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Miúdos & Melodias: Ver além da aparência: literatura infantojuvenil contra o racismo e os preconceitos
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Miúdos & Melodias: Ver além da aparência: literatura infantojuvenil contra o racismo e os preconceitos
Em Óculos de cor: ver e não enxergar, de Lilia Schwarcz, e A pele que eu tenho, de bell hooks, crianças são convidadas a refletir sobre diversidade, identidade e respeito
A literatura infantojuvenil é um território de descobertas. Entre fadas, super-heróis e mundos fantásticos, ela também pode ser espaço de reflexão sobre temas urgentes para a formação cidadã das novas gerações. Dois livros recentes mostram como falar sobre racismo, identidade e respeito de forma acessível e transformadora para crianças e adolescentes.
No livro Óculos de cor: ver e não enxergar, a imortal da Academia Brasileira de Letras Lilia Moritz Schwarcz traz para o universo dos pequenos leitores o olhar crítico que já marca sua obra acadêmica.
A história acompanha Alvo, um garoto curioso, mas que pouco enxerga além da sua realidade confortável, e Ebony, uma menina cheia de vida, talentos e histórias para contar. O encontro entre os dois abre caminho para que Alvo descubra que o mundo não é feito apenas de experiências parecidas com as suas.
Através da amizade e do convívio, ele passa a perceber a diversidade à sua volta e a compreender que ver não é o mesmo que enxergar. Ao final, um glossário explica termos como branquitude e racismo estrutural, traduzindo para os jovens leitores conceitos que ajudam a refletir sobre o Brasil de hoje e a necessidade de um país mais justo e igualitário.

Já em A pele que eu tenho, da escritora e ativista norte-americana bell hooks, referência mundial em estudos de raça e gênero, a abordagem é poética e sensível. O livro traz um diálogo direto com as crianças sobre o perigo de julgarmos alguém pela aparência. A autora lembra que a cor da pele é apenas a primeira camada visível de uma pessoa e que o verdadeiro encontro acontece quando olhamos para além da superfície. A obra celebra a individualidade, valoriza a diversidade racial e convida os pequenos leitores a se despirem de preconceitos e estereótipos, cultivando amor e respeito pelo próximo desde cedo.
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Tanto Schwarcz quanto bell hooks entendem que a literatura infantil não deve apenas entreter, mas também formar leitores conscientes, críticos e empáticos. Ao colocar esses temas em narrativas acessíveis, as duas autoras reafirmam a força da palavra como ferramenta de transformação social.
Ler esses livros é oferecer às crianças muito mais que histórias: é entregar instrumentos para que cresçam entendendo que diversidade não é diferença a ser superada, mas riqueza a ser celebrada.
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