Hoje é o dia das crianças!

Por: Novabrasil
12 de outubro de 2021

Em 12 de outubro é celebrado o Dia das Crianças no Brasil.

Na música popular brasileira, muitos artistas consagrados já fizeram como Gonzaguinha sugeriu e ficaram com “a pureza da resposta das crianças”, produzindo discos especialmente para o público infantil ou que conversam com o universo das crianças.

Esses projetos acabaram fazendo também imenso sucesso com os adultos, afinal, cada um de nós traz consigo a pureza da resposta da criança que existe dentro de nós: dos nossos corações e das nossas almas. Caso contrário, não sobreviveríamos a este mundo doido de gente grande.

Vamos lembrar de alguns desses discos e projetos?

• Chico Buarque – Os Saltimbancos (1977) e Os Saltimbancos Trapalhões (1981)
Em 1977, Chico compôs e adaptou a trilha sonora para a peça infantil Os Saltimbancos, de Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, inspirada no conto Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm – uma das mais expressivas obras de teatro musical dedicada ao público infantil até hoje.

As canções da peça narram, como uma alegoria política, as aventuras de quatro bichos que, sentindo-se explorados por seus donos, resolvem fugir para a cidade e tentar a sorte como músicos. No caso, a Galinha representaria a classe operária; o Jumento, os trabalhadores do campo; o Cachorro, os militares e a Gata, os artistas.

Entre as principais canções da peça – que virou disco, com a participação de Miúcha e Nara Leão – estão: Bicharia, História de Uma Gata, A Cidade Ideal e Todos Juntos. No coro infantil desse trabalho, estavam, entre outras crianças, Bebel Gilberto, (filha de João Gilberto e Miúcha), Isabel Diegues (filha de Nara Leão e Cacá Diegues) e Silvia Buarque (filha de Chico e Marieta Severo).

Já em 1981, Chico participou do roteiro e das adaptações das canções do filme infantil Os Saltimbancos Trapalhões, baseado na peça de 1977. Entre as canções do longa – que também virou disco, com a participação de Lucinha Lins, Bebel Gilberto e Elba Ramalho – estão também as clássicas Piruetas e Alô Liberdade.

• Toquinho e Vinicius de Moraes – Arca de Noé 1 (1980) e Arca de Noé 2 (1981)
Em 1980 (ano da morte do poeta) e 1981, são lançados dois discos com a obra infantil completa de Toquinho e Vinicius: Arca de Noé 1 e Arca de Noé 2. Os álbuns contam com a participação de vários artistas de peso como Tom Jobim, Moraes Moreira, Milton Nascimento, As Frenéticas, MPB4, Elis Regina, Alceu Valença, Grande Otelo, Ney Matogrosso e Chico Buarque.

Os discos traziam poemas do livro homônimo, de Vinicius, musicados por Toquinho. As canções têm os nomes dos bichos da arca e cada artista convidado interpreta um animal ou um elemento do livro. Entre as canções mais famosas estão: O Pato, A Casa, A Galinha D’Angola e O Filho Que Eu Quero Ter.

• Toquinho – Casa de Brinquedos (1983) e Canção de Todas as Crianças (1987)

A partir desses dois discos com Vinicius de Moraes, nota-se uma expressiva sensibilidade de Toquinho com relação ao mundo da criança. Hoje, adultos com mais de trinta anos cantam com seus filhos as canções que cantavam – ainda crianças – durante a década de 1980, quando surgiram mais dois trabalhos originais de Toquinho para o público infantil.

O primeiro deles é Casa de Brinquedos, de 1983, em que quase todas as músicas são em parceria com o baterista Mutinho, e que também traz grandes artistas convidados, interpretando as canções que contam histórias de elementos que fazem parte de uma casa de brinquedos. Entre elas: O Caderno, interpretada por Chico Buarque; A Bicicleta, interpretada por Simone; A Bailarina, por Lucinha Lins; e O Avião, pelo próprio Toquinho.

Em 1987, surge o mais importante entre todos os seus trabalhos musicais voltados para a infância. Como fonte de inspiração na Declaração Universal dos Direitos da Criança, com 10 princípios aprovados pela Assembleia Geral das Nações Unidas e tratando de verdadeiras receitas de humanismo, Toquinho lançou, em parceria com Elifas Andreato, o disco Canção de Todas as Crianças.

Cada direito universal virou uma canção, que traz assuntos seríssimos, com a visão das crianças, que – brincando – mostram a importância dos seus direitos. Algumas das canções do disco são: Bê-a-bá, É bom ser Criança, Errar é Humano, Herdeiros do Futuro e Natureza Distraída.

Esse disco representa, sem dúvida, o mais importante trabalho que já se fez no Brasil com relação à criança, tendo recebido da ONU uma carta como reconhecimento por essa contribuição à humanidade. Depois desses quatro trabalhos, Toquinho penetrou no âmbito escolar e social, tendo forte relevância até os dias atuais. Sua obra é utilizada nos mais amplos contextos da infância, em projetos educativos e sociais, muitos deles visando, tanto a alfabetização dos pequeninos quanto despertar, por meio da música, o interesse da criança pela arte e pela cultura brasileira.

Vale a pena lembrar que Toquinho e Vinicius de Moraes também são autores de um dos maiores clássicos da MPB entre as crianças: Aquarela, lançada em 1983.

• Adriana Calcanhotto – Adriana Partimpim (2004), Partimpim Dois (2009) e Partimpim Tlês (2012).
Com o heterônimo de Adriana Partimpim – apelido pelo qual o pai a chamava na infância – Adriana Calcanhotto lançou três discos idealizados para crianças: Adriana Partimpim (2004), Partimpim Dois (2009) e Partimpim Tlês (2012). O primeiro deles ganhou disco de ouro e venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Infantil.

Entre as canções dos álbuns estão: Fico Assim Sem Você (Abdullah e Cacá Moraes), Oito Anos (Paula Toller e Dunga), Ciranda da Bailarina (Chico Buarque e Edu Lobo), Gatinha Manhosa (Roberto e Erasmo Carlos) e Acalanto (Dorival Caymmi).

• Pato Fu – Música de Brinquedo (2010 e 2017)
Em 2010, a banda Pato Fu lançou um dos álbuns mais ousados e de maior sucesso de sua carreira: Música de Brinquedo, que ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Infantil. Todas as faixas do disco são releituras de grandes clássicos da música nacional e internacional, gravados com miniaturas de instrumentos e instrumentos de brinquedo como cornetas de plástico, xilofones, cavaquinhos, flauta doce, kazoo e glockenspiel.

A ideia foi dar uma sonoridade infantil e criar versões super originais de músicas já muito conhecidas do grande público como: Primavera (de Cassiano e Silvio Rochael), Sonífera Ilha (dos Titãs), Frevo Mulher (de Zé Ramalho), Ovelha Negra (de Rita Lee) e Todos Estão Surdos (de Roberto Carlos).

O resultado do álbum – que ganhou disco de ouro (primeira banda independente a conquistar tal feito) e foi sucesso de público e crítica – impressiona pela qualidade técnica, originalidade e fofura.

Em 2017, a banda lançou o disco Música de Brinquedo 2, na mesma pegada do primeiro, mas com a releitura de outros clássicos da MPB, como: Palco (Gilberto Gil), Kid Cavaquinho (João Bosco e Aldir Blanc), Severina Xique-Xique (Genival Lacerda e João Gonçalves) e Mamãe Natureza (Rita Lee).

• Arnaldo Antunes – Pequeno Cidadão (2009)
Em 2009, Arnaldo forma, ao lado de Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto – e junto também com os filhos de cada um dos artistas – o projeto para crianças Pequeno Cidadão, e lança um disco homônimo, que conta com canções como: Tchau Chupeta (Arnaldo e Taciana) e Leitinho, Larga a Lagartixa (Arnaldo e Betão Aguiar) e a faixa-título (Arnaldo e Antônio Pinto).

• Zeca Baleiro – Zoró (2014) e Zureta (2018)
Desde que tornou-se pai, em 1998, Zeca Baleiro passou a compor com frequência para os filhos, acumulando um repertório de mais de 60 canções.

Em 2014, aventurou-se no mundo infantil ao lançar o disco Zoró, Bichos Esquisitos – Vol.1 e, logo em seguida, o DVD de animação A Viagem da Família Zoró. O disco conta com 28 composições suas e com a participação de grandes nomes como MPB4, Tom Zé, Walter Franco e Fernanda Abreu.

Quatro anos depois, em 2018, Zeca lançou Zureta – Vol.2, com mais 18 composições suas, recheadas de “malucagens e molequices”. No mesmo ano, o artista apresentou o show Zoró Zureta – um sucesso entre as crianças – que voltou a apresentar neste ano de 2021, no formato de live.

Entre as canções dos discos, estão: Onça Pintada, O Ornitorrinco, Minhoca Dorminhoca, Matemática e Papai e Mamãe.

• Tom Zé – Sem Você Não A (2017)
Em 2017, Tom Zé musicou as letras do artista plástico Elifas Andreato, no disco Sem Você Não A, voltado para o público infantil. As letras seguem a ideia de uma fábula criada por Elifas: uma história que “não tem reis, rainhas, princesas, sapos, nem fadas”, e conta com as letras do alfabeto como protagonistas.

As letras entendem que são “guardiãs do passado, intérpretes do presente e construtoras do futuro” e que letra nenhuma escreve nada de fundamental sozinha. Ao longo das canções do disco, surgem outros personagens: o “Silêncio” lança um enigma à “Curiosidade” – qual é a maior palavra do mundo?

Entre as músicas: Palavras do Ar, A Maior Palavra do Mundo, Como É O Nome Dela? e Estrelas Sabem Voar.

Como tudo o que Tom Zé faz, é genial!

Existem playlists de todos esses projetos no Spotify, caso você queira conferir! Além disso, nós montamos uma outra playlist, com clássicos da música popular brasileira que falam sobre crianças e sobre esse momento importante da vida, que é a nossa infância:

O que é, O que é? – Gonzaguinha

Bola de Meia, Bola de Gude – Milton Nascimento e Fernando Brant

Jardins da Infância – João Bosco e Aldir Blanc

Aquarela – Toquinho

João e Maria – Chico Buarque

Criança – Marina Lima

Sou Uma Criança Não Entendo Nada – Erasmo Carlos

Quanto Vale Uma Criança – Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri

Choro de Criança – Gilberto Gil

Poema – Ney Matogrosso (Cazuza)

Velha Infância – Tribalistas (Marisa Monte, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Davi Moraes, Pedro Baby)

Acabou Chorare – Novos Baianos (Moraes Moreira e Galvão)

O Carimbador Maluco (Plunct Plact Zum) – Raul Seixas

Aos Olhos de Uma Criança (O Menino e o Mundo) – Emicida e Renan Samam

Forró das Crianças – Luiz Gonzaga e João Silva

Criança Não Trabalha – Palavra Cantada (Arnaldo Antunes e Paulo Tatit)

Semente do Amanhã (Nunca Pare de Sonhar) – Gonzaguinha

É Bom Ser Criança – Toquinho e Elifas Andreato

Sorriso de Criança – Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho

Lindo Balão Azul – Guilherme Arantes

Sítio do Picapau Amarelo – Gilberto Gil

 

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