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“Tobogã” de Lô Borges já disponível em todas as plataformas de streaming
“Tobogã” de Lô Borges já disponível em todas as plataformas de streaming
Processo criativo do álbum teve um início inusitado em 2023, fruto de uma amizade à distância, sustentada por correspondências online; ouça
Com doze faixas inéditas, “Tobogã”, o novo álbum de Lô Borges, acaba de chegar ao público. Na era do tiktok, ouvir um disco que reúne doze músicas é um ato de ousadia e coragem.
Salomão Borges Filho, o nosso Lô, acrescenta um capítulo importantíssimo em sua trajetória discográfica com o lançamento do seu 16º álbum de carreira. Desde “Um Dia E Meio” (2003), onde retomou parcerias importantes e estabeleceu novas, Lô manteve um ritmo de trabalho impressionante, lançando um disco por ano desde 2019. “Compor, fazer música é uma coisa imperiosa para mim. É como beber água”, revelou o cantautor mineiro recentemente.
O processo criativo de “Tobogã” teve um início inusitado em 2023, fruto de uma amizade à distância, sustentada por correspondências online, com a médica e poeta Manuela Costa, uma conhecida de longa data. “Fiquei impressionado com os poemas que ela me enviou. Eram criativos, surpreendentes.
Até que um dia, falei: vamos inverter esse negócio? Vou mandar uma música para você fazer a letra. Vamos ver se conseguimos nos tornar parceiros” explicou Lô. A provocação funcionou e a primeira canção surgiu: “Pouso da Manhã”.
Em seguida, a dupla escreveu “Tobogã”, composição que leva o mesmo nome do livro de memórias que Salomão Borges, pai de Lô, escrito em 1987. Uma das estrofes ilustra a admiração do filho pela sabedoria do pai: “Meu grande pai com sal nas mãos me dizia / A vida é um tobogã / O tempo é uma abstração da mente / E eu quero a sua bem sã”.
Os encontros virtuais, motivados pela sintonia criativa, prosseguiram. A troca de e-mails e mensagens, contendo poemas e áudios de voz e violão, se intensificou e a parceria acabou se solidificando.
O repertório com doze canções inéditas foi concluído assim, sem a presença física dos dois — ele em Belo Horizonte, ela em Brasília. A produção do disco ficou a cargo de Lô Borges e dos músicos Henrique Matheus (guitarras e encarregado das gravações e mixagens) e Thiago Correa (baixo, teclados e percussões).
Na bateria está Robinson Matos, completando o núcleo responsável, trabalhando com autonomia no sound design do disco, (instrumentação, sonoridades e texturas finais dos arranjos).
O convívio íntimo de Lô com seu trio, tanto nos palcos quanto nos estúdios, desde 2019, assegurou o alinhamento artístico — Tobogã é um trabalho coeso em texto e sonoridade. Reflete a influência da obra dos Beatles e ao mesmo tempo preserva a assinatura autoral de Lô Borges, que, ao lado de Milton Nascimento, caracterizou o “Clube da Esquina”, um dos discos mais relevantes da cultura pop de todos os tempos e, para muitos, um gênero da música brasileira em si.
As participações de Fernanda Takai, cantora e compositora do Pato Fu, nas faixas “Tobogã” e “Amor Real”, e de Manuela Costa, poeta e parceira, em “Pouso da Manhã”, acrescentam beleza às linhas vocais de cada verso, encaixando-se perfeitamente com a voz atemporal de Lô.
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E a capa do álbum é um atrativo. Como visto nas capas dos cinco discos anteriores do artista mineiro, a capa do trabalho mostra foto do cantor e compositor jovem.
A foto é um registro de Cafi. O fotografo também é autor da foto icônica do primeiro álbum solo de Lô Borges, de 1972, conhecido como “o disco do tênis”.
Cafi é o nome artístico do fotógrafo e artista plástico pernambucano Carlos da Silva Assunção Filho.
Relembre abaixo a famosa capa:

Lô Borges em criação
A fase inicial da carreira de um compositor costuma ser seu período mais produtivo. Aos 72 anos, o mineiro Lô Borges quebra esse paradigma.
Ele compunha intensamente quando lançou “Clube da Esquina”, álbum de 1972 com Milton Nascimento, Beto Guedes e outros parceiros, e o “disco do tênis”, como ficou apelidado seu primeiro álbum solo, que saiu no mesmo ano. Lô acredita, porém, que tem criado ainda mais nestes últimos anos.
Essa energia criativa, quase uma compulsão, é um dos temas centrais de “Lô Borges: Toda essa Água”, documentário dirigido por Rodrigo de Oliveira (de “Os Primeiros Soldados”).


