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Infestação de caramujos africanos assusta moradores e ameaça meio ambiente
Infestação de caramujos africanos assusta moradores e ameaça meio ambiente
Espécie invasora se multiplica rapidamente e pode causar danos à biodiversidade e à saúde pública
Os caramujos africanos preocupam moradores da região de Pinheiros, em São Paulo, e também do litoral paulista, onde a infestação tem se espalhado rapidamente.
O problema, que já ocorre há décadas, se intensifica pela reprodução acelerada da espécie e pela falta de um controle eficiente.
Durante sua participação no Jornal Novabrasil, o professor Luís Ricardo Simone, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, explicou que criadores trouxeram o caramujo africano para o Brasil na década de 1990.
“As pessoas trouxeram ele da África para ser criado como escargot, mas o mercado nacional não aceitou e os criadores soltaram os animais na natureza. Desde então, eles se multiplicaram de forma descontrolada”, destacou.
Por que os caramujos africanos são um problema?
Além de causar impacto ambiental, o caramujo africano se reproduz rapidamente. Segundo Luís Ricardo Simone, cada indivíduo adulto pode carregar 200 a 300 ovos dentro do corpo, tornando o controle da infestação extremamente difícil.
“O problema é que ele é ovovivíparo, ou seja, os ovos já estão dentro dele. Mesmo que o animal seja eliminado, os ovos continuam sobrevivendo e dão origem a novos caramujos”, explicou o especialista.
Outra preocupação é que a espécie pode transmitir doenças para humanos, especialmente por meio do contato com secreções do animal.
Como controlar a infestação?
De acordo com o professor, realizar o extermínio dos caramujos é um grande desafio.
Métodos caseiros, como jogar sal ou enterrar os animais, não são eficazes, pois os ovos sobrevivem mesmo nessas condições.
“O único jeito de controlar seria a catação contínua e eliminação adequada desses animais. O ideal é que o trabalho seja feito por um biólogo especializado”, alertou.
Pesquisadores testaram diferentes formas de controle, como o uso de água salgada para afogá-los, mas descobriram que os ovos resistem por mais de oito horas submersos.
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Animais invasores e os impactos no Brasil
O caramujo africano não é o único animal invasor que ameaça o Brasil.
O país já enfrentou problemas semelhantes com a abelha africana, o mosquito da dengue, o javali europeu e o mexilhão-dourado, que compromete represas e usinas hidrelétricas.
“O Brasil não tem um controle eficiente sobre a entrada de espécies invasoras. O problema é que, quando elas já estão espalhadas, fica quase impossível eliminar”, afirmou Luís Ricardo Simone.
Além de competirem com espécies nativas, esses animais podem desequilibrar ecossistemas, trazer novas doenças e prejudicar atividades econômicas.
A preocupação cresce à medida que a população de caramujos africanos se expande em áreas urbanas.
Por isso, especialistas recomendam que a coleta seja feita com luvas e os animais sejam entregues a órgãos ambientais para o descarte correto.
Você já viu caramujos africanos na sua região? Fique atento e evite contato direto com esses animais!



