20 anos de Bloco do Eu Sozinho, álbum histórico dos Los Hermanos

Por: Novabrasil
14 de setembro de 2021

Agora em 2021, o lançamento do histórico disco Bloco do Eu Sozinho, da banda Los Hermanos, completou 20 anos.

Lançado em julho de 2001, o álbum foi eleito como o 42º maior disco de todos os tempos, pela revista Rolling Stone Brasil, em uma lista publicada em 2007, que trazia – entre os 100 discos listados – apenas três álbuns lançados depois dos anos 2000, sendo dois deles dos Los Hermanos (o disco seguinte da banda, Ventura, de 2013, ocupa a posição 68).

Desde o início de sua carreira, a banda carioca chamava a atenção por seu som característico e cheio de personalidade, com arranjos nada convencionais que misturavam o hardcore com ritmos bem brasileiros, metais carnavalescos, pitadas de ska e letras que lembravam sambas de roda.

Foi assim que conquistaram sua primeira gravadora e tiveram a chance de gravar o seu primeiro disco, Los Hermanos, em 1999, que unia rock, ska e samba. Mas, por exigências comerciais, precisavam emplacar um grande hit radiofônico. Primavera seria a escolhida pela banda, só que a escolhida pela gravadora e pela produção musical foi a balada-pop-super-hit-colante Anna Júlia, composta por Marcelo Camelo, e que a banda nem pensava em colocar no disco.

Anna Júlia explodiu e catapultou os Los Hermanos para o sucesso midiático, somada na sequência por Primavera (também de Camelo). Mas a banda sentia a necessidade de mostrar que era muito mais do que um único sucesso pop e uma única música chiclete. Porque era. E muito.

Foi aí que surgiu o disco Bloco do Eu Sozinho. Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina (junto com o novo produtor, Chico Neves) tomaram as rédeas de seu novo trabalho e da sua estética musical, juntaram-se em um sítio e gravaram o que queriam, com os instrumentos que queriam, com os arranjos que desejavam e com uma sonoridade bem diferente do primeiro disco, mais madura e cheia de profundidade e autenticidade, com influências do rock, do samba, da bossa nova, de ritmos latinos e do carnaval.

Bateram de frente com a gravadora para manter o disco do jeito que queriam e não se renderem a fazer mais um sucesso apenas comercial, conquistaram um novo e fiel público, que segue os Los Hermanos até os dias de hoje, mesmo eles fazendo apenas raros shows ou turnês esporádicas de reencontro após anunciarem o primeiro hiato, em 2007.

O título do disco faz referência a um ser solitário e melancólico, no meio de um bloco de carnaval. Irônico que, 20 anos depois, estejamos mesmo vivendo todos – talvez pelo segundo ano seguido – um solitário carnaval forçado.

As canções do álbum falam sobre amores – que deram certo ou não (e o que é dar certo, não é mesmo?) – sobre saudade, paixão, sobre se perder e se encontrar, sobre ciúme e solidão. A faixa que abre o disco, preenchida de metais como sax, trombone e trompetes, é Todo Carnaval Tem Seu Fim, composta por Marcelo Camelo. Logo de início, a banda dá o seu recado, falando sobre ciclos que se encerram e anunciando que – a partir de agora – vão fazer o que amam: “Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz”.

Em seguida, vem A Flor (parceria entre Marcelo e Rodrigo Amarante) – uma pegada mais por rock, com uma mensagem sobre aprender a amar, mesmo na dor – e a balada ska com pitadas de samba Retrato Pra Iaiá (também da dupla), que fala sobre a vontade frustrada de encontrar um amor de verdade e se deixar levar por ele.

A melancólica Assim Será (de Camelo) traz a mistura perfeita entre o samba e o rock. Já a romântica Casa Pré-Fabricada é puro rock’n roll e ganha uma nova roupagem – mais suave – dois anos depois, ao ser gravada por Maria Rita, em seu disco Segundo.

Cadê Teu Suin? é uma crítica ao mainstream, ou às injustiças da indústria musical, com a qual a banda sempre bateu de frente. Na letra, genialmente escrita por Camelo, o final da última palavra de cada frase é completado pelo início da primeira palavra da próxima frase.

Sentimental, de Rodrigo Amarante, é bem pesada – tristíssima e belíssima ao mesmo tempo. Já a divertida e descompromissada – mas não menos trágica – Cher Antoin, é uma sátira aos grandes sucessos românticos franceses e cantada parte em francês pelo autor da música, Amarante.

Em seguida, vem outro ska acompanhado de um belo trava-línguas: Deixa Estar. A graciosa Mais Uma Canção é exatamente mais uma canção de amor: uma valsinha fofa e descompromissada, composta por Camelo e Amarante.

Fingi na Hora Rir (Camelo) é um rock’n roll de peso, que também fala de amor. O belíssimo e cheio de simbolismos samba Veja Bem Meu Bem, também de Camelo, foi regravado depois, tanto por por Maria Rita (2003), quanto por Ney Matogrosso (2008), ambos com maestria.

A música mais pesada do disco é o hardcore Tão Sozinho (Camelo), que antecede a canção que encerra o álbum: Adeus Você (Camelo). A despedida do disco é também a despedida de um amor.

O disco que abre dizendo que “Todo carnaval tem seu fim”, encerra dizendo: “Quero ver você maior, meu bem. Pra que minha vida siga adiante”. Ou seja: que todo fim é também um começo. E Bloco do Eu Sozinho foi um maravilhoso recomeço para os Los Hermanos, banda que até hoje não nos deixa aceitar que seu carnaval terá um fim um dia.

Se você quiser relembrar os grandes sucessos desse álbum, vem dar o play no Bloco do Eu Sozinho:

“É bom às vezes se perder
Sem ter porquê, sem ter razão
É um dom saber envaidecer
Por si, saber mudar de tom.”

NOVAS
 
PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

DESTAQUES | PODCASTS

PUBLICIDADE