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Hoje é dia de celebrar Fausto Fawcett e Carlos Lyra
Hoje é dia de celebrar Fausto Fawcett e Carlos Lyra
Nós sabemos como é imenso o reconhecimento e admiração pelos grandes intérpretes – cantores e cantoras da nossa MPB – e fazemos parte disso! Essas grandes vozes são parte da nossa história e fazem do Brasil um país tão rico e belo culturalmente. Mas, muitas vezes, a gente esquece que – por trás daquela grande … Continued

Nós sabemos como é imenso o reconhecimento e admiração pelos grandes intérpretes – cantores e cantoras da nossa MPB – e fazemos parte disso! Essas grandes vozes são parte da nossa história e fazem do Brasil um país tão rico e belo culturalmente.
Mas, muitas vezes, a gente esquece que – por trás daquela grande voz que materializa a canção de forma primorosa – existe também um compositor, compositora ou letrista, responsável por dar vida àquela canção, por tirá-la do campo das suas ideias e colocá-la no papel, entregando esta obra de arte para o mundo inteiro ter acesso.
Muitas vezes, quem compõe a canção é também responsável por dar voz à ela, fazendo-a tornar-se conhecida do grande público. Mas, outras vezes, esses importantes artistas da nossa música, ficam escondidos por trás das suas criações, que são também (ou somente) gravadas por outros grandes nomes da MPB.
Com o intuito de valorizar este profissional tão importante, que é o compositor, a compositora ou letrista – de tempos em tempos – temos trazido por aqui um pouco da história desses grandes artistas da nossa música popular brasileira para vocês conhecerem melhor!
Aposto que têm vários desses clássicos da MPB que você nem imaginava que tinham sido compostas por esses caras!
Hoje, em especial, trouxemos a história de três grandes compositores da história da MPB – que também são cantores e instrumentistas – e que nasceram (todos!) no dia 11 de maio.
Vamos lá?
Fausto Fawcett
Nascido em 11 de maio de 1957 e completando 65 anos hoje, o carioca Fausto Fawcett é compositor, cantor, guitarrista, letrista, romancista, contista, dramaturgo, jornalista, ator e roteirista. Ufa!
Seu nome real é Fausto Borel Cardoso, mas passou a utilizar o Fawcett quando ingressou no universo artístico, para homenagear uma de suas grandes musas: a atriz norte-americana Farrah Fawcett.
Sua obra, performática e com uma sonoridade experimental, tornou Fausto um grande expoente do rap rock e da literatura cyberpunk no Brasil. Ele surgiu na noite carioca com performances que misturavam teatro, música e poesia, chamando a atenção do diretor Cacá Diegues.
Em 1987, lançou o seu primeiro disco, Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros, descrito como uma obra conceitual onde os símbolos da brasilidade convivem promiscuamente com a avalanche pop e os avanços da mídia e da tecnologia. Suas oito faixas interligadas narram sobre as vidas dos sórdidos personagens que habitam uma versão futurista e tecnologicamente avançada da cidade do Rio de Janeiro.
Este disco, já conta com um dos maiores sucessos de sua carreira, a canção Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, composta com Carlos Laufer, um dos seus maiores parceiros.
A canção foi gravada 10 anos depois por Fernanda Abreu e tornou-se um dos grandes hits de sua carreira. Fernanda, inclusive, participou cantando em outra faixa do primeiro álbum de Fausto, Juliette, e também é sua parceira de composição (junto com Laufer) em outro grande sucesso: Rio 40 Graus, considerado um dos clássicos da música pop brasileira e lançado pela cantora, em 1992, no disco SLA² – Be Sample.
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Outro hit composto pelo trio é Brasil é o País do Suingue, do icônico disco Da Lata, de Fernanda Abreu, lançado em 1995. Nesse mesmo disco, a cantora gravou outro clássico em parceria com Fausto Fawcett: o super hit Garota Sangue Bom.
Falando em hit, Fausto Fawcett também é autor de um dos maiores clássicos da banda Skank, ao lado de Samuel Rosa: a canção Balada do Amor Inabalável, lançada no álbum Maquinarama, de 2000.
Carlos Lyra
Também carioca, mas nascido em 11 de maio de 1933, o cantor, compositor e violonista Carlos Lyra completa 89 anos hoje.
Lyra foi um dos mais jovens e mais importantes nomes da bossa nova no Brasil, fazendo parte do movimento desde os primórdios, integrando ativamente os encontros musicais que aconteciam a partir da segunda metade dos anos 50, em apartamentos da Zona Sul do Rio de Janeiro, junto com nomes como Nara Leão, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli e Sérgio Ricardo.
Nesta mesma época, teve uma escola de violão junto com seu parceiro Ronaldo Bôscoli, na qual estudaram nomes como Nara Leão e Edu Lobo. A primeira música de Lyra a ser gravada em LP – Criticando, registrada em 1956 pelo conjunto Os Cariocas – é uma espécie de precursora da clássica canção Influência do Jazz (de 1962) e já mostrava que o autor manteria sua autonomia, indo muito além da bossa nova e, depois, rompendo barreiras e se juntando a poetas e sambistas do morro como Cartola, Zé Keti e João do Vale.
Sua primeira canção gravada em disco foi Menina, por Sylvia Telles, em 1956. Em 1959, teve três canções suas gravadas no disco que foi o marco inicial da bossa nova, Chega de Saudade, de João Gilberto: Maria Ninguém, Lobo Bobo e Saudade Fez um Samba, as duas últimas em parceria com Bôscoli.
No ano seguinte, grava o seu primeiro disco, Carlos Lyra: Bossa Nova. Depois disso, escreveu diversas trilhas para teatro e compôs alguns dos maiores clássicos da nossa MPB, em parceria com o poeta Vinícius de Moraes, como: Você e Eu (gravada por João Gilberto e Maysa em 1961, mas anos depois também por nomes como Nara Leão, Emílio Santiago, Tom Jobim, Maria Bethânia, Gilberto e Mart’nália), Coisa Mais Linda (gravada em 1961 por João Gilberto, e – em anos seguintes – por Caetano Veloso, Gal Costa, Roberta Sá, entre outros) e Minha Namorada (lançada em 1964 pelo conjunto Os Cariocas e em anos seguintes por nomes como Wilson Simonal, Elis Regina, Jair Rodrigues, Nara Leão e Tim Maia).
Também esteve presente no histórico Festival de Bossa Nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962, ao lado de nomes como Tom Jobim e João Gilberto. Nos EUA, onde se auto-exilou em 1964, por conta do Golpe Militar, gravou com Tony Bennett e fez turnê com Stan Getz. Morou também no México, antes de retornar ao Brasil de vez em 1976.
Hoje, com quase 70 anos de carreira e mais de 20 discos lançados, Carlos Lyra é um dos mais experientes grandes nomes da MPB ainda em plena atividade, tendo lançado um álbum de inéditas em 2019.


