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Elza Soares nos deixa aos 91 anos
Elza Soares nos deixa aos 91 anos
O Brasil inteiro está de luto. Elza Soares – a Deusa, a Cantora do Milênio, a Mulher do Fim do Mundo – partiu nesta quinta-feira (20/01), de causas naturais, aos 91 anos, nos deixando órfãos do seu talento, da sua força e da sua magistralidade. Mas Elza é imortal. Elza é eterna. E o que … Continued
O Brasil inteiro está de luto.
Elza Soares – a Deusa, a Cantora do Milênio, a Mulher do Fim do Mundo – partiu nesta quinta-feira (20/01), de causas naturais, aos 91 anos, nos deixando órfãos do seu talento, da sua força e da sua magistralidade.
Mas Elza é imortal. Elza é eterna. E o que ela fez pelo nosso Brasil, pela nossa música, pela nossa cultura, pelas mulheres, pelas pessoas pretas, pelos moradores de comunidades, pelas pessoas LGBTQIA+, é gigante, eterno e imensurável.
Uma potência em forma de mulher e de artista. Uma potência em forma de mulher, preta, artista e brasileira.
As linhas que a cantora e compositora carioca escreveu na história da música popular brasileira ficarão para sempre conosco.
Sua voz única e potente, a interpretação poderosa que entregou a tudo o que cantou – fazendo questão de defender canções com mensagens certeiras, sempre trazendo à tona questões sociais, políticas e raciais de extrema importância, principalmente sobre racismo, desigualdade e equidade de gênero – transformaram a história de um país inteiro. E seu legado já se perpetua entre nós.
Elza nasceu em 1930, na comunidade Moça Bonita – hoje Vila Vintém – no bairro Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Filha de um operário e uma lavadeira, tinha nove irmãos e teve uma vida muito humilde.
Sua vida toda é sinônimo de resistência, resiliência e sobrevivência. Elza passou por vários traumas e tragédias – como a morte de quatro dos seus filhos e abusos físicos e sexuais, além de preconceitos de todos os tipos – e fez disso tudo combustível para a sua arte e para a sua música, levando sua mensagem para outras mulheres e pessoas negras. A cada queda, se levantou maior.
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O seu amor e aptidão pela música acompanham Elza desde criança. Confiante no seu talento e técnica para cantar – mesmo sem o apoio da família – em 1953, ela se inscreveu no concurso musical apresentado pelo compositor Ary Barroso.
Assim que ela soltou a voz, interpretando o samba-canção Lama, deixou todo mundo impressionado. Ela tirou nota máxima e o Ary Barroso anunciou que ali nascia uma estrela. Uma estrela que nunca vai deixar de brilhar e de nos fazer acreditar que é possível.
Ela gravou grande parte dos principais compositores brasileiros, de gêneros e épocas diferentes, colocando sua impressão digital em cada interpretação. Entre as principais canções de sucesso na sua voz a gente pode citar: Maria da Vila Matilde, Mulher do Fim do Mundo, A Carne, Lata D’Água na Cabeça, Espumas ao Vento, Beija-me, Se Acaso Você Chegasse, Dentro de Cada Um e Façamos (Let’s Do It).
Com todos os preconceitos, barreiras e traumas que enfrentou em sua vida, Elza costumava dizer que – se não fosse a música – não teria sobrevivido. Que bom que a música nos deu a oportunidade de te ver cantar até os seus 91 anos, Elza.
Você é imortal. E, com você, nós vamos cantar até depois do fim.


