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Lavagem de dinheiro custa R$ 200 bi ao Brasil e envolve corrupção e apostas
Lavagem de dinheiro custa R$ 200 bi ao Brasil e envolve corrupção e apostas
A prática impacta setores como saúde e segurança e ganha novas dimensões com o avanço das apostas online
Em entrevista ao Jornal Novabrasil, apresentado por Heródoto Barbeiro, o Professor Ahmed El Khatib, coordenador do Centro de Estudos e Finanças da Fundação Álvares Penteado, destacou os prejuízos que a prática de lavagem de dinheiro impõe ao Brasil. Segundo o especialista, a lavagem de dinheiro representa uma perda anual de aproximadamente R$ 200 bilhões, recursos que poderiam ser destinados a áreas fundamentais como saúde, educação e segurança pública.
A lavagem de dinheiro é um processo no qual recursos obtidos de forma ilícita são transformados em ativos aparentemente legítimos. Essa prática criminosa frequentemente está ligada a esquemas de corrupção e sonegação fiscal, que desviam dinheiro público.
“As pequenas corrupções, os subornos de agentes públicos e os eventuais não pagamentos de tributos acabam desviando dinheiro que precisa ser lavado”, explicou o professor. Ele ainda observou que a complexidade da operação é tal que dificulta a detecção pelas autoridades e o combate efetivo a essa atividade criminosa.
Globalização e apostas online facilitam a prática
Com o avanço da globalização e das novas tecnologias de pagamento, como o PIX, a prática de lavagem de dinheiro ganhou novos meios e alcance. O especialista mencionou a relevância crescente das casas de apostas online nesse contexto. Ele ressaltou que a massificação e a legalização das apostas online ampliaram significativamente as possibilidades de movimentação ilícita de dinheiro.
“Com a legalização dessas casas de aposta, ficou muito mais fácil fazer depósitos via PIX e transferências automáticas para essas plataformas, permitindo uma lavagem de dinheiro em escala global”, explicou.
Essas casas de apostas, muitas vezes sediadas fora do Brasil, apresentam desafios adicionais para a fiscalização, pois operam em outros países enquanto mantêm agentes financeiros no Brasil.
A falta de regulamentação consolidada e a ausência de controle sobre as transações digitais facilitam a movimentação de valores elevados sem que os órgãos de controle consigam acompanhar todos os fluxos financeiros.
Ações e desafios internacionais
Desde 1998, o Brasil conta com a Lei 9.613, que estabelece diretrizes para o combate à lavagem de dinheiro e incentiva a colaboração internacional. Apesar disso, o professor El Khatib ressalta que o contexto digital e a criação de criptoativos dificultam ainda mais a tarefa das autoridades. “As tecnologias estão aí para nos ajudar, e as polícias Federal e Civil e os órgãos de controle nacionais têm feito um trabalho forte, mas é muito difícil rastrear esse dinheiro”, ponderou.
Mesmo com a colaboração internacional e a vigilância dos sistemas financeiros, a globalização dos meios de comunicação e a expansão das transações em criptoativos complicam o rastreamento de atividades ilícitas, sobretudo em operações financeiras que ocorrem fora do país.
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O perigo do financiamento ao terrorismo e outras atividades ilegais
Outro ponto preocupante, segundo o professor, é que a lavagem de dinheiro também pode estar ligada ao financiamento de práticas ainda mais graves, como o terrorismo internacional.
Instituições financeiras tentam prevenir esse tipo de atividade, examinando a origem dos recursos de novos clientes. “Bancos internacionais fazem uma espécie de análise de vida pregressa dos novos correntistas para avaliar a licitude do dinheiro, mas nem sempre isso tem funcionado bem”, afirmou o especialista, que lembrou de casos recentes na Europa em que grandes bancos aceitaram depósitos de origem duvidosa, envolvendo grandes quantias ligadas a criminosos.
Segundo ele, a lavagem de dinheiro é um problema de segurança, especialmente com o advento das novas tecnologias, que tornam essa prática cada vez mais sofisticada. Apesar dos esforços de cooperação internacional e regulamentação, a capacidade dos criminosos de encontrar maneiras criativas para esconder a origem dos fundos é um desafio crescente para as autoridades.
O combate à lavagem de dinheiro no Brasil exige estratégias que acompanhem as evoluções tecnológicas e globais, além de parcerias internacionais que possam reforçar a fiscalização financeira. Os impactos da lavagem de dinheiro vão além dos cofres públicos, comprometendo a segurança e a justiça social no país.
O professor Ahmed El Khatib alerta para a necessidade de atualização constante nas práticas de fiscalização e controle e aponta que a colaboração entre instituições financeiras e órgãos de segurança é essencial para reduzir as perdas e riscos gerados por essa prática.



