Síncope vasovagal: quando o desmaio é benigno e quando merece atenção?

Bruna Henares
17:41 14.11.2025
Autor

Bruna Henares

Cardiologista
Saúde

Síncope vasovagal: quando o desmaio é benigno e quando merece atenção?

Desmaiar é mais comum do que se imagina e, na maioria das vezes, tem causa benigna, mas em alguns casos pode ser o primeiro sinal de arritmia ou outra doença cardíaca grave

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- 14.11.2025 - 17:41
Síncope vasovagal: quando o desmaio é benigno e quando merece atenção?
Foto: Divulgação.

A notícia recente de que o jogador Oscar, do São Paulo, passou por investigação cardiológica após um episódio de desmaio trouxe novamente o tema à discussão.

Toda vez que alguém desmaia, o susto é grande tanto para quem passa pela situação quanto para quem presencia. Mas entender suas causas ajuda a diferenciar o que é simples do que precisa de atenção imediata.

Imagem da noticia Exames de Oscar apontam síncope vasovagal; entendao que é

Oscar. Foto: Divulgação/São Paulo Futebol Clube.

Afinal, o que é síncope?

Síncope é uma perda rápida e transitória da consciência, causada por uma queda momentânea do fluxo de sangue para o cérebro. É relativamente comum — cerca de 30% das pessoas vão desmaiar pelo menos uma vez na vida.

Assim como a febre, o desmaio não é uma doença, mas um sinal de que algo saiu do equilíbrio no organismo. Pode ter causas simples e benignas, como a síncope vasovagal, mas também pode ser o primeiro alerta para condições mais sérias, incluindo arritmias cardíacas, estenose aórtica, infarto ou até embolia pulmonar. Por isso, todo episódio de desmaio merece avaliação.

A síncope vasovagal: a causa mais frequente

A síncope vasovagal acontece quando o organismo reage de forma exagerada a estímulos como:
• jejum
• calor ou ambientes abafados
• estresse emocional
• ficar muito tempo em pé
• ver sangue

Antes do desmaio, o corpo costuma “avisar”:

• visão escura
• suor frio
• tontura
• mal-estar

Apesar de gerar preocupação, costuma ter caráter benigno e não está ligada a doenças estruturais do coração.

Quando o desmaio acende um sinal de alerta?

Alguns cenários indicam maior risco e exigem investigação imediata:
• desmaio sem aviso prévio (“desliga-liga”)
• episódio durante esforço físico
• dor no peito, palpitações ou falta de ar
• histórico de doença cardíaca
• idosos
• pacientes com diabetes, hipertensão ou múltiplas comorbidades

Veja também:

Nesses casos, causas cardíacas — especialmente arritmias — podem estar envolvidas.

O que fazer se alguém desmaiar e estiver respirando?

• Deite a pessoa no chão
• Eleve as pernas
• Vire o rosto de lado
• Afrouxe roupas apertadas

Importante:

Não adianta abanar, jogar água no rosto, nem colocar sal debaixo da língua essas práticas são muito comuns, mas não ajudam a pessoa a recuperar a consciência e podem até atrasar o socorro adequado.

E se a pessoa não estiver respirando?
• Chame pelo nome e toque no ombro
• Acione imediatamente o 192
• Peça um desfibrilador externo automático (DEA)
• Inicie a massagem cardíaca até a chegada do socorro

Avaliação médica é essencial

O desmaio pode ter várias causas, desde as benignas até condições cardíacas importantes. A investigação com cardiologista é fundamental para identificar a origem e evitar riscos maiores.

O alerta trazido pelas notícias recentes reforça a importância de não ignorar nenhum episódio de síncope, entender o que houve é o primeiro passo para prevenir novos eventos.

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Bruna Henares

Cardiologista pelo Instituto do Coração- InCor ( HC- FMUSP), Cardiologista do Centro de Acompanhamento da Saúde e Check up do Hospital Sírio Libanês, Médica Pesquisadora na Unidade de Lípides do Instituto do Coração- InCor ( HC- FMUSP), MBA Executivo em Gestão de Saúde da FGV ( Fundação Getúlio Vargas) e Doutoranda pela USP.

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