Novabrasil
Entenda a Desordem de Diferenciação Sexual, condição de medalhista em Paris
Renato Kfouri
Pediatra, infectologista, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria
Entenda a Desordem de Diferenciação Sexual, condição de medalhista em Paris
O colunista da Novabrasil, Renato Kfouri, explica o que é essa Desordem e como se apresenta em algumas pessoas, como a argelina Imane Khelif
A participação da boxeadora argelina Imane Khelif gerou muita polêmica nos jogos olímpicos e rendeu uma medalha de ouro para ela. A lutadora nasceu com Desordem de Diferenciação Sexual, uma condição rara.
Em conversa com a Novabrasil, o pediatra e colunista Renato Kfouri destacou que “nem sempre quem nasce com cromossomos XY é um homem e nem sempre quem nasce com cromossomo XX é uma mulher”. Na diferenciação, quando essa Desordem ocorre, mesmo com a carga genética, a genitália tem o aspecto feminino ou masculino, inclusive com órgãos genitais, diferenciando do que apresentam os cromossomos.
O especialista diz que a condição pode estar relacionada à divisão das células, a uma formação no testículo ou ovário e também pode ter relação com os hormônios. Para funcionar, esses hormônios precisam de várias enzimas para metabolizá-los. Se houver alguma deficiência nisso, a pessoa pode ter modificações na genitália, independentemente dos cromossomos.
As situações são raras, mas possíveis e podem alterar a configuração hormonal da pessoa. Com isso, a argelina teria uma força desproporcional, mesmo nascendo mulher.
Renato Kfouri entende que “o tema precisa ser melhor debatido dentro do esporte. Sem preconceitos, mas com acolhimento dessas pessoas que apresentam os distúrbios de desenvolvimento e procurar uma saída que contemple uma competição justa”.
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A polêmica sobre a condição de Imane Khelif ganhou destaque após a desistência da lutadora italiana Angela Carini na luta em Paris. Carini disse que os golpes doíam muito e ela não poderia seguir com o confronto.
Imane Khelif foi reprovada no ano passado no teste de gênero por apresentar cromossomos XY. Mas, acabou sendo liberada pelo Comitê Olímpico Internacional para os jogos de Paris.
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