Acervo MPB: Daniela Mercury

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09:20 16.01.2022
Música

Acervo MPB: Daniela Mercury

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui: – Daniela Mercury é uma das maiores e mais completas artistas do Brasil. – Cantora, compositora, bailarina e produtora musical, é conhecida como a Rainha do Axé Music, por seu pioneirismo no gênero e por torná-lo popular … Continued

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- 16.01.2022 - 09:20
Acervo MPB: Daniela Mercury
Acervo MPB: Daniela Mercury

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui:

– Daniela Mercury é uma das maiores e mais completas artistas do Brasil.

– Cantora, compositora, bailarina e produtora musical, é conhecida como a Rainha do Axé Music, por seu pioneirismo no gênero e por torná-lo popular em todo o Brasil, influenciando uma geração de cantoras que vieram depois.

– Como boa baiana, também têm influências da Tropicália, da bossa nova, do pop e do rock’n roll. Ela agradece e se sente honrada pelo título de Rainha do Axé e por ter sido precursora do estilo, embora prefira dizer que o que faz é música percussiva brasileira ou MPB percussiva, sem maiores rótulos. O que não se pode negar, é que ela é uma das grandes Rainhas do nosso Carnaval.

– Mas Daniela trabalha mesmo é com a mistura e fusão de vários ritmos e gêneros musicais, a inovação e a quebra de padrões – na música e na vida – sempre corajosa e revolucionária. Versátil, ela presa pela liberdade musical, unindo vários estilos, mas sempre exaltando a música baiana e as influências afro brasileiras

– Conhecida nacional e internacionalmente, a premiada artista vendeu mais de 20 milhões de discos no mundo todo. É uma das artistas brasileiras mais conhecidas e respeitadas fora do país.

– Em mais de 30 anos de carreira, Daniela lançou 19 discos e sete DVDs e fez mais de 20 turnês internacionais. Está na lista dos cem maiores artistas da música brasileira de todos os tempos, elaborada pela Revista Rolling Stone Brasil.

– Muito musical, a Daniela faz questão de participar de todos os arranjos de suas gravações, pesquisar timbres e valorizar o conceito de cada trabalho com suas referências de cultura brasileira e da influência afro que traz como raiz.

– Daniela diz que o samba-reggae – criado por Neguinho do Samba, o pai do Olodum –  é a influência que traz em todas as nuances de suas criações e que a percussão tem papel fundamental e é a base de toda a sua obra.

– No palco, sua energia, vitalidade e presença contagiam tanto quanto sua potente voz. Sempre trazendo muito corpo e alma para a sua dança e para o seu canto.

– Daniela nasceu em 1955, na cidade de Salvador, numa família de cinco irmãos, entre eles a também cantora e compositora Vânia Abreu.

Família de Daniela Mercury

– Estudou dança desde os oito anos de idade, formou-se em Dança pela Universidade Federal da Bahia,  foi professora de jazz, dança moderna e ballet clássico e também aprofundou suas pesquisas em dança afro e contemporânea.

– Decidiu unir a carreira de bailarina à carreira de cantora aos 13 anos de idade, quando ficou impressionada ao assistir a um show de Elis Regina. Começou a cantar profissionalmente aos 15 anos, em bares de sua cidade e não demorou muito para subir para cantar em um trio elétrico pela primeira vez, local de onde nunca mais saiu e no qual domina com maestria os foliões animados há tantos anos.

– Foi nesse mesmo ano, 1981, quando Toni Duarte, irmão do cantor e compositor Gerônimo – praticamente uma lenda viva da música baiana e compositor das canções Eu Sou Negão e Ladeira da Delícia – viu Daniela cantando num bar e falou que estava precisando de uma cantora para um trio elétrico.

– O primeiro pequeno – e pouco tecnológico (bem diferentes dos trios elétricos atuais) – trio que puxou, em 1982, contava somente com uma guitarra baiana (invenção da dupla Dodô e Osmar), uma guitarra elétrica, um baixo, uma bateria e – às vezes – um surdo. O repertório era formado basicamente por canções que já faziam sucesso nas vozes dos cantores de trio que vieram antes de Daniela – todos homens até então.

– O primeiro cantor de trio elétrico foi Moraes Moreira, 1975, quando antes as músicas de trio eram somente instrumentais. Foi então que Moraes – recém saído dos Novos Baianos – juntou-se ao trio de Dodô e Osmar para colocar voz nas canções, trazendo a influência do frevo. São dessa época grandes sucessos como Vassourinha, Pombo Correio e Festa do Interior, que fazem parte do repertório do primeiro trio puxado por Daniela, em 1982.

– Dois anos depois de Moraes, Baby do Brasil (na época Consuelo) também se arriscou como cantora de trio elétrico, ao sair dos Novos Baianos. Mas Daniela foi a primeira a realmente assumir o posto de cantora de axé em cima de um trio elétrico e, por isso, e por ter disseminado o gênero por todo o Brasil, ela é considerada a Rainha do Axé.

Veja também:

– Com o tempo, os artistas baianos foram construindo o gênero do axé, com uma mistura de influências do ijexá, samba-reggae, frevo, reggae, merengue, pop, samba de roda, ritmos afro-latinos e afro-brasileiros.

– Com 21 anos, Daniela já tinha dois filhos e costumava brincar que foram eles que a lançaram como cantora: “Eu era bailarina, professora de dança. Como tive eles muito cedo, precisei arrumar outra forma de ganhar dinheiro e complementar o leite (risos). Meus amigos diziam que eu cantava e eu acreditei. Aí comecei a carreira.”

– Em 1986, Daniela foi descoberta pelos empresário da Banda Eva, que a convidou para ser backing vocal do então bloco de carnaval, que já arrastava foliões na festa de Salvador desde 1981 e – nessa época – contava com os vocais de Luiz Caldas, Ricardo Chaves e Marcionílio, cantores que hoje são grandes referências do carnaval baiano.

– Daniela ficou na Banda Eva até 1988, quando passou a ser backing vocal de Gilberto Gil. Em 1989, foi a primeira branca a cantar com o tradicional bloco afro Ilê-Aiyê.

– Já em 1989 e 1990, foi vocalista da banda formada por ela mesma, a Companhia Clic, com quem gravou dois álbuns, com canções como Pega Que Oh!… e Ilha das Bananas, ambas de Rudnei Monteiro e Edmundo Cardôso. É dessa época também a primeira composição de Daniela a virar hit nas rádios baianas: Vida Ê, em parceria com Durval Lelys e que entrou para o seu primeiro disco solo.

– Em 1990, Daniela partiu para a carreira solo e, em 1991, lançou o seu primeiro álbum, pela gravadora independente Eldorado: Swing da Cor. A canção título, composição de Luciano Gomes e com participação do Olodum, tornou-se o maior sucesso das rádios baianas e, logo, de todo o nordeste. Em pouco tempo, a canção chegou ao topo das paradas brasileiras e Daniela tornou-se um verdadeiro fenômeno nacional.

– A dimensão do imenso sucesso que a cantora estava fazendo, logo com seu primeiro single em carreira solo, foi medida quando Daniela foi convidada para participar do programa Bem Brasil da TV Cultura, em São Paulo, que era transmitido ao vivo do campus da USP. As apresentações do programa costumavam atrair um público de mil pessoas, mas no dia do show de Daniela, 25 mil pessoas se aglomeraram na USP para ver o furacão baiano. Daniela teve que ser levada ao palco e retirada dele numa ambulância, para passar pela multidão.

– Outro sucesso do primeiro disco, que também contava com composições de Carlinhos Brown, Herbert Vianna e Gilberto Gil, é a canção Menino do Pelô, de Gerônimo e Saul Barbosa, também com a participação do Olodum.

– Em 1992, Daniela voltou para São Paulo e fez um show histórico no vão do MASP – Museu de Arte Moderna, que faz parar completamente a Avenida Paulista nos dois sentidos. Mais de 20 mil paulistanos foram dançar e cantar com Daniela, que estampou capas de jornal, ficando conhecida como “a baiana que parou São Paulo”. O movimento foi tanto, que o show teve que ser interrompido no meio, pois a estrutura do MASP estava sendo abalada e as obras de arte estavam em risco.

O histórico show de Daniela Mercury no vão do MASP

– A partir do segundo disco, Daniela, que já tinha produzido seu primeiro álbum, nunca se afiliou a nenhuma nenhuma gravadora e sempre produziu os seus próprios álbuns para depois negociar a distribuição com as gravadoras que estejam interessadas, tendo sua independência e liberdade mantidas, coisa pela qual ela sempre prezou.

– O segundo disco, de 1992, é O Canto da Cidade, um dos mais importantes da carreira da cantora e que ultrapassou três milhões de cópias vendidas no Brasil e no exterior, fazendo de Daniela a primeira artista a receber o disco de diamante por um milhão de cópias vendidas.

– Além do super hit da faixa título – composta por ela e Tote Gira e um hino em homenagem à cidade de Salvador e ao povo negro, que também é um dos maiores sucessos da carreira da cantora – também estão presentes no disco outros grandes sucessos como: Batuque (Rey Zulu e Genivaldo Evangelista), O Mais Belo dos Belos (Guiguio, Valter Farias e Adailton Poesia), O Charme da Liberdade (Adailton Poesia e Valter Farias) e Bandidos da América (Jorge Portugal). Além de Só Pra Te Mostrar (de Herbert Vianna e com a participação do artista) e uma regravação da junção de sucesso das canções Você não Entende Nada (Caetano Veloso) e Cotidiano (Chico Buarque).

– As canções do disco atingiram o primeiro lugar das paradas musicais brasileiras e o país ganhava uma nova estrela.

– Com o sucesso desse álbum, o posto de Rainha do Axé estava conquistado e Daniela ficava conhecida no Brasil inteiro. Junto com ela, Daniela lançou muitos e muitos nomes da música baiana a partir daí. E também apresentou ao resto do Brasil a força do carnaval baiano.

– Foi a partir deste álbum também, que Daniela passou a fazer sucesso internacionalmente, sendo muito ouvido na Argentina. O álbum ganhou um especial de Daniela na TV Globo, a partir de um show gravado na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, mesclado com videoclipes gravados com Caetano Veloso, Herbert Vianna e Tom Jobim. Anos depois, em 2008, o especial foi lançado em DVD para comemorar o 15º aniversário do lançamento do álbum.

Continue lendo a história da artista.

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