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Amazônia está próxima do não retorno, alerta climatologista Carlos Nobre
Amazônia está próxima do não retorno, alerta climatologista Carlos Nobre
Brasil já registrou mais incêndios florestais em 2024 do que em todo ano de 2023, diz Inpe
Amazônia tem maior número de queimadas desde 2005, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em entrevista ao “Jornal Novabrasil”, o climatologista Carlos Nobre comentou a gravidade do cenário, especialmente na Amazônia.
Para ele, a floresta vive uma crise urgente: “O sul da Amazônia, do oceano atlântico, até ali a Amazônia da Bolívia, sul do Pará, em diante, está realmente muito próximo do ponto de não retorno. Ali, a estação seca já ficou de quatro a cinco semanas mais longa neste ano, nessa velocidade, a região vai se auto degradar”.
Ainda de acordo com o especialista, o sul do Pará e o norte do Mato Grosso são um dos únicos lugares do mundo em que a floresta virou fonte de carbono e a mortalidade das árvores está extremamente alta.
Carlos Nobre ainda avaliou a importância das florestas à vida humana:“Globalmente falando, 30 a 33% de todo o gás carbônico que nós jogamos na atmosfera, as florestas globais removem. A Amazônia, na década de 90, chegou a remover mais de 1,5 bilhões de toneladas de gás carbônicas da atmosfera”, completou.
Soluções à crise climática na Amazônia
A crise climática preocupa o mundo. Há quase 15 meses, o globo tem atingido a temperatura limite que as COPS determinaram, de 1,4 graus mais quente.
Na avaliação de Carlos Nobre, ainda que difícil, existem soluções para amenizar os impactos na Amazônia: “Se conseguirmos acelerar muito a restauração florestal, nós vamos reduzir o risco de passar do ponto de não retorno. Mas não temos como abandonar esse risco, pois além do desmatamento, o aquecimento global também é uma realidade”.
O ambientalista também disse que é preciso zerar o desmatamento, a degradação e as queimadas para, aí sim, restaurar uma grande parte da área desmatada.
A discussão que cerca o meio ambiente no país deve continuar até, pelo menos, a COP30. O Brasil sediará pela primeira vez uma cúpula mundial do clima das Nações Unidas, o evento mais relevante do segmento. A reunião acontece entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025 com o objetivo é diminuir as emissões de gases do efeito estufa e conter o aquecimento global.
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Crise global
O ano de 2024 não deixa dúvida: a crise climática impacta o mundo todo, especialmente as nações mais vulneráveis.
Os efeitos das queimadas na Amazônia já são sentidos em outras regiões do planeta. A África do Sul, por exemplo, registrou focos de fumaça em razão das queimadas em florestas brasileiras.
As queimadas e o calor extremo bateram recordes em diversos países. Os oceanos também estão mais quentes e, consequentemente, mais cheios.
O “relógio climático” tem sido cada vez mais comentado por especialistas e líderes mundiais. Na Assembleia Geral da ONU, realizada na última terça-feira, foi um dos grandes destaques do presidente Lula.
Confira a entrevista completa com o jornalista Heródoto Barbeiro:

