42 anos sem Cartola: 5 canções inesquecíveis

Novabrasil
15:00 29.11.2022
Jornalismo

42 anos sem Cartola: 5 canções inesquecíveis

Angenor de Oliveira, nosso eterno Cartola, nos deixou no dia 30 de novembro de 1980, aos 72 anos. O cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro é considerado por muitos como o maior sambista da história da música brasileira. Relembre com a Novabrasil 5 canções inesquecíveis de Cartola. Cartola, o maior sambista da história da música … Continued

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- 29.11.2022 - 15:00
42 anos sem Cartola: 5 canções inesquecíveis
Capa do álbum “Verde Que Te Quero Rosa”  Ivan KlingenInternet Leia mais em httpsvejario.abril.com.brcolunarafael-mattosocartola-suburbio

Angenor de Oliveira, nosso eterno Cartola, nos deixou no dia 30 de novembro de 1980, aos 72 anos. O cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro é considerado por muitos como o maior sambista da história da música brasileira. Relembre com a Novabrasil 5 canções inesquecíveis de Cartola.

Capa de Verde Que Te Quero Rosa, de Cartola | Foto:  Ivan Klingen/Internet

Cartola, o maior sambista da história da música brasileira

Cartola nasceu no bairro do Catete, mas passou a infância no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Tomou gosto pela música e pelo samba ainda menino e aprendeu com o pai a tocar violão.

Entrou em contato com os ranchos carnavalescos União da Aliança e Arrepiados, no qual tocava cavaquinho (instrumento musical que lhe tinha sido dado pelo pai quando tinha somente 8 ou 9 anos de idade), o que também fazia nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de pastorinhas.

As  dificuldades financeiras obrigaram a família numerosa (era o mais velho de sete irmãos) a se mudar para o Morro da Mangueira. Lá, Angenor conheceu e fez amizade com Carlos Cachaça – amigo por toda a vida e seu parceiro mais constante em dezenas de sambas – e outros sambistas. 

O apelido de Cartola e a fundação da Mangueira

Na adolescência, passou a trabalhar para ajudar em casa, ao mesmo tempo em que se inclinava para a vida boêmia. Quando sua mãe faleceu, o menino arranjou um emprego de servente de obra e passou a usar um chapéu-coco para se proteger do cimento que caía de cima. Por usar esse chapéu, ganhou dos colegas de trabalho o apelido Cartola.

Junto com um grupo de amigos sambistas do morro, Cartola criou o Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo em 1928 fundou a Estação Primeira de Mangueira. Um dos seus sete fundadores, Cartola também assumiu a função de diretor de harmonia da escola, em que permaneceu até fins da década de 1930. 

Cartola desfilando na Mangueira (1978) |  Foto: Anibal Philot/Agência O Globo

Chega de Demanda: O primeiro samba escolhido para desfile da Mangueira

Cartola compôs Chega de Demanda, o primeiro samba escolhido para o desfile e que só seria gravado pelo compositor em 1974, para o disco História das Escolas de Samba: Mangueira.

Os sambas de Cartola começaram a sair do morro e se popularizaram na década de 1930, em vozes ilustres como Araci de Almeida, Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis e Sílvio Caldas.

Depois, no fim da década de 40, o sambista caiu no ostracismo e passou por bastante dificuldades por algum tempo, até que em 1974, aos 65 anos, Cartola gravou o primeiro de seus quatro discos solo e sua carreira tomou impulso de novo.

5 canções inesquecíveis de Cartola

Vamos relembrar alguns dos grandes clássicos de Cartola?

1 – As Rosas não Falam

Diz-se que um dia Cartola levou à Dona Zica, sua segunda esposa, umas mudas de rosas, que as plantou no jardim. Dias depois, Zica, ao abrir a porta pela manhã, percebeu que muitos botões haviam desabrochados e ficou deslumbrada com a beleza e quantidade de rosas. Chamou o amado e disse:

“Cartola, venha aqui! Venha ver o jardim! Por que é que nasceu tanta rosa?”.

Foi quando o poeta respondeu:

“Não sei, Zica. As rosas não falam!”.

No auge dos seus 60 e poucos anos, isso inspirou Cartola a compor a canção quase que imediatamente.

A cantora Beth Carvalho incluiu As Rosas Não Falam no seu álbum Mundo Melhor, de 1976, sendo esta a primeira gravação do clássico, que depois foi regravado por inúmeros nomes da MPB, como:

  • o próprio Cartola (em seu segundo disco, de 1976);
  • Fagner;
  • Emílio Santiago;
  • Elizeth Cardoso;
  • Gal Costa;
  • Paulinho da Viola;
  • e tantos outros.

Em 2021, As Rosas Não Falam era a 11ª canção brasileira mais regravada de todos os tempos, de acordo com o ECAD, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, que é o órgão responsável por captar e distribuir valores pagos pela execução de canções em eventos e nos mais diversos tipos de mídia.

2 – O Mundo É um Moinho 

Lançada pelo próprio Cartola, em seu segundo disco, de 1976, O Mundo É um Moinho foi regravada também por grandes nomes da MPB como:

Veja também:

  • Cazuza;
  • Ney Matogrosso;
  • Nelson Gonçalves;
  • e Beth Carvalho.

Foi composta em 1943, para a filha adotiva de Cartola, Creusa, que era afilhada de sua primeira esposa, Deolinda, e que foi morar com o casal aos cinco anos, depois da morte dos pais.

Uma das canções mais belas da MPB, trata-se de um ensinamento sobre as durezas da vida e o cuidado que é preciso sobre decisões a tomar quando se torna adulto. 

3 – Alvorada

Parceria com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, a canção Alvorada é outro dos grandes sucessos de Cartola. O clássico foi lançado em 1968, no disco Fala Mangueira que contava com:

  • Cartola;
  • Carlos Cachaça;
  • Clementina de Jesus;
  • Nelson Cavaquinho;
  • e Odete Amaral.

Em 1972, Clara Nunes relançou a canção com  sucesso, em seu disco Clara Clarice Clara, e – depois – Cartola a gravou no seu disco de estreia, de 1974. Depois, Alvorada foi regravada por outros grandes nomes como:

  • Zizi Possi;
  • Maria Bethânia;
  • Alcione;
  • e Jair Rodrigues.

4 – O Sol Nascerá

A canção foi composta em 1961, na casa de Cartola, na época muito frequentada por diversos sambistas, entre os quais Zé Kéti, Nelson Cavaquinho e Elton Medeiros, este último, parceiro de Cartola em O Sol Nascerá. 

Segundo Elton, a letra nasceu de maneira improvisada: Cartola e ele tinham acabado de compor um samba chamado Castelo de Pedrarias, quando chegou o amigo Renato Agostini, que – após ouvir o novo samba – desafiou os compositores a fazerem outra letra, ali na hora, em sua presença. Pouco depois estava pronto o samba O Sol Voltará

Três anos depois do episódio, a canção foi uma das escolhidas para integrar o álbum de estreia de Nara Leão, até então considerada musa da bossa nova, mas que trouxe o samba do morro para a sua obra antes mesmo de lançar seu primeiro disco. Na gravação, atendendo a um pedido do produtor Aloysio de Oliveira, o título foi alterado para O Sol Nascerá.

Considerado como um marco da redescoberta de Cartola durante a década de 1960 e também da revelação de Elton Medeiros como compositor, O Sol Nascerá foi gravado pelo próprio Cartola para o seu álbum homônimo, o primeiro de sua carreira, em 1974. Um ano antes, havia sido gravada para o também disco de estreia de Elton.

Depois, ainda foi regravada por nomes como:

  • Elis Regina;
  • Jair Rodrigues;
  • Ney Matogrosso;
  • e Paulinho da Viola.

5 – Preciso me Encontrar

Esta não é uma composição de Cartola, mas fez muito sucesso em sua voz, quando o sambista foi o primeiro a gravá-la, em seu disco Cartola II, de 1976. 

Composição de outro sambista importantíssimo, o também carioca Candeia, que faleceu dois anos depois da gravação de Cartola, aos 43 anos. Ironicamente, a música fala exatamente sobre a passagem desta vida, a procura por algum sentido na vida, a busca por se encontrar, e também sobre a morte. 

Candeia e Cartola (1974) | Foto: Wikipedia.

Depois, Preciso me Encontrar foi depois regravada por outros grandes nomes como:

  • Marisa Monte;
  • Ney Matogrosso;
  • Mart’nália;
  • e Teresa Cristina.

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