Aniversário de 469 anos de São Paulo: 18 músicas que falam sobre a cidade

Novabrasil
09:30 25.01.2023
Jornalismo

Aniversário de 469 anos de São Paulo: 18 músicas que falam sobre a cidade

Neste 25 de janeiro, a cidade de São Paulo completa 469 anos de existência. A data foi estabelecida em homenagem à fundação do Colégio dos Jesuítas, considerado o marco zero da maior capital brasileira e maior metrópole da América do Sul. Nesta matéria, confira 18 músicas da MPB que falam sobre São Paulo. Alguma coisa … Continued

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- 25.01.2023 - 09:30
Aniversário de 469 anos de São Paulo: 18 músicas que falam sobre a cidade
Edifício Copan, 70 anos. Para entidades de urbanismo, projetos anteriores sugeriam materiais que não eram adequados Foto: Felipe Rau/Estadão

Neste 25 de janeiro, a cidade de São Paulo completa 469 anos de existência. A data foi estabelecida em homenagem à fundação do Colégio dos Jesuítas, considerado o marco zero da maior capital brasileira e maior metrópole da América do Sul. Nesta matéria, confira 18 músicas da MPB que falam sobre São Paulo.

Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi

Da dura poesia concreta de tuas esquinas

Da deselegância discreta de tuas meninas

Sampa – Caetano Veloso

Edifício Copan é um dos pontos mais famosos da cidade de São Paulo | Foto: Felipe Rau/Estadão

São Paulo já foi tema de muitas músicas da MPB

Com suas belezas e contradições, São Paulo já foi tema de muitas músicas da nossa MPB. Talvez a principal delas seja Sampa, que o baiano Caetano Veloso escreveu como um hino de amor à cidade e que acabou tornando-se realmente um hino paulistano.

Na canção, Caetano fala sobre suas impressões ao chegar em São Paulo pela primeira vez, nos anos 60 – aos 22 anos – acompanhando a irmã Maria Bethânia, que ia estrear (e estourar!) sua carreira musical ao substituir Nara Leão no emblemático espetáculo de protesto Opinião

A história de ‘Sampa’, de Caetano Veloso

Em ‘Sampa’, Caetano Veloso fala sobre sua primeira impressão de São Paulo

A primeira impressão de Caetano Veloso sobre a cidade não foi das melhores:

“Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto / Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto (…) E foste um difícil começo / Afasto o que não conheço / E quem vende outro sonho feliz de cidade / Aprende depressa a chamar-te de realidade / Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso”.

O baiano logo se deparou com a dura realidade política e a imensa desigualdade social da cidade de São Paulo:

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas / Da força da grana que ergue e destrói coisas belas / Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas.”

Veja também:

Não demorou muito para Caetano também se apaixonar por SP

Mas… não demorou muito para Caetano também se apaixonar pela deselegância discreta paulistana: seu coração bateu mais forte quando cruzou o principal encontro entre avenidas da cidade (a famosa esquina das Avenidas Ipiranga e São João), mas também quando mergulhou de cabeça na cultura paulistana, conhecendo grandes artistas e movimentos da capital.

Entre eles:

  • A cantora e compositora paulistana Rita Lee (a quem atribui justamente o título de “a mais perfeita tradução” da cidade);
  • a poesia concretista de Jorge Mautner (Deus da Chuva e da Morte é o primeiro romance do poeta);
  • o escritor José Agrippino de Paula (autor do livro Panamérica);
  • os movimentos de vanguarda e os modernistas Oswald e Mário de Andrade;
  • e o diretor Zé Celso Martinez Corrêa (do famoso Teatro Oficina, que fica no centro da cidade).

A canção foi composta para um programa de TV no aniversário de São Paulo

A canção foi composta para um programa de TV no aniversário de São Paulo, em 1978, quando Caetano já morava no Rio, e entrou para o seu o LP Muito – Dentro da Estrela Azulada, do mesmo ano.

Em entrevistas, Caetano conta que o samba-canção Ronda, música de Paulo Vanzolini, foi inspiração para criar a composição. A canção de Paulo termina com o verso “Cena de sangue num bar da Avenida São João”, que deu origem também ao primeiro verso da música de Caetano.

Adoniran Barbosa, Tom Zé, Gilberto Gil e Criolo também tem músicas onde São Paulo é o tema principal

Outro compositor que retratou São Paulo de forma magistral foi o também paulista Adoniran Barbosa, lá nos anos 50, com diversas canções que falavam do cotidiano da cidade, como os clássicos Trem das Onze, Samba do Arnesto, Viaduto Santa Ifigênia e Saudosa Maloca

As composições de Adoniran também viraram hinos e ficaram muito famosas nas versões do conjunto paulistano Demônios da Garoa.

Em 1968, quando foi morar na capital paulista, Tom Zé também já tinha cantando sobre as durezas e belezas da cidade, na excelente e sempre atual São São Paulo. Depois, Gilberto Gil ainda nos presenteou com o Punk da Periferia, em 1983. Na contemporaneidade, temos Criolo, um dos maiores poetas paulistanos, que escreve sobre a realidade de sua cidade como ninguém.

Vista do centro de São Paulo, altura da Praça da República (1953) | Foto: Divulgação.

18 músicas da MPB que falam sobre São Paulo

Fizemos uma seleção com mais algumas canções que são o retrato da cidade de São Paulo que completa mais um ano de vida hoje (uma delas é uma espécie de resposta de Jair Oliveira para a música de Caetano): Uma Outra Beleza.

Confira!


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