30 anos sem Carlos Imperial: 8 sucessos de sua autoria

Novabrasil
09:30 04.11.2022
Jornalismo

30 anos sem Carlos Imperial: 8 sucessos de sua autoria

Há exatos 30 anos, no dia 04 de novembro de 1992, a música popular brasileira perdia – aos 56 anos, vítima de uma miastenia grave – uma figura importantíssima (e bastante polêmica) da sua história: o produtor musical, apresentador e compositor Carlos Imperial.  Envolvido no lançamento das carreiras de nomes como Roberto Carlos, Elis Regina, … Continued

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- 04.11.2022 - 09:30
30 anos sem Carlos Imperial: 8 sucessos de sua autoria
Carlos Imperial no filme Banana Mecânica (1974) Foto: Reprodução.

Há exatos 30 anos, no dia 04 de novembro de 1992, a música popular brasileira perdia – aos 56 anos, vítima de uma miastenia grave – uma figura importantíssima (e bastante polêmica) da sua história: o produtor musical, apresentador e compositor Carlos Imperial

Envolvido no lançamento das carreiras de nomes como Roberto Carlos, Elis Regina, Tim Maia, Wilson Simonal, Clara Nunes e inúmeros outros artistas, Carlos Imperial foi essencial para a cena cultural brasileira dos anos 1960 a 1990, tendo sido presença constante na música, no cinema, no teatro, na TV, nos jornais e revistas, e até na política.

Entre suas atividades, destacaram-se a produção de filmes e peças de teatro, a participação e apresentação de programas de televisão e a autoria de músicas de muito sucesso da nossa MPB.

Carlos Imperial no filme Banana Mecânica (1974) | Foto: Reprodução.

O polêmico Rei da Pilantragem

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, mesmo lugar que o Rei Roberto Carlos, também ganhou a alcunha de rei (que ele mesmo se dava), mas um rei diferente: o Rei da Pilantragem!

Com menos de 10 anos de idade, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro e cresceu como o boa praça, simpático e gozador da turma. Amante da música popular e colecionador de discos importados, Imperial admirava os métodos de Tom Parker, empresário de Elvis Presley, e descobriu no mundo artístico uma boa maneira de chamar a atenção, especialmente das mulheres. 

Clube do Rock

Aproveitou o nascente movimento do rock brasileiro para criar o Clube do Rock, espaço de música e dança em Copacabana que se tornou ponto de convergência de um grupo de artistas que se apresentavam em clubes, rádio e televisão, entre eles Roberto Carlos, Tim Maia e Erasmo Carlos.

Produziu os dois primeiros discos de 78 rotações de Roberto, em 1959, e investiu na carreira do pupilo, depois que ele saiu do The Sputniks, conjunto que tinha com Tim Maia, saída essa que gerou um grande desentendimento entre os dois artistas, que só foi resolvido anos depois (aliás, estar envolvido em brigas e conflitos era algo constante na vida de Imperial, famoso por não medir esforços e consequências para lançar seus artistas). 

O primeiro disco do Rei – Louco por Você, de 1961 – contou com produção e diversas composições de Imperial. Ele também ajudou a revelar Elis Regina, produzindo seu álbum de estreia, Viva a Brotolândia

8 sucessos da autoria de Carlos Imperial

Em meados dos anos 60, aderiu à Jovem Guarda, compondo grandes sucessos da turma, entre eles, as canções:

1 – O Bom

Lançada em compacto, por Eduardo Araújo, em 1966, e que – no ano seguinte – entrou para o seu álbum de mesmo nome; 

2 – Vem Quente Que Eu Estou Fervendo

Uma parceria de Imperial com Eduardo Araújo, que entrou para esse mesmo disco O Bom, e também estourou na voz de Erasmo Carlos, quando foi gravada no disco O Tremendão, de 1967. Anos depois, a canção foi regravada pela banda Barão Vermelho; e

3 – A Praça

Estourou na voz de Ronnie Von, em 1967, e foi tema dos humorísticos Praça da Alegria e A Praça É Nossa por vários anos.

No fim dos anos 60, Imperial criou – junto com Nonato Buzar e Wilson Simonal (outro grande nome da nossa música que também ajudou a lançar lá no início da década de 60) – o movimento musical que levou o nome de Pilantragem.

A ideia era misturar bossa nova, samba, a nascente música soul americana, o jazz, a música de protesto e o rock que se já fazia por aqui na época, sem perder a qualidade, mas fazendo um som que era diferente de tudo isso, que eles definiam como “mais comunicativo” – isto é – que se comunicasse melhor com as massas, que fosse mais popular.

A elaboração de arranjos (feitos principalmente pelo pianista César Camargo Mariano, arranjador e parceiro de Simonal na época) e repertórios buscava a união do bom gosto com a comunicação imediata.

Foi nessa linha, que Simonal gravou as seguintes composiçòes de Imperial:

Veja também:

4 – Mamãe Passou Açúcar em Mim

Que transformou-se em um estrondoso sucesso na voz de Simonal, quando gravada no seu disco Vou Deixar Cair, de 1966;

5 – Carango

De Imperial em parceria com Buzar, que entrou para esse mesmo disco de Simonal, mas que também obteve bastante êxito na gravação de Erasmo Carlos, no mesmo ano, no  álbum Você Me Acende; e

6 – Nem Vem Que Não Tem

Entrou para o álbum Alegria, Alegria, de 1967 – o primeiro de uma série de quatro discos que Simonal lançou com esse nome, vindo de um bordão que ele utilizava nos shows e que Caetano Veloso usou para nomear sua música de imenso sucesso, que apresentou no Festival de Música Popular Brasileira do mesmo ano.

Em pouco tempo, Imperial tornou-se um compositor disputado, tendo também vários temas inscritos em festivais de música. Ele foi o último parceiro de Ataulfo Alves em vida: a dupla compôs, entre outras, o clássico:

7 – Você Passa e eu Acho Graça

Primeiro sucesso radiofônico de Clara Nunes, lançado em disco que levou o nome da canção e com a qual a cantora participou do I Festival Nacional de Música Popular Brasileira – O Brasil Canta o Rio, promovido pela TV Excelsior.

Em 1970, o sucesso do soul brasileiro, liderado por Tim Maia, levou Imperial a explorar o filão, lançando no gênero (que denominou “som livre”) artistas como Tony Tornado e Guilherme Lamounier. Nesta época, ele compôs uma das canções de grande sucesso na voz do Síndico, em parceria com Tim Maia:

 8 – Cristina

Grande hit lançado no famoso álbum Tim Maia, de 1970.

Como produtor, ator e diretor, ele se tornou presença constante no cinema brasileiro nas décadas de 1970 e 1980, muitas vezes explorando sua persona de “devasso”.

A experiência resultou em uma série de pornochanchadas de boa bilheteria, mas o resultado geral foi irregular. Depois de um período dedicado ao cinema, em meados da década de 1980 Imperial voltou à produção teatral, à qual já se dedicava desde 1970.

No fim de sua vida, atuou na política, e em outras áreas como o futebol e o mercado imobiliário.

Sua vida polêmica e desregrada é contada no livro Dez! Nota Dez!: Eu Sou Carlos Imperial, de Denilson Monteiro, lançado em 2015; e no documentário Eu sou Carlos Imperial, de Renato Terra e Ricardo Calil, em 2016.

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