A história por trás de seis nomes da música brasileira

Lívia Nolla
00:32 10.07.2026
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Curiosidades

A história por trás de seis nomes da música brasileira

De Zeca Pagodinho a Chitãozinho & Xororó, conheça a origem curiosa de alguns nomes artísticos de gigantes da MPB

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- 10.07.2026 - 00:32
A história por trás de seis nomes da música brasileira
Foto: Montagem Novabrasil.

Você, por acaso, conhece esses artistas da MPB? 

  • Agenor de Miranda Araújo Neto
  • Maria de Fátima Palha de Figueiredo
  • Jessé Gomes da Silva Filho
  • Ney de Souza Pereira
  • Jorge Duílio Lima Menezes.
  • José Lima Sobrinho e Durval de Lima

Um ou outro talvez, não é?

Mas se eu te perguntar se você conhece esses artistas aqui, eu tenho certeza que você conhece:

  • Cazuza
  • Fafá de Belém
  • Zeca Pagodinho
  • Ney Matogrosso 
  • Jorge Ben Jor
  • Chitãozinho e Xororó

Pois hoje vamos te contar a história curiosa por trás de seis nomes artísticos de grandes estrelas da MPB.

Alguns nasceram de apelidos dados ainda na infância, outros foram escolhas feitas para representar uma origem, uma personalidade ou uma característica do artista. Com o passar dos anos, esses nomes deixaram de ser apenas assinaturas artísticas e se transformaram em marcas registradas da nossa música.

Afinal, na música brasileira, muitas vezes o nome de um artista já conta um pouco da sua própria história.

1 – Cazuza: o apelido de infância que virou símbolo do rock brasileiro

Pouca gente sabe, mas Cazuzanasceu Agenor de Miranda Araújo Neto!

O nome artístico veio de seu apelido de infância. Na verdade, de um apelido dado antes mesmo do seu nascimento. Quando sua mãe, Lucinha Araújo engravidou, todos achavam que ela teria uma menina, já que só haviam mulheres na sua família materna. 

Sempre que falavam isso, o pai do Cazuza – o produtor musical João Araújo, fundador da gravadora Som Livre – respondia de prontidão: “Imagina, Lucinha terá um cazuza!”. É que a palavra Cazuza significa “moleque” em algumas regiões do Nordeste. 

Quando cresceu um pouco, o menino Cazuza tinha até dificuldade de atender seu nome na chamada da escola, por esquecer que se chamava Agenor (nome escolhido por insistência de sua avó paterna). Ele só começou a aceitar bem o próprio nome, quando descobriu que um dos seus artistas prediletos, Cartola, se chamava Angenor (era pra ser Agenor, mas ganhou um N a mais por confusão do cartório!).

2 – Fafá de Belém: do Pará para o Brasil inteiro

A cantora paraense Maria de Fátima Palha de Figueiredo ficou conhecida nacionalmente como Fafá de Belém.

O “Fafá” nasceu como um apelido familiar, enquanto “de Belém” foi incorporado como uma referência direta à sua origem, o Belém do Pará. O nome artístico ajudou a reforçar a ligação da cantora com sua terra natal e com a identidade amazônica que sempre esteve presente em sua carreira.

Desde que despontou na música brasileira, na década de 1970, Fafá levou para o país inteiro uma voz poderosa e uma sonoridade marcada pela mistura de influências da região Norte do país.

Seu nome se tornou uma espécie de assinatura: impossível pensar em Fafá sem lembrar também de Belém, do Pará e da força da cultura amazônica.

3 – Zeca Pagodinho: um nome que já carregava a alma do samba

Antes de ser conhecido como Zeca Pagodinho, um dos maiores sambistas da nossa história era Jessé Gomes da Silva Filho.

O “Zeca” veio de um apelido bastante comum, mas foi o “Pagodinho” que ajudou a construir a identidade artística que conquistaria o Brasil. O nome nasceu da relação do cantor com as rodas de samba e com o movimento do pagode que ganhava força no Rio de Janeiro.

O curioso é que o nome combina perfeitamente com a imagem que Zeca construiu ao longo da carreira: a do sambista ligado à tradição, às rodas de amigos, à alegria e à simplicidade.

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Hoje, falar em Zeca Pagodinho é falar de samba e o próprio nome já carrega essa conexão.

4 – Ney Matogrosso: quando o nome ajudou a criar uma persona artística

Nascido Ney de Souza Pereira, o cantor é uma das figuras mais únicas e cheias de personalidade da música brasileira.

O sobrenome artístico “Matogrosso” faz referência ao estado onde o artista nasceu, Mato Grosso do Sul, e ajudou a formar a identidade visual e artística que marcou sua trajetória.

Desde os tempos do grupo Secos & Molhados até sua carreira solo, Ney Matogrosso transformou seu nome em parte de sua expressão artística.

Mais do que uma identificação, Ney Matogrosso passou a representar liberdade, teatralidade, inovação e uma maneira completamente própria de ocupar o palco.

Sua presença e performance de palco brilhantes e marcantes, sua voz precisa – doce e ao mesmo tempo cortante – e sua versatilidade inigualável, fazem de Ney Matogrosso uma referência mundial no que diz respeito à música, estética artística e comportamento, deixando-nos hipnotizados por seu talento a cada vez que sobe em um palco, até nos dias atuais.

5 – Jorge Ben Jor: a mudança de nome que acompanhou uma nova fase da carreira

Em 1963, Jorge Duílio Lima Menezes subiu no palco e cantou suas músicas “Mas que Nada” – canção que já tinha gravado como vocalista do conjunto do organista Zé Maria – junto com “Por Causa de Você”, para uma pequena plateia, que incluía um executivo da gravadora Philips

Dois meses depois, era lançado o seu primeiro compacto – que conta com essas duas canções – e, no mesmo ano, Jorge lançou seu primeiro LP, “Samba Esquema Novo”, acompanhado pelo conjunto de samba jazz Meirelles e os Copa Cinco, que já foi um tremendo sucesso. 

Nessa época, ele usava o nome artístico Jorge Ben: o “Ben” vem do sobrenome etíope de sua mãe. Acontece que – depois que passou a fazer sucesso também internacionalmente – Jorge Ben passou a ter seu nome confundido com o do cantor e guitarrista norte-americano de jazz, George Benson.

Por esse motivo, ele adicionou um “Jor” no fim de seu nome artístico, tornando-se o nosso eterno Jorge Ben Jor.

6 – Chitãozinho & Xororó: os apelidos de infância que conquistaram o Brasil

Na música sertaneja, poucos nomes são tão conhecidos quanto Chitãozinho & Xororó. Mas, antes de se tornarem uma das maiores duplas da história do gênero, eles eram os irmãos José Lima Sobrinho e Durval de Lima.

Nascidos em uma família ligada à música caipira, no interior do Paraná, os irmãos começaram a cantar juntos  ainda crianças.

O nome da dupla surgiu a partir da música “Chitãozinho & Xororó” (composição de Serrinha e Athos Campos),que mencionava o inhambu-xintã e o inhambu-chororó, aves da mesma espécie que cantam juntas melancolicamente. A canção foi gravada pela dupla em seu primeiro álbum – “Moreninha Linda” – de 1969, quando estouraram para todo o país.

A dupla é considerada precursora do sertanejo nas rádios FM e na televisão, além de terem influenciado diversos artistas do gênero.

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colunista

Lívia Nolla

Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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