50 anos do clássico disco Roberto Carlos

Por: Novabrasil
24 de novembro de 2021

No próximo mês, o clássico álbum Roberto Carlos, de 1971, completa 50 anos!

O disco traz uma transição na carreira do Rei, na qual o artista – já consagrado pelo público como o maior ídolo do cancioneiro nacional – conquista definitivamente o reconhecimento da crítica como um dos maiores compositores da nossa música popular brasileira.

O disco, décimo primeiro álbum de estúdio do cantor, foi lançado em dezembro de 1971, quando Roberto completava 30 anos de idade (neste ano de 2021, Roberto completou 80 anos!) e, depois de consagrar-se como ídolo da Jovem Guarda nos anos 60, atinge sua maturidade artística, trazendo letras e arranjos belíssimos. Roberto passa a cantar de maneira romântica, nos apresentando grandes clássicos da música popular brasileira, principalmente em parceria com o amigo Erasmo Carlos.

Entre as canções em parceria com o Tremendão, está a importantíssima Detalhes, que abre o disco e é um dos maiores sucessos da história da MPB e da carreira de Roberto.

Outro grande clássico da dupla no disco, com grande influência da soul music, é o hit contagiante Todos Estão Surdos. Além delas, temos: I Love You, Amada Amante e a belíssima De Tanto Amor.

A super emocionante faixa Traumas, também de Roberto e Erasmo, traz um relato sensível sobre o acidente que fez com que Roberto Carlos perdesse parte de sua perna direita, em uma ferrovia, quando era criança, falando pela primeira vez sobre o assunto.

O disco também traz a gravação do grande sucesso Como Dois e Dois, canção composta por Caetano Veloso especialmente para Roberto, durante o seu período de exílio forçado em Londres. Caetano conta que achava muito simbólico colocar na voz daquele que muitos acusavam de alienado ou mesmo de simpatizante do regime uma canção de crítica política, embora velada.

Portanto, não é de pouca relevância em sua trajetória que Roberto Carlos tenha apresentado, no auge da ditadura militar, um disco com duas canções de valor político. A outra é exatamente Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos, escrita – desta vez – por Roberto e Erasmo para Caetano, quando o baiano estava no exílio, triste por ser obrigado a ficar longe de seu país.

Mas isso só foi revelado muitos anos depois, em 1992, quando já havia se passado sete anos do fim da ditadura militar. Antes disso, para driblar a censura, dizia-se que aquela era uma música de amor, escrita para uma mulher de cabelos encaracolados.

Para concluir, o disco traz as canções românticas A Namorada, de Maurício Duboc e Carlos Colla e Você Não Sabe o Que Vai Perder, de Renato Barros, do Renato e Seus Blue Caps. Também conta com Eu Só Tenho Um Caminho, de Getúlio Côrtes e com a bela Se Eu Partir, que traz uma interpretação forte de Roberto, somada a um incrível arranjo de cordas.

O disco é considerado o 28º maior disco da história da música popular brasileira, em 2012, pela Revista Rolling Stone Brasil.

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