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Ação de Gloria Groove e MC Daniel fura regra da cidade e vira debate sobre segurança
Ação de Gloria Groove e MC Daniel fura regra da cidade e vira debate sobre segurança
Ação de marketing gerou multa de R$ 10 mil a cada artista e reacendeu discussão sobre distrações perigosas nas vias
Quem passou pela Radial Leste nos últimos dias se deparou com uma faixa intrigante: uma mensagem emocional, seguida por um QR code. A frase chamava atenção — “Daniel, você nunca mereceu o amor que eu te dei. Por isso decidi te expor” — e o código levava à divulgação de uma nova música dos artistas Gloria Groove e MC Daniel.
Apesar da criatividade, a ação rendeu aos artistas uma multa de R$ 10 mil cada, por infringir a Lei Cidade Limpa, em vigor na capital desde 2007. Mas a polêmica não parou por aí.
Muito além da publicidade: os riscos no trânsito
A campanha também levantou uma discussão relevante sobre segurança viária. O uso do QR code em plena via expressa gerou preocupações sobre distrações ao volante. “É claro que um conteúdo chamativo, ainda mais com QR code, pode levar motoristas a tentar acessar a informação em movimento. Isso é um risco enorme”, alertou Luís Francisco Flora, vice-presidente da Comissão de Trânsito da OAB.
A analogia é clara: se o uso do celular ao volante já é uma infração prevista no Código de Trânsito, a tentativa de escanear um código enquanto dirige pode representar um perigo ainda maior. “O motorista precisa abrir a câmera, mirar, tudo isso a 70 km/h? É risco para ele e para os outros”, completou Flora.
E se alguém se acidentar?
Mais do que uma infração administrativa, o uso inadequado de publicidade em espaços públicos pode ter consequências legais mais sérias. Em caso de acidente, por exemplo, pode haver responsabilidade solidária entre o condutor e quem criou o elemento de distração, caso fique comprovado que o material contribuiu para o ocorrido.
“O fato gerador, nesse caso, não deveria estar ali. Se causar um acidente, pode sim haver responsabilização cível, e até penal, dependendo da gravidade”, explicou Flora.
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Impacto x multa: o que vale mais?
O valor da multa aplicada aos artistas já está previsto desde a criação da Lei Cidade Limpa. Em termos legais, é um valor fixo, mas, na prática, ações como essa têm enorme impacto publicitário, o que reacende o debate: vale pagar pela visibilidade, mesmo infringindo a lei?
Além disso, o especialista lembra que, por mais que a ação tenha tido como alvo o marketing, os danos colaterais — como o risco de acidente ou o incentivo a práticas perigosas — precisam ser levados a sério.
A regra é clara (e vale pra todos)
A recomendação final é simples: motoristas devem ignorar distrações visuais ao dirigir e as marcas devem respeitar os limites legais para ações publicitárias, principalmente em vias expressas. “O certo é o motorista manter a atenção. Viu algo que distrai? Ignora. É a melhor escolha”, orientou Flora.

