6 discos históricos que fazem 50 anos em 2022

Por: Novabrasil
14 de janeiro de 2022

1 – Acabou Chorare – Novos Baianos

Segundo disco da carreira dos Novos Baianos, que catapultou a banda para o sucesso, o antológico Acabou Chorare entrou para a história como o melhor álbum brasileiro de todos os tempos, segundo lista da Revista Rolling Stone Brasil.

O disco foi desenvolvido durante o tempo em que o grupo viveu em comunidade no famoso sítio de Jacarepaguá, chamado Cantinho da Vovó, e conta com as clássicas canções: Acabou Chorare, Preta Pretinha, Mistério do Planeta, A Menina Dança e Tinindo Trincando, todas de Moraes Moreira e Luiz Galvão; Swing de Campo Grande, de Moraes, Galvão e Paulinho Boca de Cantor; e Besta É Tu, de Moraes, Galvão e Pepeu Gomes. Além do sucesso Brasil Pandeiro, de Assis Valente e da instrumental Bilhete Para Didi, de Jorginho Gomes.

Com influências de João Gilberto e grande versatilidade de gêneros musicais, o disco influenciou também uma geração de artistas que vieram depois.


2 – Clube da Esquina – Clube da Esquina

Clube da Esquina é o nome de um dos maiores e mais importantes movimentos da música popular brasileira, formado por artistas mineiros como Milton Nascimento, os irmãos Lô e Márcio Borges, Beto Guedes, Fernando Brant, Wagner Tiso, Tavinho Moura, Toninho Horta, Flávio Venturini e outros.

A sonoridade inovadora do Clube da Esquina trazia a fundição das inovações propostas pela Bossa Nova com elementos do jazz, do rock (principalmente dos ingleses The Beatles), da música folclórica, da música regional mineira, erudita e hispânica. Essas influências permeiam todo o trabalho musical do Clube: desde a composição, aos arranjos, às letras, processos de gravação em estúdio e shows.

Em 1972, o grupo lança o disco homônimo (considerado, pela Revista Rolling Stone Brasil, como o 7º melhor disco brasileiro de todos os tempos) e, logo, torna-se referência de qualidade na MPB, pelo alto nível de sua performance, e por disseminar suas inovações e influência nacional e internacionalmente.

Entre os grandes clássicos do disco estão: Tudo Que Você Podia Ser e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (de Lô e Márcio Borges), Cais, Nada Será Como Antes e Cravo e Canela (de Milton e Ronaldo Bastos), O Trem Azul (de Lô Borges e Ronaldo Bastos), San Vicente (de Milton e Fernando Brant), Clube da Esquina nº 2 ( de Milton, Márcio e Lô) e Paisagem da Janela (de Lô Borges e Fernando Brant).

3 – Transa – Caetano Veloso

Em tempos duros de repressão – no auge da Ditadura Militar e diante da recente instauração do Ato Institucional nº 5 – com o cerceamento das liberdades democráticas, de expressão e das criações libertárias, o movimento Tropicalista sofre forte censura e perseguição. Caetano Veloso e Gilberto Gil – já grandes ídolos de uma geração e líderes do movimento – são presos em novembro de 1968 e, depois, são obrigados a se exilar em Londres, em 1969.

No fim de 1971, ainda em Londres, Caetano começa a gravar Transa: seu sexto álbum de estúdio e um dos discos mais importantes e bem avaliados de sua carreira, muito marcado pelo experimentalismo. Com capa em formato tridimensional, o álbum inclui sucessos como Triste Bahia – sua musicalização do trecho do soneto de Gregório de Mattos; Mora na Filosofia, de Monsueto Menezes e Arnaldo Passos; e algumas canções em inglês como as clássicas You Don´t Know Me, It’s A Long Way e Nine Out Of Ten. Essa última traz – pela primeira vez – influências do reggae para a música brasileira.

O lançamento de Transa – considerado o 10º maior disco brasileiro de todos os tempos pela mesma revista – marca o retorno definitivo de Caetano ao Brasil, no início de 1972.

4 – Expresso 2222 – Gilberto Gil

Durante o exílio em Londres, Gil bebe muito da fonte estrangeira, ao entrar em contato ainda maior com The Beatles, Jimi Hendrix e o mundo pop que despontava na época, além do reggae de Bob Marley e Jimmy Cliff e o jazz de Miles Davis. Tudo isso se reflete em sua obra.

Em 1972, quando volta ao Brasil, Gil lança Expresso 2222, com muitas canções compostas durante o exílio e álbum muito significativo de sua carreira, eleito o 26º melhor disco de música brasileira da história, pela Revista Rolling Stone.

Com canções como Cada Macaco no Seu Galho (Chô Chuá), de Riachão, Chiclete com Banana (de Jackson do Pandeiro), Back in Bahia (canção em que fala sobre a saudade que sentia de sua terra nos tempos de exílio) e a faixa-título.

O nome Expresso 2222 dá-se em homenagem a um trem que Gil pegava para sair de Ituaçu, (no interior da Bahia, onde morava na infância) em direção a Salvador e tornou-se o nome do agitado camarote de Gilberto Gil no Carnaval de Salvador, desde 1999, onde também desfila com seu próprio Trio Elétrico, que tem o mesmo nome.

5 – A Dança da Solidão – Paulinho da Viola

Quinto álbum de estúdio de Paulinho da Viola, A Dança da Solidão entra na lista citada como o 30º melhor disco da história da música brasileira. Também lançado em 1972, o álbum exibe primor em produção e musicalidade e navega pelos mais densos sentimentos do sambista e poeta.

Além da faixa-título – que anos depois ganhou uma belíssima versão na voz de Marisa Monte – o disco traz as clássicas: Guardei Minha Viola, Coração Imprudente (parceria com Capinan), Meu Mundo e Hoje (Eu Sou Assim, de José e Wilson Batista), e as releituras de Duas Horas da Manhã (de Nelson Cavaquinho e Ary Monteiro), Acontece (de seu mestre Cartola) e Falso Moralista (Nelson Sargento).

6 – Elis – Elis Regina 

O décimo álbum de estúdio de Elis Regina leva apenas o seu primeiro nome: Elis. Lançado em 1972, é o primeiro disco da cantora na companhia do pianista e arranjador César Camargo Mariano, que depois seria seu marido e pai de dois de seus filhos: Pedro Mariano e Maria Rita.

O disco traz grandes sucessos de sua carreira como: Águas de Março (de Tom Jobim), Bala com Bala (de Aldir Blanc e João Bosco), 20 Anos Blue (de Vitor Martins e Sueli Costa), Casa no Campo (de Tavito e Zé Rodrix), Nada Será Como Antes e Cais (de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) e Atrás da Porta (de Chico Buarque e Francis Hime).

Dirigido por Roberto Menescal, o álbum é considerado, também pela Rolling Stone Brasil, como o 98º melhor disco brasileiro de todos os tempos.

E aí, gostou? Alguns desses discos icônicos e antológicos, são assunto da nova miniwebsérie do Canal Papo de Música, confira mais aqui.

 

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