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42 anos sem Cartola: 5 canções inesquecíveis
42 anos sem Cartola: 5 canções inesquecíveis
Angenor de Oliveira, nosso eterno Cartola, nos deixou no dia 30 de novembro de 1980, aos 72 anos. O cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro é considerado por muitos como o maior sambista da história da música brasileira. Relembre com a Novabrasil 5 canções inesquecíveis de Cartola. Cartola, o maior sambista da história da música … Continued
Angenor de Oliveira, nosso eterno Cartola, nos deixou no dia 30 de novembro de 1980, aos 72 anos. O cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro é considerado por muitos como o maior sambista da história da música brasileira. Relembre com a Novabrasil 5 canções inesquecíveis de Cartola.

Cartola, o maior sambista da história da música brasileira
Cartola nasceu no bairro do Catete, mas passou a infância no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Tomou gosto pela música e pelo samba ainda menino e aprendeu com o pai a tocar violão.
Entrou em contato com os ranchos carnavalescos União da Aliança e Arrepiados, no qual tocava cavaquinho (instrumento musical que lhe tinha sido dado pelo pai quando tinha somente 8 ou 9 anos de idade), o que também fazia nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de pastorinhas.
As dificuldades financeiras obrigaram a família numerosa (era o mais velho de sete irmãos) a se mudar para o Morro da Mangueira. Lá, Angenor conheceu e fez amizade com Carlos Cachaça – amigo por toda a vida e seu parceiro mais constante em dezenas de sambas – e outros sambistas.
O apelido de Cartola e a fundação da Mangueira
Na adolescência, passou a trabalhar para ajudar em casa, ao mesmo tempo em que se inclinava para a vida boêmia. Quando sua mãe faleceu, o menino arranjou um emprego de servente de obra e passou a usar um chapéu-coco para se proteger do cimento que caía de cima. Por usar esse chapéu, ganhou dos colegas de trabalho o apelido Cartola.
Junto com um grupo de amigos sambistas do morro, Cartola criou o Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo em 1928 fundou a Estação Primeira de Mangueira. Um dos seus sete fundadores, Cartola também assumiu a função de diretor de harmonia da escola, em que permaneceu até fins da década de 1930.

Chega de Demanda: O primeiro samba escolhido para desfile da Mangueira
Cartola compôs Chega de Demanda, o primeiro samba escolhido para o desfile e que só seria gravado pelo compositor em 1974, para o disco História das Escolas de Samba: Mangueira.
Os sambas de Cartola começaram a sair do morro e se popularizaram na década de 1930, em vozes ilustres como Araci de Almeida, Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis e Sílvio Caldas.
Depois, no fim da década de 40, o sambista caiu no ostracismo e passou por bastante dificuldades por algum tempo, até que em 1974, aos 65 anos, Cartola gravou o primeiro de seus quatro discos solo e sua carreira tomou impulso de novo.
5 canções inesquecíveis de Cartola
Vamos relembrar alguns dos grandes clássicos de Cartola?
1 – As Rosas não Falam
Diz-se que um dia Cartola levou à Dona Zica, sua segunda esposa, umas mudas de rosas, que as plantou no jardim. Dias depois, Zica, ao abrir a porta pela manhã, percebeu que muitos botões haviam desabrochados e ficou deslumbrada com a beleza e quantidade de rosas. Chamou o amado e disse:
“Cartola, venha aqui! Venha ver o jardim! Por que é que nasceu tanta rosa?”.
Foi quando o poeta respondeu:
“Não sei, Zica. As rosas não falam!”.
No auge dos seus 60 e poucos anos, isso inspirou Cartola a compor a canção quase que imediatamente.
A cantora Beth Carvalho incluiu As Rosas Não Falam no seu álbum Mundo Melhor, de 1976, sendo esta a primeira gravação do clássico, que depois foi regravado por inúmeros nomes da MPB, como:
- o próprio Cartola (em seu segundo disco, de 1976);
- Fagner;
- Emílio Santiago;
- Elizeth Cardoso;
- Gal Costa;
- Paulinho da Viola;
- e tantos outros.
Em 2021, As Rosas Não Falam era a 11ª canção brasileira mais regravada de todos os tempos, de acordo com o ECAD, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, que é o órgão responsável por captar e distribuir valores pagos pela execução de canções em eventos e nos mais diversos tipos de mídia.
2 – O Mundo É um Moinho
Lançada pelo próprio Cartola, em seu segundo disco, de 1976, O Mundo É um Moinho foi regravada também por grandes nomes da MPB como:
Veja também:
- Cazuza;
- Ney Matogrosso;
- Nelson Gonçalves;
- e Beth Carvalho.
Foi composta em 1943, para a filha adotiva de Cartola, Creusa, que era afilhada de sua primeira esposa, Deolinda, e que foi morar com o casal aos cinco anos, depois da morte dos pais.
Uma das canções mais belas da MPB, trata-se de um ensinamento sobre as durezas da vida e o cuidado que é preciso sobre decisões a tomar quando se torna adulto.
3 – Alvorada
Parceria com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, a canção Alvorada é outro dos grandes sucessos de Cartola. O clássico foi lançado em 1968, no disco Fala Mangueira que contava com:
- Cartola;
- Carlos Cachaça;
- Clementina de Jesus;
- Nelson Cavaquinho;
- e Odete Amaral.
Em 1972, Clara Nunes relançou a canção com sucesso, em seu disco Clara Clarice Clara, e – depois – Cartola a gravou no seu disco de estreia, de 1974. Depois, Alvorada foi regravada por outros grandes nomes como:
- Zizi Possi;
- Maria Bethânia;
- Alcione;
- e Jair Rodrigues.
4 – O Sol Nascerá
A canção foi composta em 1961, na casa de Cartola, na época muito frequentada por diversos sambistas, entre os quais Zé Kéti, Nelson Cavaquinho e Elton Medeiros, este último, parceiro de Cartola em O Sol Nascerá.
Segundo Elton, a letra nasceu de maneira improvisada: Cartola e ele tinham acabado de compor um samba chamado Castelo de Pedrarias, quando chegou o amigo Renato Agostini, que – após ouvir o novo samba – desafiou os compositores a fazerem outra letra, ali na hora, em sua presença. Pouco depois estava pronto o samba O Sol Voltará.
Três anos depois do episódio, a canção foi uma das escolhidas para integrar o álbum de estreia de Nara Leão, até então considerada musa da bossa nova, mas que trouxe o samba do morro para a sua obra antes mesmo de lançar seu primeiro disco. Na gravação, atendendo a um pedido do produtor Aloysio de Oliveira, o título foi alterado para O Sol Nascerá.
Considerado como um marco da redescoberta de Cartola durante a década de 1960 e também da revelação de Elton Medeiros como compositor, O Sol Nascerá foi gravado pelo próprio Cartola para o seu álbum homônimo, o primeiro de sua carreira, em 1974. Um ano antes, havia sido gravada para o também disco de estreia de Elton.
Depois, ainda foi regravada por nomes como:
- Elis Regina;
- Jair Rodrigues;
- Ney Matogrosso;
- e Paulinho da Viola.
5 – Preciso me Encontrar
Esta não é uma composição de Cartola, mas fez muito sucesso em sua voz, quando o sambista foi o primeiro a gravá-la, em seu disco Cartola II, de 1976.
Composição de outro sambista importantíssimo, o também carioca Candeia, que faleceu dois anos depois da gravação de Cartola, aos 43 anos. Ironicamente, a música fala exatamente sobre a passagem desta vida, a procura por algum sentido na vida, a busca por se encontrar, e também sobre a morte.

Depois, Preciso me Encontrar foi depois regravada por outros grandes nomes como:
- Marisa Monte;
- Ney Matogrosso;
- Mart’nália;
- e Teresa Cristina.


