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Acervo MPB: Luiz Gonzaga – Parte 3
Acervo MPB: Luiz Gonzaga – Parte 3
Confira a parte 01 e parte 02 deste conteúdo. – Em 1947, Gonzagão lança o sucesso Pagode Russo, com João Silva, outro grande parceiro, com quem compõe mais de 30 canções. – A partir desse ano, o Rei do Baião adota o chapéu de couro semelhante ao usado por Lampião, a quem tinha verdadeira admiração, … Continued
Confira a parte 01 e parte 02 deste conteúdo.
– Em 1947, Gonzagão lança o sucesso Pagode Russo, com João Silva, outro grande parceiro, com quem compõe mais de 30 canções.
– A partir desse ano, o Rei do Baião adota o chapéu de couro semelhante ao usado por Lampião, a quem tinha verdadeira admiração, assumindo ainda mais a identidade nordestina no cenário nacional.
– De 1946 a 1955, Luiz Gonzaga foi o artista que mais vendeu discos no Brasil, somando quase 200 álbuns gravados e mais de 80 milhões de cópias vendidas.
– Em 1949, aproveitando uma folga entre as gravações, Luiz Gonzaga leva a esposa para conhecer a sua terra, Exu. Porém, eles interrompem a viagem quando estavam no Crato, município cearense próximo, por causa das desavenças e mortes entre as famílias Sampaio e Alencar.
– A grande violência que marcava a disputa entre os clãs rivais ameaçava a família de Luiz Gonzaga, ligada aos Alencar. Preocupado, Gonzagão aluga uma casa no Crato, para onde leva seus pais e irmãos, enquanto preparava a mudança de sua família para o Rio de Janeiro, o que ocorreu ainda em 1949.
– Também em 1949, lança o sucesso Mangaratiba, em parceria com Humberto Teixeira. Já em 1950, também com o parceiro, lança as clássicas Assum Preto, Paraíba, Baião de Dois e o super sucesso Qui Nem Jiló.
– Também em 1950, lança a canção A Dança da Moda, parceria com Zé Dantas, que retratava a febre nacional pelo baião criado por Luiz Gonzaga, nesta época já consagrado o Rei do Baião. No mesmo ano, os parceiros lançam os sucessos Cintura Fina, Vem Morena e A Volta da Asa Branca.
– Em 1951, lança outro grande clássico: a canção Sabiá, também parceria com Zé Dantas.
– Entre 1951 e 1952, Luiz Gonzaga se apresenta pelo Brasil inteiro, em uma turnê promovida por uma marca de colírios, numa época em que poucos artistas saíam do eixo Rio-São Paulo.
– Em 1953, lança as canções ABC do Sertão e Vozes da Seca e também um grande sucesso de sua carreira, o Xote das Meninas, todas em parceria com Zé Dantas. No mesmo ano, lança o clássico A Vida do Viajante, em parceria com Hervé Cordovil.
– Em 1954, Luiz Gonzaga conhece Neném do Acordeão, que – mais tarde – viria a ser o grande Dominguinhos (nome sugerido pelo próprio Gonzagão), ainda menino, na cidade de Garanhuns. Dominguinhos passou a acompanhar o então ídolo como músico em muitos shows e foi muito influenciado por ele, continuando o seu legado na música brasileira após a sua morte.

– Em 1955, Gonzagão lança as canções Riacho do Navio e Paulo Afonso, também com Zé Dantas.
– Em 1956, lança o seu primeiro longplay completo de estúdio, A História do Nordeste Na Voz de Luiz Gonzaga, que traz canções consagradas como Asa Branca, Paraíba, Respeita Januário, Xote das Meninas e ABC do Sertão.
– Em 1958, lança o álbum São João na Roça, com grandes clássicos seus, famosos até hoje nas Festas de São João, como: Olha Pro Céu (parceria com José Fernandes), Noites Brasileiras e a canção título (ambas com Zé Dantas).
– Também em 1962, é inaugurado – no Rio de Janeiro – em homenagem ao Rei do Baião, o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, também conhecido como Feira de São Cristóvão, um pavilhão que promove a cultura e o comércio de produtos nordestinos na cidade carioca.
– Nos anos 60, Gonzagão sai um pouco dos holofotes com a ascensão da Bossa Nova e da Jovem Guarda. Mas já no fim da mesma década, os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil explodem como líderes do movimento Tropicalista e os maiores expoentes da MPB no momento e resgatam a importância de Luiz Gonzaga em suas formações musicais e na história da música popular brasileira. Com isso, Luiz Gonzaga cai nas graças do público novamente, lugar de onde nunca deveria ter saído.
– Em 1965, Geraldo Vandré grava Asa Branca, e, em 1971 Caetano também exalta a canção, sendo a única música em português gravada em seu disco lançado no exílio em Londres, onde escancara a dor da saudade do seu país e – principalmente – do nordeste.
– Em 1971, o Rei do Baião lança o LP O Canto Jovem de Luiz Gonzaga, com composições de Gil, Caetano, Edu Lobo, Dorival Caymmi, Geraldo Vandré e outros, mostrando intimidade com a nova geração de músicos.
– Em 1972, apresenta o espetáculo Luiz Gonzaga Volta Para Curtir, que marca a sua volta aos grandes palcos e aos holofotes, no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, produzido pelo poeta tropicalista Capinan, para uma plateia formada – em sua maioria – por estudantes. Nesse ano, rompe o contrato de 32 anos com a RCA, com quem voltou a gravar em 1976.
– Em 1977 participa do show 30 Anos de Baião, no Teatro Municipal de São Paulo e, em 1979, lança o álbum Eu e Meu Pai, em homenagem a Seu Januário, falecido no ano anterior. Gonzaguinha faz uma participação especial na faixa A Vida do Viajante.
– No ano seguinte, Gonzagão inicia – ao lado do filho – a turnê do show A Vida do Viajante, que percorre várias cidades brasileiras, estendendo-se até 1981, quando é lançado o álbum duplo da gravação do show, ao vivo, com várias canções emblemáticas de sua carreira, além de composições do filho como: Começaria Tudo Outra Vez, Sangrando e Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração).
– Em 1980, Luiz Gonzaga canta para o Papa João Paulo II, em visita à capital cearense.
Veja também:
– Em 1982, viaja para Paris, onde se apresenta – pela primeira vez na Europa – na casa de espetáculos Bobino, a convite da cantora amazonense Nazaré Pereira, que vive na cidade.
– A partir desse ano, o artista passa a assinar como Gonzagão quase todos os seus discos, forma como havia sido chamado por ocasião de sua turnê com Gonzaguinha.
– No ano de 1983, lança o disco 70 Anos de Sanfona e Simpatia.
– Em 1984, Luiz Gonzaga recebe o seu primeiro Disco de Ouro, com o LP Danado de Bom e, no mesmo ano, o Prêmio Shell. Antes do sanfoneiro, somente Pixinguinha, Dorival Caymmi e Tom Jobim tinham sido agraciados com a importante premiação.
– Em 1985, Gonzaga recebe o prêmio Nipper de Ouro, homenagem internacional da RCA a um artista de seu quadro e também conquista dois discos de ouro pelo LP Sanfoneiro Macho.
– Em 1986, o Rei do Baião participa do festival de música brasileira na França, Couleurs Brésil, apresentando-se no show de encerramento, junto com outros artistas brasileiros, para um público aproximado de 15 mil pessoas.
– No mesmo ano, o disco Forró de Cabo a Rabo, dá a Luiz Gonzaga mais dois discos de ouro e um de platina.
– O Rei do Baião morreu em 1989, aos 76 anos de idade, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa de Recife e sepultado em sua cidade natal, Exu.
– A usina hidrelétrica localizada na cidade de Petrolândia – PE, recebeu o seu nome para homenageá-lo.
– Hoje, mais de 30 anos após a sua morte, o legado de Gonzagão permanece vivíssimo em nossa história e o artista é considerado um dos maiores nomes da nossa música popular brasileira, sendo respeitado e interpretado por grandes nomes da MPB como Dominguinhos, João do Vale, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Raul Seixas, Elba Ramalho, Fagner, Chico Science, Marisa Monte, Zeca Baleiro, Lenine, Geraldo Azevedo e tantos outros.
– Em 2008, foi inaugurado – pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife – o Memorial Luiz Gonzaga, que tem o objetivo de pesquisar, preservar e difundir a memória do artista e a cultura nordestina. O Memorial é composto por biografia, ponto de consulta ao acervo digital, discos, fotos, livros, instrumentos musicais, exibição de filmes e documentários, além de objetos típicos da cultura nordestina.

– Em Exu, também está localizado o Museu de Gonzagão, idealizado pelo próprio artista, que – já com a carreira consolidada – quis construir um complexo de atrações para preservar seu nome e sua obra.
– Dedicado à sua vida e carreira, o Museu conta com a maior coleção de peças originais do Rei do Baião, como sanfonas, chapéus, sandálias e gibão de couro, discos de ouro e fotografias, máquinas de gravar LP, medalhas e diplomas de seu acervo pessoal. Há, ainda, uma réplica da casa de reboco onde Gonzagão nasceu e um viveiro de asas-brancas.
– O Museu fica dentro do Parque Asa Branca, uma antiga fazenda de 1.500 hectares comprada pelo Rei do Baião em meados dos anos 60, mas que só foi inaugurado após a sua morte, em 1989, por seu filho Gonzaguinha.
– Em 2001, o projeto Viva Gonzagão encaminhou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a proposta de tombamento do Parque Asa Branca como um bem do patrimônio artístico nacional.
– Em 2012, o filme de Gonzaga: De Pai Para Filho, de Breno Silveira, narrou a relação de Gonzagão e Gonzaguinha, interpretados respectivamente por Chambinho do Acordeon e Júlio Andrade. O diretor do filme comparou Luiz Gonzaga a Michael Jackson: “Ele desenhava as próprias roupas e inventava os passos que fazia no palco com os músicos. (…) Foi também o primeiro a fazer uma turnê pelo Brasil. Antes dele, os artistas não saíam do eixo Rio-SP. Gonzagão gostava mesmo era do showbiz: viajar, fazer shows e tocar para plateias do interior”.
– Em 2012, a escola de samba Unidos da Tijuca foi campeã do carnaval carioca ao homenagear Luiz Gonzaga com o enredo: O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão.
– Também em 2012, o Correio Brasileiro emitiu um selo postal em homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga.
Quer escutar este acervo e de outros artistas? Confira a primeira temporada do podcast Acervo MPB.


