Alceu Valença 80 anos: 20 maiores sucessos da carreira do pernambucano

Lívia Nolla
00:00 01.07.2026
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Arte e cultura

Alceu Valença 80 anos: 20 maiores sucessos da carreira do pernambucano

No dia em que o artista completa oito décadas de vida, site da Novabrasil prepara lista só com os hits; confira

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- 01.07.2026 - 00:00
Alceu Valença 80 anos: 20 maiores sucessos da carreira do pernambucano
Alceu Valença. Foto: Rodrigo Mazuco / Divulgação.

Hoje é um dia especial para a música popular brasileira! Alceu Valença – um dos seus principais representantes – completa 80 anos.

Cantor, compositor, instrumentista, poeta e cineasta, o pernambucano nascido em São Bento do Una, em 1º de julho de 1946, é um dos maiores gênios da cultura brasileira.

Para homenageá-lo, preparamos uma lista com os seus 20 maiores sucessos, que acompanham a trajetória incrível de Alceu Valença. Aproveite!

Poeta nato do nosso Brasil

O cantora e compositor pernambucano Alceu Valença | Imagem: Reprodução

Com mais de cinquenta anos de carreira e mais de cinco milhões de discos vendidos, Alceu representa o nordeste como poucos, ao misturar as influências regionais do maracatu, do coco, das toadas, dos xotes e baiões, do repente de viola e da literatura de cordel e de outras manifestações nordestinas, às guitarras e baixos elétricos vindos do rock’n roll.

Isso porque ele cresceu em convívio direto com os elementos vivos que ajudaram a consolidar a cultura do Nordeste, assimilando a cultura e a música do agreste e do sertão a partir das raízes que a constituíram.

Ainda criança, mudou-se para Recife, onde conheceu a cultura da zona da mata, dos canaviais e do litoral. Conheceu os blocos de frevo, os grupos de maracatu e a ciranda. 

Na adolescência, Alceu assimilou a poesia urbana e contemporânea, o cinema – com filmes da Nouvelle Vague francesa e do Neo Realismo italiano – e adquiriu o gosto pela política e as questões sociais, sempre tão presentes em sua música.

Quando adquiriu o gosto pela música, ganhou um violão de presente de sua mãe, escondido do pai, que não aceitava muito bem que o filho fosse cantor.

Em 1965, entrou na Faculdade de Direito do Recife. Sem grandes pretensões, inscreveu-se em um concurso promovido por uma associação americana que oferecia um curso de três meses na Universidade de Harvard.

Mesmo sem saber uma palavra em inglês, fez uma redação em que mesclava versos poéticos e comparava o marxismo com a igreja católica, e foi aprovado em Fall River, Massachusetts.

Na universidade, teve aulas com grandes figuras conservadoras americanas, mas  sempre demonstrou seu lado social e se aproximou das lideranças da esquerda, chegando até a participar de uma das reuniões dos Panteras Negras, em Boston. 

Ainda como estudante nos Estados Unidos, Alceu Valença ia para as praças cantar seu repertório de xotes, emboladas e baiões, chamando a atenção da comunidade hippie local. 

Alceu Valença apresentando a canção “Papagaio do Futuro”, no Festival Internacional da Canção de 1972, ao lado de Geraldo Azevedo e Jackson do Pandeiro

O músico começou a fazer tanto sucesso, que um jornal local o entrevistou e chamou-o de “Bob Dylan brasileiro”, no título da matéria, comparando seu repertório regional brasileiro com uma derivação folk das músicas de protesto americanas.

De volta ao Recife, Alceu formou-se em Direito e começou a inscrever suas primeiras músicas nos Festivais da Canção. Em 1970, mudou-se para o Rio – incentivado por seu amigo, o também pernambucano Geraldo Azevedo – em busca de um lugar ao sol na cena musical brasileira. 

Dois anos depois, apresentou-se – ao lado de Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo – no VII Festival Internacional da Canção, com a embolada “Papagaio do Futuro”, que não chegou a se classificar, mas despertou a curiosidade do público. Essa é a música que abre a nossa lista de hoje!

1 – Papagaio do Futuro

No mesmo ano, Alceu Valença gravou seu disco de estreia – “Quadrafônico” – em parceria com Geraldo Azevedo – com composições dos dois artistas e arranjos e regência de Rogério Duprat.

Neste primeiro álbum, o artista já teve os seus primeiros problemas com a censura. Uma das canções da dupla dizia: “Joana, me dê um talismã / Você já pensou em mais eu viajar?”. O censor achou que os versos eram uma apologia à maconha (marijuana). 

Alceu Valença contestou o censor – até porque não era nem adepto ao uso da erva –  e apresentou uma alternativa: trocou “Joana” por “Diana”.

O disco de estreia de Alceu chamou a atenção do compositor Sérgio Ricardo, que convidou o pernambucano para ser o protagonista do filme da contracultura “A Noite do Espantalho”, o que lhe rendeu também um LP com a trilha sonora do filme, que foi escolhido como representante brasileiro no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1975, mas acabou não sendo indicado.

Em 1974, Alceu Valença lançou seu primeiro disco solo, “Molhado de Suor”, que conta com a clássica canção “Borboleta”, além de  “Papagaio do Futuro”.

2 – Molhado de Suor

3 – Borboleta

Mas foi no Festival Abertura, da TV Globo, em 1975, que Alceu ficou conhecido do grande público, quando apresentou a canção “Vou Danado Pra Catende”, que unia os ritmos do sertão brasileiro ao peso das guitarras do rock, com alguns versos do poeta pernambucano Ascenso Ferreira

4 – Vou Danado Pra Catende

No icônico álbum “Vivo!”, de 1976, gravado ao vivo em um show no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro (e com a participação de Zé Ramalho), Alceu inovou e fez história, ao apresentar experimentos que uniam o psicodélico ao nordestino. Destaque para a canção “Sol e Chuva”.

5 – Sol e Chuva

Em 77, Alceu Valença lançou o álbum “Espelho Cristalino” e acrescentou canções com letras repletas de vigor e metáforas, que combatiam os tempos da ditadura militar, além da canção” A Dança das Borboletas”, parceria com Zé Ramalho.

6 – Dança das Borboletas

Mas Alceu Valença só atingiu o sucesso para as grandes massas na década de 80. Depois de uma temporada em Paris, regada a músicas de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, e a um mergulho nos textos antropológicos de Gilberto Freyre, Alceu se recriou enquanto artista e formatou o estilo que o consagraria como um dos maiores nomes da nossa MPB.

O disco “Saudades de Pernambuco”, gravado em Paris, em 79, “representa a interface entre a fase anterior, mais contestadora e experimental, e a guinada que a carreira de Alceu assumiria, focada em um cancioneiro popular e sofisticado, com elementos da música pop ambientados na vasta seara da canção nordestina”, como diz seu antigo site oficial. 

Esse álbum só foi lançado no Brasil em 2008, como brinde do Jornal da Tarde e depois, oficialmente, em 2016.

Foi em uma noite de solidão na capital francesa, que Alceu compôs um dos seus maiores  sucessos: o baião “Coração Bobo”, inspirado em Jackson do Pandeiro. Pouco depois, de volta ao Brasil, o pernambucano convidou novamente Jackson a defender uma composição de sua autoria em um festival.

7 – Coração Bobo

Com o sucesso da canção, veio o convite para gravar um novo disco, “Coração Bobo”, que lançou Alceu Valença ao estrelato nacional. O disco traz ainda o sucesso: “Na Primeira Manhã”.

8 – Na Primeira Manhã

Já no LP “Cavalo de Pau” , de 1982, o mais vendido da carreira de Alceu Valença, estão os grandes sucessos da faixa-título, “Tropicana (Morena Tropicana)”, “Pelas Ruas Que Andei” (em parceria com Vicente Barreto), e “Como Dois Animais”.

Veja também:

9 – Cavalo de Pau

10 – Tropicana (Morena Tropicana)

11 – Pelas Ruas Que Andei 

12 – Como Dois Animais

Neste mesmo ano, Alceu participou do Festival de Montreux, e começou a aparecer com frequência em programas televisivos, atingindo milhões de cópias vendidas.

Em 1983, o artista lançou o álbum “Anjo Avesso”, grande sucesso de vendas, com aquela que viria a se tornar o maior sucesso de sua carreira: a canção “Anunciação”.

13  – Anunciação

Em 1984, o disco “Mágico”, gravado na Holanda, trouxe, entre as principais canções: “Dia Branco” e “Solidão”.

14 – Dia Branco

15 – Solidão

Em 1985, o pernambucano participou da primeira edição do Rock in Rio, com um show antológico em duas noites do festival.

No mesmo ano, lançou o álbum “Estação da Luz”. De 1986 a 1988, Alceu lançou os LPs “Rubi”, “Leque Moleque” – que conta com a clássica “Girassol” – e “Oropa, França e Bahia” (este último, ao vivo).

16 – Girassol

Em 1990, foi a vez do álbum “Andar, Andar”, mais pesado e urbano, que reflete um Brasil em dificuldades políticas e econômicas. Desta vez, a linguagem metafórica usada para tratar a política dos anos 70 é substituída pelo discurso contundente e pessimista da faixa-título, um blues andarilho, e pelo ativismo comunitário de FM Rebeldia.

No ano seguinte, Alceu lançou um de seus discos de maior sucesso: “Sete Desejos”, que traz clássicos como”Bicho Maluco Beleza” e o grande sucesso “La Belle de Jour”.

17  – Bicho Maluco Beleza

18 –  La Belle de Jour

A história de “La Belle de Jour” é curiosa: de volta a Paris, depois de já consagrado no Brasil, Alceu entregou um poema em branco à atriz Jacqueline Bisset, num encontro ao acaso em um café. Impressionado com a beleza da estrela, imaginou a musa na Praia de Boa Viagem, em Recife. Mas, na hora de escrever, confundiu as musas e batizou a canção com o título do filme estrelado por outra atriz de muito sucesso: Catherine Deneuve.

Em 1991, o artista se apresentou novamente no Rock In Rio (segunda edição) e seu show foi considerado o melhor do evento.

Em seguida, mudou-se para Olinda e a atmosfera da cidade histórica envolveu todo o álbum “Maracatus, Batuques e Ladeiras”, de 1994.

Em 1996, Alceu Valença juntou-se aos colegas de geração Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho para a celebração do show (no Canecão) e álbum ao vivo “O Grande Encontro”, um dos principais discos e momentos da nossa música popular brasileira. O show impulsionou, ampliou e rejuvenesceu o público de Alceu.

No álbum “Sol e Chuva”, de 1997, Alceu aproveitou a onda e recriou seus grandes sucessos e clássicos para o público jovem.

Em 1998, lançou o álbum “Forró de Todos os Tempos”, conversando com a geração do Forró Universitário e reunindo temas clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro  e novas canções autorais.

Em seguida, Alceu Valença lançou os álbuns “Forró Lunar” (2001), “De Janeiro a Janeiro” (2002) – que traz o clássico “Flor de Tangerina” – e “Na Embolada do Tempo”:  (2005). 

19 – Flor de Tangerina

Em 2003, foi a vez do CD e DVD “Ao Vivo em Todos os Sentidos”, gravado na Fundição Progresso, no Rio. Em 2006, lançou o carnavalesco “Marco Zero”, rodado ao ar livre em Recife, para mais de cem mil foliões, que esperam ansiosamente por Alceu todos os anos, no famoso carnaval pernambucano.

Em 2009, o artista lançou o disco “Ciranda Mourisca”, com o sucesso “Ciranda da Rosa Vermelha” e versões acústicas para músicas menos conhecidas.

20 – Ciranda da Rosa Vermelha

Em 2014, foi a vez de lançar o álbum Amigo da Arte, em que revisita os frevos, maracatus e cirandas dos carnavais de Pernambuco. O disco foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras.

É também de 2014 o álbum ao vivo “Valencianas”, uma homenagem – em concerto – da Orquestra Ouro Preto a Alceu Valença, com a presença do cantor como solista nos vocais.

Em 2015, Alceu lançou seu livro de poesias: “O Poeta da Madrugada”.

E, em 2016, o artista reuniu-se novamente com Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, para o show e disco ao vivo “O Grande Encontro – 20 anos”

No mesmo ano, Alceu lançou o disco “Vivo! Revivo! Ao Vivo”, 30 anos após o lançamento do seu consagrado álbum “Vivo!”.

Também em 2016, o artista aventurou-se no cinema e lançou o filme “A Luneta do Tempo” – temas de sua infância, como o circo, a poesia e o cangaço – e que recebeu dois Kikitos no Festival de Gramado: Trilha Sonora e Direção de Arte.

Alceu começou a rodar o filme em 2009 e, entre a concepção e a realização da obra, passaram-se 15 anos de trabalho. O filme também virou disco – inteiro de composições do artista – com a trilha sonora das ruas do Nordeste, dos cantadores anônimos, violeiros, emboladores, cegos arautos de feira, da música de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, do samba-canção dos anos 50, da música contemporânea brasileira – tudo o que mais influenciou Alceu Valença ao longo de sua vida e carreira.

Alceu Valença | Imagem: Reprodução (Instagram do artista)

Desde então, Alceu já lançou mais diversos álbuns: “Sem Pensar no Amanhã” (2021), “Saudade” (2021), “Senhora Estrada” (2021) e “Alceu Valença e Paulo Rafael” (2022, que celebra a amizade e a parceria musical de mais de 40 anos com seu fiel escudeiro, o guitarrista e produtor, que faleceu em 2021). Também em 2022 saiu o disco “Valencianas II: Ao Vivo em Portugal – Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto”.

O álbum mais recente do artista é de 2024: “Bicho Maluco Beleza – É Carnaval”. 

Agora em 2026, no ano em que o artista pernambucano completa oito décadas de vida, ele sai em turnê com o show “Alceu Valença 80 girassóis”, a celebração de um artista que, há 80 anos, “gira junto com o mundo sem nunca perder o eixo da sua própria luz”. Inspirada na canção “Girassol”, a nova turnê reverbera o lado solar de Alceu: “o brilho das cores, a força das imagens, o encantamento que nasce entre o céu e o chão do Brasil”.

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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