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Racismo ambiental: a música na COP30
Revista Raça
Colunista
Racismo ambiental: a música na COP30
A voz das florestas, dos rios e das periferias ecoa na cúpula climática de Belém, onde artistas transformam dor em denúncia e ritmo em resistência
Enquanto o mundo discute metas climáticas, acordos de carbono e planos de sustentabilidade, há um tema que cresce silenciosamente: o racismo ambiental. No Brasil, ele se manifesta quando comunidades negras, indígenas e periféricas são as primeiras a sofrer com enchentes, queimadas e poluição — e as últimas a serem ouvidas. Em meio a esse cenário, a música surge como instrumento de conscientização e força política.
A COP30, que será realizada em Belém do Pará, promete ser uma das conferências mais culturais da história das discussões climáticas. E não poderia ser diferente: a Amazônia é palco de um Brasil que canta sua dor e sua resistência. Artistas como Gaby Amarantos, Lucas Estrela, Chico César e Luedji Luna já anunciaram apresentações e projetos especiais que unirão ativismo ambiental e arte. Mais do que entretenimento, suas performances serão atos de denúncia.
O racismo ambiental não é apenas uma questão ecológica, mas também social. Ele determina quem vive em áreas alagadas, quem respira ar poluído e quem tem acesso à água potável. A música, nesse contexto, torna-se uma linguagem universal para traduzir o sofrimento e exigir mudança. Quando Elza Soares cantou “A carne mais barata do mercado é a carne negra”, ela falava também da carne que respira o gás tóxico, da carne que mora à beira do rio contaminado.

Na COP30, a arte brasileira terá a chance de mostrar que não há sustentabilidade sem justiça racial. O tambor do quilombo e o canto indígena são as primeiras músicas ambientais do mundo. São canções que falam de equilíbrio, pertencimento e respeito à natureza. Quando Gaby Amarantos mistura beats eletrônicos ao som do carimbó, ela cria uma ponte entre o ancestral e o futuro.
A música pode não salvar o planeta sozinha, mas pode nos lembrar por que vale a pena lutar por ele. E, se a COP30 quer realmente marcar a história, precisará escutar não apenas os chefes de Estado, mas também os músicos, os poetas e os povos que vivem na linha de frente da destruição ambiental.
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