Memorial do Holocausto ganha réplica do esconderijo de Anne Frank em São Paulo

Decio Caramigo
11:05 12.09.2025
Jornalismo

Memorial do Holocausto ganha réplica do esconderijo de Anne Frank em São Paulo

Nova área vai permitir que visitantes sintam de perto o ambiente onde Anne Frank escreveu seu diário; espaço amplia a experiência de memória e reflexão no Bom Retiro

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- 12.09.2025 - 11:05
Memorial do Holocausto ganha réplica do esconderijo de Anne Frank em São Paulo
Foto: Divulgação.

No coração do Bom Retiro, em São Paulo, o Memorial do Holocausto guarda histórias que vão além das páginas dos livros. Entre sinagoga preservada, objetos de rituais judaicos e lembranças da Segunda Guerra, o espaço se prepara para dar um passo marcante: no início de 2026 será inaugurada uma área inédita com a réplica fiel do esconderijo de Anne Frank.

“Será um ambiente imersivo, onde o visitante vai entrar no espaço em que Anne e sua família ficaram escondidos. Queremos que o público sinta, ainda que minimamente, o que foi aquele período de medo e resistência”, explica Sarita Muciníc Saruê, coordenadora de educação e cultura do memorial.

Memória e resistência

Sarita, filha de sobreviventes do Holocausto, lembra que o espaço atual já impressiona quem entra. São quatro andares que contam desde a chegada dos imigrantes judeus ao Brasil até a perseguição nazista. “Aqui a gente volta 80 anos no tempo, para a morte de milhões de pessoas, incluindo seis milhões de judeus, entre eles um milhão e meio de bebês e crianças”, recorda.

O memorial também resgata o início da vida judaica no estado. “Aqui foi fundada a primeira sinagoga de São Paulo, em 1912. Quem nunca entrou num templo pode ter essa experiência, entender o ciclo da vida judaica e se aproximar da nossa cultura”, destaca Sarita.

A surpreendente conexão com Nova York

Um dos relatos que mais impressiona os visitantes é o das famílias judaicas que fugiram da Inquisição. “Eles chegaram ao Brasil como cristãos-novos, obrigados à conversão, e em Recife encontraram liberdade religiosa com os holandeses. Quando foram expulsos, seguiram para o norte e fundaram Nova Amsterdã, que viria a ser Nova York”, explica a educadora.

A história está registrada até hoje na Estátua da Liberdade, que guarda os nomes desses judeus vindos do Brasil.

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Cultura e diversidade

Mais do que recordação, o memorial é um convite à convivência e ao respeito. “Não só porque somos judeus, mas porque vivemos em um Brasil diverso, e essa diversidade precisa ser respeitada”, afirma Sarita. O espaço recebe estudantes, pesquisadores, policiais militares em projetos de direitos humanos e visitantes curiosos que buscam ampliar sua visão de mundo.

Serviço

📍 Rua da Graça, 160 — Bom Retiro, São Paulo
🚇 Próximo às estações Tiradentes e Armênia do Metrô
🔜 A nova ala dedicada a Anne Frank será inaugurada no início de 2026 e terá entrada pela rua lateral.

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