Discos Antológicos: Fa-Tal – Gal a todo vapor (1971)

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12:00 09.11.2022
Jornalismo

Discos Antológicos: Fa-Tal – Gal a todo vapor (1971)

Em homenagem a Gal Costa, vamos relembrar um de seus discos históricos. Vários álbuns emblemáticos da música popular brasileira completam 50 anos de seu lançamento em 2021. E, claro, que a Novabrasil não pode deixar de celebrá-los. Hoje, vamos falar de “Fa-Tal – Gal a todo vapor”, álbum mais importante da carreira primorosa de Gal … Continued

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- 09.11.2022 - 12:00
Discos Antológicos: Fa-Tal – Gal a todo vapor (1971)
Discos Antológicos: Fa-Tal – Gal a todo vapor (1971)

Em homenagem a Gal Costa, vamos relembrar um de seus discos históricos. Vários álbuns emblemáticos da música popular brasileira completam 50 anos de seu lançamento em 2021. E, claro, que a Novabrasil não pode deixar de celebrá-los. Hoje, vamos falar de “Fa-Tal – Gal a todo vapor”, álbum mais importante da carreira primorosa de Gal Costa e obra-prima da discografia brasileira.

Capa do disco Fa-tal, Gal a todo vapor de 1971 | Foto: Arte Luciano Figueiredo/Oscar Ramos

Fa-tal, Gal a todo vapor: Sobre o disco

Lançado pela gravadora Philips no fim de 1971, o disco é um registro ao vivo e sem filtros do show Fatal, apresentado por Gal no mesmo ano – no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro – e dirigido por Waly Salomão 

A gravação virou um LP duplo – com direção de produção e estúdio de Roberto Menescal – que levou o nome do show e ganhou o subtítulo “Gal a todo vapor”. O álbum, que consolidou Gal como musa e uma das principais vozes da contracultura brasileira, é – ainda hoje – impressionantemente atual.  

Ainda sobre a pressão dos anos de ditadura militar e três anos depois do silenciamento forçado provocado pelo decreto do Ato Institucional nº 5, o álbum teve intensa repercussão e dimensão sócio-política e parecia ser um respiro, uma luz no fim do túnel, um momento de fuga e sonho, de poder dizer não às convenções de uma sociedade e de um país calado pela repressão. 

Gal, musa da “geração do desbunde”

Gal tornou-se porta voz dos anseios tropicalistas depois que Caetano e Gil partiram para o exílio forçado em Londres, em 1969. Traduzia os anseios de uma geração calada e perdida em suas próprias dúvidas, em um álbum feito de canções que afloram estes sentimentos à flor da pele. 

Grandes nomes da MPB assinam as faixas, com interpretação visceral somada à voz celestial de Gal Costa, àquela época musa da “geração do desbunde”. 

O show era dividido em duas partes: a primeira mais intimista e acústica – com Gal ao violão – e a segunda já com a banda no palco, mais agressiva e rock’n roll, postura que Gal vinha buscando adotar em suas canções nos últimos anos. O LP inverte esta ordem, mas o CD – lançado anos depois – é fiel ao que é apresentado no show. 

‘Fa-Tal, Gal a todo vapor’

Agora, vamos falar um pouco sobre as faixas? Dê o play no álbum e vamos lá!

Fruta Gogoia

Nas faixas acústicas estavam os versos de Fruta Gogoia, tema do Folclore Baiano cantado à capella por Gal para abrir o show (a música volta a aparecer entre um ato e outro do espetáculo, quando é possível escutar um estrondo na plateia e Gal fala “Acontece”, levando o público ao delírio). 

Charles, Anjo 45

Logo em seguida, uma passagem do refrão de Charles, Anjo 45, de Jorge Ben Jor, em uma alusão / homenagem ao amigo, então exilado, Caetano Veloso: “Como vão as coisas, Charles?”. 

Como 2 e 2 e Coração Vagabundo

Em seguida, Como 2 e 2, música composta por Caetano Veloso, durante seu exílio na Europa, que diz que “tudo vai mal” ou tudo está certo “como dois e dois são cinco”, seguida de Coração Vagabundo, também de Caetano, cheia de influências de uma bossa nova João Gilbertiana – maior referência e ídolo da Gal – sobre um coração que “não se cansa de ter esperança”, mesmo em tempos difíceis. 

Falsa Baiana

Ainda na primeira parte do show, Gal empresta sua suavidade e suingue de verdadeira baianidade, ao samba Falsa Baiana, de Geraldo Pereira. 

Antonico e Sua Estupidez

Depois vem o samba-canção de Ismael Silva, Antonico, e a intimista e forte Sua Estupidez, de Roberto e Erasmo, que marcam com certa melancolia pulsante, a transição para a segunda metade do show. 

Vapor Barato

Aí, entra o grito de liberdade, resiliência e amor livre da icônica Vapor Barato, de Jards Macalé e Waly Salomão: “Sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer que estou indo embora”. O hino de uma geração, que muda todo o clima do show e introduz a parte em que Gal segue acompanhada do resto da banda.

Veja também:

Os músicos vão entrando em cena ao longo da canção: Lanny Gordin – que também faz a direção musical – na guitarra (em alguns shows Lanny era substituído por Pepeu Gomes); Novelli, no baixo; Baixinho, nas tumbadoras e Jorginho (irmão de Pepeu), na bateria. 

A introdução com Gal fazendo improvisos em que imita algo que se assemelha a um instrumento de sopro com sua voz é um dos pontos altos da canção. Aqui vemos uma Gal do rock, uma Gal do blues, uma Gal com muitas referências de Janis Joplin. 

Dê Um Rolê 

Depois vinha Dê Um Rolê, sucesso dos Novos Baianos Moraes Moreira e Luiz Galvão, que cantava sobre ser “amor da cabeça aos pés”, mesmo em tempos tão duros. Ser maior do que tudo o que estava acontecendo no Brasil naquele momento. 

Pérola Negra

Com a ousada Pérola Negra, Gal apresentou ao grande público um ícone da música brasileira, até então desconhecido e que, depois disso, nunca mais saiu de cena com seu talento e genialidade: Luiz Melodia. 

Mal Secreto e Assum Preto

Também de Jards Macalé e Waly Salomão, o protesto visceral de Mal Secreto, traduz mais uma vez uma juventude cansada de ser calada. E a voz de Gal é uma arma potente. Que não deixa de cantar a dor e a tristeza, como faz logo em seguida, de forma intimista e comovente, em Assum Preto, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. 

Hotel das Estrelas

Antes, ela volta a cantar Como 2 e 2 e canta também Hotel das Estrelas, de Macalé e Duda Machado, que descreve a juventude solitária e ameaçada, que vê amigos mortos pela ditadura e pela droga. 

Chuva, Suor e Cerveja

E Gal sente saudade dos amigos exilados. E canta isso mais uma vez na deliciosa marchinha-frevo Chuva, Suor e Cerveja e na canção Maria Bethânia, ambas de Caetano Veloso. 

Bota a Mão nas Cadeiras

Faz homenagem à Bethânia também com Bota a Mão nas Cadeiras, do Folclore Baiano, que a amiga fazia em seu show “Rosa dos Ventos”. 

Luz do Sol

Para arrematar um show tão emblemático, a mensagem política e roqueira de Luz do Sol – luz esta que se esperava ver brilhar novamente na história do Brasil – de Salomão e Carlos Pinto. 

20º melhor disco brasileiro de todos os tempos

Com 17 músicas e 19 faixas imortalizadas em quase 68 minutos de duração, o LP “Fa-tal, Gal a todo vapor” foi eleito pela revista Rolling Stone como o 20º melhor disco brasileiro de todos os tempos. Fatal, o nome dela é Gal!

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