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“Quero ver se você tem atitude, se vai me encarar”: Mart’nália celebra 60 anos de vida e 40 de carreira
Revista Raça
Colunista
“Quero ver se você tem atitude, se vai me encarar”: Mart’nália celebra 60 anos de vida e 40 de carreira
Filha de Martinho da Vila, a cantora e compositora comemora seis décadas de vida e quatro de trajetória artística
“Quero ver se você tem atitude, se vai me encarar.” A provocação, cantada por Mart’nália em um de seus sucessos, parece resumir perfeitamente a personalidade da artista. Aos 60 anos de idade e 40 de carreira, Mart’nália continua desafiando rótulos e convenções com o mesmo sorriso largo, o mesmo gingado despretensioso e a mesma verdade que sempre marcaram sua trajetória. Uma mulher de palco, de roda, de samba e de alma leve — assim ela chega a esta nova fase da vida, reafirmando-se como uma das vozes mais autênticas e queridas da música brasileira.
Nascida Mart’nália Mendonça Ferreira, em 7 de setembro de 1965, no Rio de Janeiro, ela cresceu cercada por música e talento. Filha de Martinho da Vila e da cantora Anália Mendonça, herdou do pai o amor pelo samba e da mãe a força e a sensibilidade feminina. Ainda menina, acompanhava Martinho em shows, ensaios e gravações, aprendendo na prática os segredos da arte que mais tarde faria dela uma referência. Mas, desde cedo, Mart’nália deixou claro que seguiria seu próprio caminho — e faria isso com muito suingue.
Sua estreia profissional aconteceu ainda nos anos 1980, como backing vocal nas apresentações do pai. Com o tempo, começou a compor, tocar violão e se apresentar em bares e rodas de samba cariocas. Seu primeiro disco solo, lançado em 1985, já mostrava uma artista segura, carismática e dona de um timbre único. Mas foi a partir dos anos 2000 que Mart’nália se firmou de vez no cenário nacional, conquistando o público com uma mistura envolvente de samba, MPB e um toque de bossa e malemolência.
Com hits como “Pé do meu samba”, “Chega”, “Cabide”, “Ela é minha cara” e “Tchau”, Mart’nália construiu uma carreira sólida e coerente, marcada por uma sonoridade leve, moderna e profundamente brasileira. Sua música transita com naturalidade entre o samba de raiz e o pop contemporâneo, sempre guiada por sua risada inconfundível e seu jeito espontâneo de ser. Como boa herdeira da Vila Isabel, nunca deixou de reverenciar o samba tradicional, mas também nunca teve medo de experimentar.
Aos 60 anos, Mart’nália segue com a energia de quem acabou de começar. Recentemente, ela vem celebrando suas quatro décadas de carreira com shows especiais, revisitando sucessos e reafirmando seu amor pelo palco — o lugar onde mais se sente em casa. Em suas apresentações, o público encontra não só uma cantora, mas uma contadora de histórias, uma mulher que vive e canta com intensidade, sem se preocupar com modas ou regras.
A artista também coleciona prêmios e parcerias de peso. Já trabalhou com Maria Bethânia, Caetano Veloso, Djavan, Gilberto Gil, Zeca Pagodinho e Ney Matogrosso, entre muitos outros. Sua autenticidade conquistou admiradores dentro e fora do Brasil, e sua presença carismática é hoje sinônimo de alegria, liberdade e resistência. Mart’nália representa uma geração de artistas que fazem da simplicidade um ato de força e da leveza um gesto político.
Mais do que celebrar uma data, os 60 anos de Mart’nália representam a continuidade de uma trajetória que se confunde com a própria história do samba contemporâneo. Ela é o elo entre o samba tradicional de Martinho e as novas sonoridades urbanas, entre a Vila Isabel e o mundo. Sua voz rouca, seu sorriso aberto e seu jeito descontraído continuam a inspirar novas gerações — especialmente mulheres — a viverem suas verdades com coragem e atitude.
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Em um país que tantas vezes tenta enquadrar artistas em fórmulas prontas, Mart’nália é a prova viva de que o maior sucesso é ser fiel a si mesma. Ela não canta para agradar — canta porque precisa, porque sente, porque o samba faz parte de sua respiração. E é exatamente por isso que continua relevante, querida e respeitada após quatro décadas de estrada.
“Quero ver se você tem atitude, se vai me encarar”, canta ela — e a provocação soa mais atual do que nunca. Aos 60 anos, Mart’nália segue desafiando o tempo, as expectativas e os limites. E, enquanto houver samba, gargalhada e liberdade, ela continuará sendo o que sempre foi: a personificação da alegria brasileira em forma de música.
Essa publicação é fruto de uma parceria especial entre a Novabrasil e o Fórum Brasil Diverso, evento realizado pela Revista Raça Brasil nos dias 10 e 11 de novembro, que celebra a diversidade, a cultura e a potência da música negra brasileira. Não perca a oportunidade de participar desse encontro transformador — inscreva-se já www.forumbrasildiverso.org

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