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Abdagro processa Banco do Brasil por suposta venda casada
Abdagro processa Banco do Brasil por suposta venda casada
Associação de defesa do agronegócio acusa a instituição financeira de condicionar crédito rural à compra de outros produtos
A Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio (Abdagro) moveu uma ação judicial contra o Banco do Brasil, acusando a instituição de praticar venda casada na concessão de crédito rural.
Em entrevista ao Jornal Novabrasil, que é apresentado por Heródoto Barbeiro, o advogado Leandro Marmo, representante da entidade, afirmou que essa prática impacta diretamente a rentabilidade dos produtores.
Venda casada encarece financiamento agrícola
De acordo com Marmo, o problema ocorre quando o banco exige que o produtor rural contrate seguros, consórcios ou títulos de capitalização como condição para liberar o crédito.
“Isso aumenta o custo da operação e reduz a quantia efetivamente aplicada na atividade rural”, explicou.
Ele destacou que a venda casada encarece significativamente os empréstimos, chegando a dobrar os juros reais para os produtores.
“Em muitos casos, o juro que deveria ser de 8% ao ano sobe para 20% devido a essas imposições”, afirmou o advogado.
Indenização pode ultrapassar R$ 800 bilhões
A Abdagro pede na Justiça a restituição dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos.
Segundo as investigações da associação, cerca de 10% dos R$ 1,5 trilhão liberados pelo Banco do Brasil para o setor rural teriam sido desviados para a venda de produtos adicionais.
O valor atualizado desse montante chega a aproximadamente R$ 200 bilhões.
Como a legislação prevê devolução em dobro quando há venda casada, o montante pode ultrapassar R$ 400 bilhões.
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“Além disso, estamos pedindo indenizações por danos morais individuais e coletivos, elevando a ação para R$ 841 bilhões”, afirmou Marmo.
Ação coletiva busca proteger produtores rurais
A ação civil pública movida pela Abdagro tem caráter coletivo e isenta os autores de custos processuais e honorários de sucumbência.
“Essa é uma ação semelhante às ajuizadas pelo Ministério Público para defender interesses difusos e coletivos”, explicou o advogado.
O caso promete grande repercussão no setor financeiro e agropecuário.
Banco do Brasil nega irregularidades
Em nota oficial, o Banco do Brasil negou a prática de venda casada e ressaltou seu compromisso com a transparência e o agronegócio brasileiro.
A instituição destacou sua liderança na concessão de crédito rural e seu alinhamento com os mais altos padrões de governança corporativa.
Além disso, alertou para o aumento de ações judiciais que considera predatórias, argumentando que processos como o movido pela Abdagro criam falsas expectativas nos produtores rurais e sobrecarregam o sistema judiciário.

