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05 canções de amigo para amigo – Parte 1
05 canções de amigo para amigo – Parte 1
Fizemos uma seleção com cinco clássicos cujas letras foram compostas por um grande artista da MPB em homenagem a outro grande artista da MPB: 01 – Cajuína – Caetano Veloso para Torquato Neto A canção Cajuína foi composta por Caetano Veloso em homenagem ao poeta e letrista Torquato Neto, que foi seu companheiro e … Continued
Fizemos uma seleção com cinco clássicos cujas letras foram compostas por um grande artista da MPB em homenagem a outro grande artista da MPB:
01 – Cajuína – Caetano Veloso para Torquato Neto
A canção Cajuína foi composta por Caetano Veloso em homenagem ao poeta e letrista Torquato Neto, que foi seu companheiro e amigo dos tempos de Tropicália.
Torquato se suicidou em 1972, muito jovem, apenas um dia depois de completar 28 anos. E Caetano ficou muito impactado e sofreu muito com essa perda, mas conta que não conseguiu chorar na época.
Anos depois, ao fazer um show em Teresina, cidade onde Torquato nasceu, Caetano resolve fazer uma visita para os pais do letrista, que era filho único. Na casa dos pais de Torquato tinham várias fotos do amigo na parede e Caetano ficou muito triste e finalmente chorou muito, em silêncio, junto com o pai de Torquato, sentados na sala.
Então, Caetano conta que o pai de Torquato Neto foi na cozinha, pegou uma Cajuína gelada (bebida típica e patrimônio cultural do estado do Piauí) e os dois continuaram ali, em silêncio, chorando, até que o pai do poeta foi até o jardim, colheu uma rosa menina, e entregou para Caetano.
O baiano saiu de lá comovido e compôs Cajuína, em homenagem a Torquato Neto e ao momento que viveu ao lado do pai do amigo. A música foi lançada em 1979, no disco Cinema Transcendental, de Caetano Veloso.
“Existirmos a que será que se destina
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
De um menino infeliz não se nos ilumina”
02 – 01º de Julho – Renato Russo para Cássia Eller
Renato Russo compôs a canção 1º de Julho especialmente para a amiga Cássia Eller, grávida de seu primeiro e único filho, Francisco Ribeiro Eller.
Chicão é fruto de um relacionamento casual de Cássia com o amigo e baixista de sua banda, Tavinho Fialho. Tavinho sofreu um acidente de carro e faleceu antes do filho nascer. Nessa época, Cássia já vivia um relacionamento estável com a sua companheira de uma vida, Maria Eugênia, que assumiu a maternidade de Chicão ao lado de Cássia.
A cantora gravou a canção em seu terceiro disco, Cássia Eller, de 1994.
Em um trecho da letra, Renato descreve:
“O que fazes por sonhar
É o mundo que virá pra ti e para mim
Vamos descobrir o mundo juntos baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu Chicão”
Depois da morte de Cássia, Maria Eugênia lutou na justiça – contra o pai da cantora – pela guarda do filho e ganhou a causa, tornando-se o primeiro caso do tipo na justiça brasileira e abraçando uma causa importantíssima. Chicão, que acompanhou a mãe em muitos shows e palcos quando criança, hoje tornou-se um cantor, músico e compositor brilhante: o Chico Chico.
03 – O Poeta Está Vivo – Dulce Quental e Frejat para Cazuza
Cazuza, um dos maiores poetas da música popular brasileira, nos deixou no ano de 1990, com apenas 32 anos, vítima de complicações causadas pela AIDS. Foi a primeira personalidade brasileira a declarar publicamente que havia sido infectado com HIV, quando o assunto ainda era um tabu enorme. Esse ato de transparência ajudou muitas vítimas a lidarem melhor com a doença.
Em 1987, ele foi com os pais para Boston, nos Estados Unidos, para tentar a droga AZT, único tratamento disponível na época.
Seu maior parceiro de composições e também companheiro dos tempos de Barão Vermelho, Roberto Frejat, musicou – no ano seguinte, logo que o cantor voltou dos EUA – a letra de O Poeta Está Vivo, escrita pela cantora e compositora Dulce Quental, que também era muito amiga de Cazuza, com uma dose de esperança em sua recuperação.
“O poeta está vivo
Com seus moinhos de vento
Veja também:
A impulsionar
A grande roda da história
(…)
O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou
Conheceu os jardins do Éden
E nos contou”
A canção acabou sendo lançada apenas no fim de 1990, no disco Na Calada da Noite, do Barão Vermelho, tornando-se uma homenagem póstuma.
04 – Samba de Orly – De Chico Buarque para Toquinho
Em 1968, Toquinho vai pela primeira vez para a Europa, fazer os arranjos de um disco de Chico Buarque e apaixona-se por Roma, cidade em que Chico havia se exilado, por conta dos tempos duros de perseguição aos artistas e às liberdades, em plena ditadura militar. Em 1969, Toquinho volta à cidade para fazer uma temporada de shows ao lado do amigo – somente os dois e seus violões – ficando lá por seis meses.
Antes de voltar para o Brasil, Toquinho deixa um tema de despedida pelo tempo que passaram juntos, para que Chico colocasse a letra. Assim, da despedida de Chico do amigo, nasceu a canção Samba de Orly:
“Vai, meu irmão
Pega esse avião, você tem razão
De correr assim desse frio
Mas beija o meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro lance mão”
Mais tarde, outro grande amigo dos dois, Vinicius de Moraes também entraria como parceiro na composição, ao alterar um verso da canção. O poeta sugeriu que substituíssem a frase “Peço perdão pela duração desta temporada”, que achou muito leve para retratar o que Chico tinha passado no exílio, por “Peço perdão pela omissão um tanto forçada”. A frase não passou pela censura, mas Vinicius continuou assinando a composição.
A música foi gravada pela primeira vez em 1971, no álbum Construção, de Chico Buarque.
05 – Amigo – Roberto Carlos para Erasmo Carlos
Lançada no álbum Roberto Carlos, em 1977, Amigo é uma homenagem explícita do Rei ao seu amigo e maior parceiro de composições e de Jovem Guarda, Erasmo Carlos. Roberto começou a compor a letra canção em segredo, a partir de uma melodia que ele e Erasmo tinham feito juntos em 1974 e que tinha sido deixada de lado.
Quando Roberto apresentou a música pronta de surpresa para o Tremendão durante um jantar, Erasmo relata ter começado a chorar copiosamente de emoção.
“Você meu amigo de fé, meu irmão camarada
Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino
Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro
Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro”.

