Novabrasil
Rolando Boldrin, a Viola e Deus…
Rolando Boldrin, a Viola e Deus…
Ontem, dia 9 de novembro de 2022, não foi um dia fácil para o nosso país. Além da perda irreparável de uma das maiores artistas da música popular brasileira de todos os tempos, a eterna musa Gal Costa, o Brasil também perdeu outro gigante: o cantor, compositor, ator e apresentador Rolando Boldrin. O velório de … Continued
Ontem, dia 9 de novembro de 2022, não foi um dia fácil para o nosso país. Além da perda irreparável de uma das maiores artistas da música popular brasileira de todos os tempos, a eterna musa Gal Costa, o Brasil também perdeu outro gigante: o cantor, compositor, ator e apresentador Rolando Boldrin.

O velório de Boldrin será aberto ao público, nesta quinta-feira (10/11), das 8h às 15h, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Av. Pedro Álvares Cabral, 201 – Moema). O sepultamento será realizado no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi, às 17h.
Rolando Boldrin tirou o Brasil da gaveta e fez coro com os artistas mais representativos de todas as regiões do país
Aos 86 anos, Rolando estava internado no Hospital Albert Einstein havia dois meses e teve uma insuficiência respiratória e renal, segundo informações da TV Cultura, onde o artista trabalhava há 17 anos, apresentando o programa Sr. Brasil, desde 2005.
Segundo nota da própria emissora, com o programa:
“Rolando Boldrin tirou o Brasil da gaveta e fez coro com os artistas mais representativos de todas as regiões do país. O cenário privilegiava os artesãos brasileiros e era circundado por imagens dos artistas que fizeram a nossa história, escrita, falada e cantada”.
Desde pequeno, Rolando Boldrin já tocava viola
Nascido na cidade interiorana de São Joaquim da Barra, no estado de São Paulo, desde pequeno Rolando Boldrin já tocava viola. Aos 12 anos, com sua voz inconfundível, formou – com o seu irmão – a dupla musical Boy e Formiga, que chegou a fazer sucesso na rádio do município.
Aos 16 anos, com o incentivo do pai, foi para a capital de carona em um caminhão. Em São Paulo, antes de emplacar na carreira de cantor, foi sapateiro, frentista, carregador, garçom e ajudante de farmacêutico.
Aos 18, serviu o exército e – nos anos que se seguiram – dedicou-se à atividade musical, tendo participado pela primeira vez de um disco em 1960, no álbum de sua futura esposa, que se tornou sua produtora na época, Lurdinha Pereira.
Em 1974, lançou seu primeiro disco solo: O Cantadô. Desde então, foram quase 20 discos de carreira – o último lançado em 2016 – e diversas participações, além de ter suas composições gravadas por nomes como:
- Maria Bethânia (Eu, a Viola e Deus);
- Renato Teixeira (Vide Vida Marvada);
- Pena Branca e Xavantinho (Amor de Violeiro);
- e outros nomes da música caipira.
Boldrin criou o Som Brasil
Além disso, Boldrin criou o Som Brasil, um dos programas musicais mais importantes do país, que começou no rádio e, em 1981, passou a ser apresentado na TV Globo. No programa, o apresentador recebia atrações musicais com forte apelo à cultura popular brasileira, contava “causos”, dançava e exibia peças teatrais e pequenos documentários.
Veja também:
Boldrin deixou o programa em 1984, mas levou a ideia a outros programas apresentados por ele, sendo um dos maiores divulgadores da música regional brasileira.
Na televisão, ainda apresentou os programas Empório Brasileiro, na TV Bandeirantes, e Empório Brasil, no SBT. Fez também carreira na teledramaturgia e dizia que era fundamentalmente um ator:
“Esse tem sido meu trabalho a vida inteira; radioator, ator de novela, de teatro, de cinema, um ator que canta, declama poesias e conta histórias”.
Rolando Boldrin atuou em mais de 30 novelas
Como ator, Rolando Boldrin atuou em mais de 30 novelas, das TVs Record, Tupi e Bandeirantes, como:
- A Muralha (1954);
- O Direito de Nascer (1964);
- As Pupilas do Senhor Reitor (1970);
- Os Deuses Estão Mortos (1971);
- Mulheres de Areia (1973);
- Os Inocentes (1974);
- A Viagem (1975);
- O Profeta (1977);
- Roda de Fogo (1978);
- Cara a Cara (1979);
- e Os Imigrantes (1981).
Fez também cinema, atuando nos filmes:
- Os Miseráveis (1958);
- Doramundo (1978);
- Ele, o Boto (1987);
- O Tronco (1999);
- e O Filme da Minha Vida (2017).
Vai deixar saudade, Rolando Boldrin!


