Viva, Maceió! Feliz 207 anos!

Novabrasil
09:30 05.12.2022
Jornalismo

Viva, Maceió! Feliz 207 anos!

No dia de hoje, Maceió – capital do estado de Alagoas, na região Nordeste do país – completa 207 anos de existência! Terra de brasileiros importantes como Djavan e Nise da Silveira, Maceió recebe hoje as homenagens da Novabrasil. A história de Maceió, “o que tapa ou cobre o alagadiço” Fundada em 05 de dezembro … Continued

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- 05.12.2022 - 09:30
Viva, Maceió! Feliz 207 anos!
Maceió. Foto Émile Valões Ascom Semtel

No dia de hoje, Maceió – capital do estado de Alagoas, na região Nordeste do país – completa 207 anos de existência! Terra de brasileiros importantes como Djavan e Nise da Silveira, Maceió recebe hoje as homenagens da Novabrasil.

Maceió, na língua Tupi, significa algo como o que tapa ou cobre o alagadiço” | Foto: Émile Valões/Ascom Semtel

A história de Maceió, o que tapa ou cobre o alagadiço”

Fundada em 05 de dezembro de 1815 – dia em que ocorreu a separação entre a Vila de Santa Maria Madalena da Alagoas do Sul (atual Marechal Deodoro) e a Vila de Maceió – a cidade já existia desde o século XVIII, na região do Engenho Massayó, um engenho de açúcar. 

Seu próprio nome, de origem indígena da tribo Tupi, quer dizer algo como “o que tapa ou cobre o alagadiço”.

Como ali havia muitas praias, o porto de Jaraguá se expandia com o comércio de Pau Brasil e a chegada de africanos escravizados. O povoado foi crescendo ao redor da capelinha de Nossa Senhora dos Prazeres, hoje a padroeira da cidade, e tornou-se numa das maiores capitais do nordeste com mais de um milhão de habitantes.

O Caribe Brasileiro

É importante lembrar que o atual estado de Alagoas fazia parte da Capitania de Pernambuco e tinha denominação de Alagoas do Sul. Somente com a Revolução Pernambucana de 1815, as terras formariam uma província independente e Maceió seria elevada à Vila.

A designação como capital ocorreu dois anos depois e a cidade não parou de crescer, atraindo gente do campo e de outros estados brasileiros. Atualmente, Maceió vive especialmente do turismo e foi apelidada de Caribe Brasileiro, pela beleza de sua natureza.

É também de Maceió um dos maiores artistas da música popular brasileira de todos os tempos: Djavan.

Maceió: Terra de Djavan

Nascido em janeiro de 1949, em uma família humilde da periferia de Maceió, Djavan acompanhava desde menino sua mãe, Virginia, nas suas idas à beira do rio, onde ela lavava roupa junto com outras lavadeiras.

Como conta em seu site oficial, o menino percebia – cheio de orgulho, já aos cinco anos de idade – como sua mãe puxava bonito o canto com as colegas de trabalho, como distribuía as vozes e fazia bonitos solos. Sem saber, tinha ali, à beira de um rio na periferia de uma periférica cidade do Nordeste do Brasil, suas primeiras lições de música.

Djavan no início de sua carreira, em Alagoas, com sua banda, chamada LSD (Luz, Som, Dimensão) | Foto: Divulgação/Perfil de Djavan no Facebook.

Em casa, a mãe ensinava as primeiras canções para Djavan

Em casa, a mãe – sempre muito musical – ensinava as primeiras canções para Djavan, que vinham do rádio:

  • Orlando Silva;
  • Ângela Maria;
  • Dalva de Oliveira;
  • Jackson do Pandeiro;
  • Luiz Gonzaga

O menino também prestava muita atenção naquela música que ouvia nas ruas e feiras de Maceió, e no serviço de alto-falantes na praça. 

Sempre teve uma boa educação escolar, mas o violão aprendeu sozinho. Foi Virgínia quem percebeu primeiro o talento de Djavan para a música e que fez nascer nele o sonho de ser cantor de rádio. 

Acesse o Acervo MPB especial Djavan e conheça a história desse maceioense conhecido no Brasil inteiro e no mundo, que influenciou uma geração de artistas e marcou a vida de tantas pessoas com sua música e sua personalidade!

Djavan escreveu músicas sobre sua terra natal, como Alagoas, Farinha e Jogral

Djavan inclusive, escreveu muitas músicas sobre sua terra e suas origens, que tanto influenciaram a sua obra, por exemplo, Alagoas, lançada em 1978:

Ô Maceió

É três mulé prum homem só

Eu fui batizado na capela do farol

Matriz de Santa Rita,

Maceió

Ou Farinha, composição de 2001, em que fala sobre a macaxeira – um dos principais ingrediente utilizados pelos nordestinos – e também sobre sua mãe:

E em tudo que é farinhada a macaxeira tá

Você não sabe o que é farinha boa

Farinha é a que a mãe me manda lá de Alagoas

Ou em Jogral – parceria com Filó Machado e José Neto, do disco Seduzir, de 1981 – em que fala da sua infância em Maceió, de sua mãe e de sua relação com a música:

No dia em que eu vim de casa

cheirando à beira-de-rio

no pensamento umas asas

pra cumprir melhor meu desafio

Veja também:

meu pensamento rodou…

 

Cortando o torrão nesse trem

andando bem…

Acho que a mais de cem

de Maceió aqui parece ali…

 

Mãe disse que eu não aceite

corja com más companhias

quando deitar, tome o leite

depois reze três ave-marias

meu pensamento rodou…

Ou ainda, na canção Muito Mais, de 1986:

É Alagoas

Quem dera nas suas águas

Me banhar

Muito mais

Mas deixa isso

Pra longe

Maceió: Terra de Nise da Silveira, uma das primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina

Outra maceioense muito importante para o nosso país foi a médica psiquiatra Nise da Silveira. Nascida em fevereiro de 1905, cursou a Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou como a única mulher entre os 157 homens daquela turma. Está entre as primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina.

Foi aluna de Carl Jung e tornou-se reconhecida mundialmente por sua contribuição à psiquiatria, revolucionando o tratamento mental no Brasil.

Nise da Silveira revolucionou o tratamento mental no Brasil | Foto: Alexandre Sant’Anna/SAÚDE é Vital

Nise ainda foi pioneira ao enxergar o valor terapêutico da interação de pacientes com animais

Doutora Nise da Silveira dedicou sua vida ao trabalho com doentes mentais, manifestando-se radicalmente contra as formas que julgava serem agressivas em tratamentos de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia. Nise ainda foi pioneira ao enxergar o valor terapêutico da interação de pacientes com animais.

Dona Ivone Lara trabalhou ao lado de Nise da Silveira no Serviço Nacional de Doenças Mentais, antes de deixar a enfermagem e o serviço social de vez para dedicar-se somente à música, aos 56 anos.

Junto com Nise, Ivone desempenhou um papel fundamental na reforma psiquiátrica no Brasil. Durante mais de três décadas, ela atuou na Colônia Juliano Moreira, com pacientes de doenças mentais.

Nise da Silveira e pacientes | Foto: Acervo Nise da Silveira

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