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Curiosidades sobre Renato Teixeira
Curiosidades sobre Renato Teixeira
Música escrita no papel de pão, filha vilã de novela e jingles publicitários: saiba essas e outras curiosidades sobre Renato Teixeira

Cantor, compositor e instrumentista, Renato Teixeira está celebrando 81 anos hoje.
Nascido em Santos, litoral paulista, o artista é um dos maiores nomes e defensores da chamada “música de raiz” ou “música caipira” no Brasil, e lançou quase 30 discos ao longo de seus quase 60 anos de carreira, tendo parcerias sólidas com outros grandes nomes da música brasileira como Almir Sater, Sérgio Reis, Fagner e Zé Geraldo.
No início dos anos 1960, trabalhou como radialista na Rádio Difusora de Taubaté, onde passou a se interessar pela música sertaneja. Em meados dos anos 1960 formou a “Banda Água” e abriu um estúdio de jingles publicitários.
Mudou-se para São Paulo em 1967, onde no Bar Patachou, na Rua Augusta, dividiu mesas e debates com artistas de sua geração, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa e Geraldo Vandré.
Entre os seus maiores sucessos estão as canções: “Romaria”; “Amanheceu, Peguei a Viola”; “Frete”; “Um Violeiro Toca” e “Tocando em Frente” (as duas últimas em parceria com Almir Sater).
Em comemoração ao dia de hoje, trouxemos algumas curiosidades para você conhecer mais sobre Renato Teixeira.
1 – Primeira a interpretar uma música sua foi Gal Costa
Em 1967, dois anos antes de Renato Teixeira lançar seu primeiro álbum – sua composição “Dadá Maria” foi defendida por ninguém mais, ninguém menos que Gal Costa (ao lado de Renato) no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, ficando entre as finalistas.
No ano seguinte, 1968, Roberto Carlos interpretou a composição “Madrasta”, de Renato Teixeira no mesmo festival.
2 – Já foi apresentador
Em 1990, Renato Teixeira apresentou o programa “Tom Brasileiro” na Rede Record, no qual, além de cantar, apresentava artistas que valorizavam a música nacional.
3- Ajudou a quebrar preconceitos com a música caipira
“Romaria” foi o primeiro grande sucesso nacional de Renato Teixeira. Lançada por Elis Regina no seu disco Elis, de 1977, a canção quebrou velhos tabus e preconceitos com o termo “caipira”, ao afirmar convictamente em seu refrão: “Sou caipira pira pora, Nossa Senhora de Aparecida”.
No ano seguinte do lançamento, o próprio Renato Teixeira gravou “Romaria” em um álbum que levou o mesmo nome da canção.
O artista conta que escreveu a letra dessa canção rapidamente, na mesinha da sala de sua casa, inspirado pela devoção dos romeiros e a força da fé do povo sertanejo, o que o encantou.
“Romeiros” são os participantes das “romarias”: peregrinações de caráter religioso a um santuário ou um local sagrado. A palavra “romeiro” também pode ser usada para se referir a alguém que viaja ou se desloca, em geral, como um peregrino ou andarilho.
4 – Compôs uma música especialmente para a série “Carga Pesada”
“É uma cilada, Bino!”
Renato Teixeira compôs a música “Frete” em 1979, especialmente para a série da TV Globo, “Carga Pesada”, exibida originalmente de maio de 1979 até janeiro de 1981, e que teve um revival de muito sucesso de abril de 2003 até setembro de 2007.
“Frete” era a canção de abertura da série, estrelada por Antônio Fagundes e Stênio Garcia, que interpretavam os caminheiros Pedro e Bino, respectivamente. Os dois rodam pelas estradas brasileiras transportando mercadorias e vivem aventuras juntos.
Na primeira versão da série, “Frete” foi interpretada pelo próprio Renato Teixeira, e na segunda versão foi interpretada por Chitãozinho & Xororóde 2003 a 2004 e novamente por Renato Teixeira de 2005 a 2007.
5 – Teve um estúdio de jingles publicitários
Em entrevista, Renato contou que, por ter atuado no ramo de publicidade, ele atendeu a área de óleos (Petrobrás) e de caminhões (Mercedes). Então, durante esse tempo, ele colheu em campo – ou seja, ao vivo e a cores – em postos de gasolina e com os caminhoneiros, informações sobre a vida, o dia-a-dia e os sentimentos dos caminhoneiros.
Quando lhe encomendaram a música para a série, ele já estava super imenso nesse ambiente e escreveu com facilidade e com muito respeito por essa profissão.
Veja também:
Renato teve um estúdio de jingles publicitários e criou, junto com Sérgio Mineiro e Sérgio Campanelli, o jingle “Balas de leite Kids”, entre outros.
6 – Compôs “Tocando em Frente” em um papel de pão
Quase um hino para os brasileiros, a canção “Tocando em Frente” é uma parceria de Renato Teixeira com seu constante parceiro de composição, Almir Sater.
O engraçado é que – cada um dos autores – tem uma recordação diferente do momento de composição dessa música, mas ambas têm algo em comum.
Almir conta que foi almoçar na casa do amigo, e – enquanto o almoço não ficava pronto – pegou o violão do filho de Renato Teixeira emprestado e começou a dedilhar uma melodia e logo saiu a música toda.
Ele diz que – diferente de outras canções que eles tinham em parceria, que demoravam anos para sair – essa saiu quase que instantaneamente, ali, enquanto o almoço era preparado, logo o Renato escreveu também a letra inteira.
Já Renato Teixeira conta que ele é quem foi tomar um café na casa de Almir e que – enquanto o amigo passava o café, foi lhe mostrar uma viola que tinha acabado de chegar, feita para ele por encomenda, e começou a dedilhar uma melodia.
Renato então pegou um papel de pão e um toquinho de lápis que estavam em cima da mesa, com a pontuação de um jogo de buraco que Almir Sater e a esposa, Paula, estavam jogando antes dele chegar para visitá-los, e começou a escrever uma letra para aquela música que Almir ia tocando.
7 – Achou que “Tocando em Frente” era um plágio, de tão rápido que ficou pronta
“Tocando em Frente” foi concebida de forma tão rápida e fluida – e ficou tão boa – que os compositores chegaram a pensar que aquilo podia ser um plágio inconsciente deles. Renato e Almir se perguntaram se já não existia uma música como aquela.
Renato Teixeira conta que eles chamaram a esposa de Almir Sater e mostraram a canção para ela, para ver se ela não achava que era plágio de algo que já tinha escutado antes, e que ela, no meio da música, já estava chorando, muito emocionada de ouvir aquilo pela primeira vez.
8 – Quase que Maria Bethânia não grava “Tocando em Frente”
Almir Sater conta que eles iam usar essa música para a trilha da novela “Pantanal” – a primeira versão, de 1990 – na voz de Renato Teixeira. Mas que – quando estavam para gravar – Maria Bethânialigou para ele e pediu uma música deles para o álbum que comemoraria os seus 25 anos de carreira, naquele ano.
Almir então falou que – como ele estava trabalhando muito, porque também atuou na novela “Pantanal”– não tinha nada pronto naquele momento, apenas uma música que seria gravada por Renato Teixeira, “Tocando em Frente”.
Bethânia, escutou a música e ficou encantada, então ligou para Renato Teixeira e perguntou se poderia ser ela a gravar. Cinco minutos depois, tocou o telefone de Almir Sater de novo, e era o parceiro Renato, dizendo: “Dá a música para a Bethânia, óbvio, não discuta. Ela é a Rainha!”.
A música foi um sucesso estrondoso na voz de Bethânia. Entrou para a trilha da novela “Pantanal” e para o disco da Abelha Rainha, ganhou os prêmios de Canção do Ano na Categoria Especial e de Melhor Canção na Categoria MPB do Prêmio Sharp, de 1991, e depois foi regravada – tanto pelos dois autores – como por vários outros grandes nomes da MPB.
9 – É pai da atriz Isabel Teixeira
Renato Teixeira é pai da atriz, dramaturga e diretora Isabel Teixeira, que, inclusive, interpretou – com muito sucesso – a personagem Maria Bruaca no remate da novela “Pantanal”, em 2022. Em 2026, Isabel será a grande vilã da novela das nove também na Rede Globo, “Quem Ama Cuida”.
10 – Venceu o Grammy Latino
Em 2018, o disco “+Ar”, de Renato Teixeira em parceria com Almir Sater, apresentou dez composições inéditas dos dois artistas e venceu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa.


