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Maria Bethânia lança álbum de inéditas Noturno
Maria Bethânia lança álbum de inéditas Noturno
No último dia 30 de julho, nossa grande rainha da MPB, Maria Bethânia, lançou em todas as plataformas digitais o seu novo álbum de inéditas Noturno. Fazendo jus ao título de uma das maiores intérpretes do nosso país, Bethânia traz toda a força, beleza, dramaticidade e teatralidade do seu canto em um trabalho impecável, composto … Continued
No último dia 30 de julho, nossa grande rainha da MPB, Maria Bethânia, lançou em todas as plataformas digitais o seu novo álbum de inéditas Noturno.
Fazendo jus ao título de uma das maiores intérpretes do nosso país, Bethânia traz toda a força, beleza, dramaticidade e teatralidade do seu canto em um trabalho impecável, composto por 10 canções inéditas e uma regravação do clássico samba-canção Bar da Noite – de Bidu Reis e Haroldo Barbosa, famoso na voz de Nora Ney – que abre o disco.
Depois de lançar os dois primeiros singles – A Flor Encarnada, composição de Adriana Calcanhoto, em 25 de junho; e Lapa Santa, de Paulo Dáfilin e Roque Ferreira, em 16 de julho; Bethânia empresta a sua poderosa voz para mais oito canções inéditas, além da interpretação – sempre potente – do poema Uma Pequena Luz, de Jorge Sena.
Resgatando a dramaturgia que a acompanha em toda a sua obra – desde às interpretações das canções, até a escolha do cenário, iluminação, figurino e roteiro dos espetáculos – Bethânia pensou em um disco em o que o repertório seguisse um trajeto que fosse do escuro até chegar à luz, reforçando brilhantemente esse contraste a cada canção (ideia que já acompanha a baiana desde seu último show, Claros Breus, que inspirou o disco).
Com canções que englobam a imensa gama de estilos que permeiam o repertório da baiana – e também sua devoção, religiosidade e fé – o disco é pura poesia. É também versatilidade: ao mesmo tempo que nos toma de profunda emoção – com algumas faixas em que Bethânia canta acompanhada apenas do piano, do acordeom ou de um violão de sete cordas e outras que, segundo a própria Bethânia “Registram muito esse momento dramático, triste e sombrio que estamos atravessando” – também traz canções que nos transbordam de luz e nos fazem querer levantar e sair dançando por aí afora.
Além das já citadas, o álbum traz belas canções dos jovens e talentosíssimos Tim Bernardes (Prudência) e Zeca Veloso (O Sopro do Fole), sobrinho de Bethânia e filho de Caetano.
Também traz a poesia de um parceiro de longa data de Bethânia, Chico César (na deliciosa Luminosidade), do experiente sambista Xande de Pilares em parceria com Serginho Meriti (Cria da Comunidade, com participação de Xande na gravação da faixa).
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Calcanhoto aparece novamente no disco, na composição de 2 de Junho, sobre a absurda morte do menino Miguel, em 2020, e o racismo escancarado do Brasil. E Paulo Dáfilin também faz dobradinha, com a canção De Onde Eu Vim; bem como Roque Ferreira na composição de Música Música. O álbum também conta com a canção em espanhol Vidalita, uma composição da catalã Mayte Martin.
Como disse o poeta Eucanaã Ferraz, na apresentação do disco – e que Bethânia fez questão de compartilhar em suas redes sociais: “Em Noturno tudo é instável – o sol brilha, mas logo vem a noite, inquietante; e esta também não dura”.
A união da instabilidade e das nuances do momento que divide a noite da manhã – e também da vida, das relações, do mundo – com a firmeza e a precisão da voz de Bethânia, não poderia trazer melhor resultado! No encarte do disco, bordado em vermelho, à mão, pela própria abelha rainha da MPB, Bethânia nos entrega seu coração.


