco de estreia de Nara Leão (1942-1989), Nara, lançado em 1964, também exposto.
O público encontra capas famosas como a de Tropicália ou Panis et Circencis (1968), disco colaborativo de Caetano, Gal, Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé e um dos marcos do movimento que lhe dá nome, assinada pelo carioca Rubens Gerchman (1942-2008).
Secos e Molhados, álbum de estreia homônimo da banda comandada por Ney Matogrosso, lançado em 1973, tornou-se uma das mais famosas capas da música brasileira ao mostrar os integrantes com as cabeças em cima de pratos em uma mesa, “servidas” como em um banquete. O trabalho é assinado por Décio Duarte Ambrósio. Do mesmo ano, Calabar, o elogio da traição, de Chico Buarque, traz estampada uma imagem de uma pichação branca em um muro da palavra que dá nome, uma capa criada por Regina Vater. Na época de seu lançamento, o álbum foi censurado pelo regime militar.
Ainda entre as curiosidades da instalação, o LP mais recente exposto é Da lama ao caos (1994), do grupo Chico Science e Nação Zumbi, um dos ícones do manguebeat, movimento cultural surgido na década de 1990 em Recife, capital de Pernambuco. Na capa, a dupla Helder Aragão, conhecido como DJ Dolores, e Hilton Lacerda mostram um caranguejo, símbolo da banda, feito com recortes e colagens de uma fotografia, dando à imagem o “ar futurista” característico do movimento.
Introdução à história da arte brasileira 1960-90 integra o Acervo Fundação Itaú. O Acervo ainda conta com outra obra de Bruno Faria, a também instalação Introdução à História do Brasil (2022), que está exposta atualmente no Espaço Herculano Pires, no 6º andar do Itaú Cultural.
É a primeira vez que uma obra do Acervo Fundação Itaú é exposta individualmente no Itaú Cultural. A concepção, realização e acessibilidade da instalação são do Itaú Cultural e o projeto expográfico é de Sofia Gava.

Arquivos do corpo
No mesmo andar, a música e as artes visuais dividem espaço com as artes do corpo, a partir da instalação LUME Teatro – tecnologias do corpo e arquivos da presença. Ela celebra 40 anos de pesquisa, criação e pedagogia do grupo, dando luz ao passado, mas olhando, simultaneamente, para o futuro e na forma como preservam e reinventam as memórias corporais.
O LUME foi fundado em 1985, em Campinas (SP), como um gesto político e artístico em busca de liberdade por meio do corpo e do encontro cênico, em um país que retomava a democracia. Desde então, vem se constituindo como um dos mais consistentes grupos de investigação teatral do país, no qual “presença” não é um atributo individual, mas um acontecimento que reúne corpo, tempo e espaço – “tecnologias da presença”, como chamam, um conjunto de práticas que reúne técnica, energia, sensibilidade e memória.

Essa instalação nasce de uma colaboração entre o LUME e o projeto de pesquisa de Adriana Parente La Selva, na Universidade de Ghent (Bélgica). Sweating the Archives (Suando os Arquivos) investiga como técnicas corporais e modos de presença podem ser traduzidos, transmitidos e reativados através de tecnologias imersivas. A pesquisa permeia todas as fases da instalação: do questionamento sobre o que permanece, o que se transforma e o que se apaga quando o corpo vira traços de registros digitais, à criação de ambientes que reencenam o corpo cênico como arquivo vivo.
A obra é composta de seis fases para o público acompanhar como a produção, transformação e transmissão desse conhecimento. Durante o trajeto, o visitante tem como base suportes analógicos e digitais, recursos audiovisuais e ferramentas de captura e simulação para vivenciar as diferentes tecnologias do corpo desenvolvidas pelo LUME.
A primeira é Suando o arquivo, série fotográfica de Bruno Freire que questiona o impulso de digitalização total e apresenta imagens dos atores do LUME registradas por lentes analógicas durante o processo de pesquisa na Bélgica. A granulação, o deslocamento e o ruído preservam o que o computador tende a apagar: falha, suor, emoção, elementos que sustentam a pesquisa física do grupo.
Em seguida, Labirinto do tempo, do videomaker do LUME Alessandro Poeta Soave em parceria com Gabi Perissinotto, distribui em três telas as temporalidades que moldam o percurso do grupo. O passado aparece nas memórias corporais dos intérpretes. O presente está nas vibrações das obras que mesclam Dança Pessoal, palhaçaria, Mímesis Corpórea e teatro de rua. O futuro é pressentido nos bastidores das pesquisas realizadas pelo grupo entre 2024 e 2025 na Universidade de Ghent (Bélgica), em um diálogo com tecnologias avançadas de captação, registro e tradução de técnicas corporais.
Por sua vez, Ilha volumétrica – Cnossos apresenta uma projeção 3D de fragmentos de Cnossos, espetáculo emblemático do LUME. A obra utiliza captação volumétrica (VolCap), que grava o performer por vários ângulos ao mesmo tempo, criando uma espécie de escultura digital em movimento.
A Ilha eXtendida, núcleo central da pesquisa de Adriana Parente La Selva, aprofunda a questão do arquivo corporal. Utilizando a tecnologia MoCap (Motion Capture), foram captadas matrizes corporais, partituras de Dança Pessoal e Mímesis Corpórea de sete artistas do grupo, convertendo-as em uma cartografia tridimensional. Desdobrada em uma experiência imersiva de realidade estendida (XR), a obra leva o público a experimentar, com óculos de realidade virtual, as técnicas de treinamento utilizadas pelos artistas em ambiente digital de 360 graus.
Em Ilha térmica – qual é seu calor? e Corra, LUME, corra, a presença é apresentada pelo calor. Câmeras térmicas registram as variações de temperatura dos performers e do próprio público, projetando na tela uma geografia cromática da energia corporal — quanto mais clara a área, maior o calor.

A última fase da instalação é Ilha sonora, cuja base é o olhar do LUME para o trabalho vocal, entendendo a voz também como corpo. A obra apresenta arquivos vocais captados com microfone ambisônico — tecnologia que capta o som em todas as direções, preservando a espacialidade e o movimento das vozes —, criando a sensação de que o visitante está dentro de um círculo de atores, ouvindo sua respiração, cantos e matrizes vocais em deslocamento ao redor.
SERVIÇO
Acervo Fundação Itaú – Introdução à história da arte brasileira 1960-90 (2015-2022), de Bruno Faria
Concepção, realização e acessibilidade: Itaú Cultural
Projeto expográfico: Sofia Gava
LUME Teatro – tecnologias do corpo e arquivos da presença
Veja também:
Conceito e curadoria: Itaú Cultural, LUME Teatro, Adriana Parente La Selva e Naomi Silman
Projeto expográfico e de acessibilidade: Itaú Cultural
Abertura: 13 de dezembro (sábado), às 11h
Visitação até 15 de fevereiro de 2026
Terça-feira a sábado, das 11h às 20h
Domingos e feriados, das 11h às 19h
Local: Sala Multiuso, piso 2 do Itaú Cultural
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita.
Espaço expositivo contará com acessibilidade com vídeo-guia e objeto tátil.
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô
Terça a sábado, das 11h às 20h
Domingos e feriados, das 11h às 19h
Informações: pelo telefone (11) 2168.1777 e wapp (11) 9 6383 1663
E-mail: [email protected]
Acesso para pessoas com deficiência física
Estacionamento: entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.
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