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Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha celebra força, cultura e ancestralidade
Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha celebra força, cultura e ancestralidade
Que esse dia sirva não só para celebrar, mas para lembrar que toda música brasileira é afro-brasileira
O dia 25 de julho é mais do que uma data no calendário: é um marco de resistência, reconhecimento e celebração da potência de milhões de mulheres negras em toda a América Latina e no Caribe.
Instituído em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na República Dominicana, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha tornou-se símbolo de luta contra o racismo, o machismo e as múltiplas opressões que atravessam a vida dessas mulheres — inclusive no Brasil, onde a data também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola que comandou o Quilombo do Quariterê no século XVIII.
Todas as mulheres negras brasileiras trazem no corpo e na alma um pouco de Tereza de Benguela. Ela nos ensinou, sobretudo, que não precisamos “diminuir para caber”. Muitas vezes, somos incapazes de ver nossa grandeza como qualidade e encurvamos nossas costas para (sobre)viver em espaços menores.
Quando isso acontece, a força de Tereza ecoa nos tambores, nas vozes, nas letras e nas lutas que nos moldam. Mulheres negras transformam o Brasil todos os dias: nos movimentos sociais, nas universidades, nos terreiros, nas periferias, nas artes — e, claro, na música brasileira.
A música sempre foi um espaço de afirmação e resistência para a mulher negra. De Clementina de Jesus a Elza Soares, de Leci Brandão a Sandra de Sá, de Alcione a Iza, de Dona Ivone Lara a Luedji Luna, de Liniker a Xênia França, de Alaíde Costa a Anelis Assumpção e tantas outras. Todas elas carregam em si uma força ancestral que transcende o palco e reverbera em quem escuta.
São vozes que não apenas encantam, mas também denunciam, inspiram, acolhem e reivindicam. Leci Brandão, por exemplo, foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira, em um tempo em que o samba — como tantos outros espaços — ainda era majoritariamente masculino.
Hoje, aos 80 anos, Leci segue sendo uma referência ética, política e artística. Alcione, a Marrom, levou o samba a palcos internacionais com seu timbre inconfundível, orgulho de sua negritude. Elza Soares, com sua voz rouca e imensa, desafiou convenções e transformou dor em arte. Iza, com sua estética apurada e mensagens de empoderamento, representa uma geração que segue abrindo caminhos com dignidade e talento. E a arte negra segue escrevendo novos capítulos de história.
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Há poucos dias, a escritora Ana Maria Gonçalves foi eleita a primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras, quase 130 anos após sua fundação. Autora do romance monumental Um defeito de cor, Ana carrega em sua obra a memória, a luta e a identidade do povo negro brasileiro. Sua eleição é um marco histórico e simbólico — não só pela
representatividade, mas pela reparação e pelo reconhecimento de uma literatura que sempre existiu, mesmo quando silenciada. E não podemos deixar aqui de exaltar, Conceição Evaristo.
Neste 25 de julho, vamos celebrar essas trajetórias, reconhecendo a importância de valorizar, amplificar e respeitar as mulheres negras que constroem, com coragem e sensibilidade, a história da música e da cultura brasileira. A luta é diária, mas o amor, a arte e a ancestralidade são armas potentes.
Que esse dia sirva não só para celebrar, mas para lembrar: o protagonismo da mulher negra precisa ser permanente, visível e valorizado todos os dias do ano — nas rádios, nos palcos, nas ruas e nos corações.


