O encontro de duas estrelas

2 de agosto de 2017Sem categoria

Hoje vamos falar sobre dois artistas que são muito próximos e possuem uma amizade que atravessa o tempo. Realizam muitos trabalhos juntos e despertam a nossa curiosidade: como será que se conheceram? Estamos falando de Caetano Veloso e Gilberto Gil!

Quando jovem, Caetano morava em Salvador e estava muito envolvido nas atividades culturais da universidade onde cursava filosofia. Compunha músicas, participava de peças de teatro junto com sua irmã Maria Bethânia e juntos se apresentavam na noite, em bares da cidade. Dessa forma conheceu o produtor e agitador cultural Roberto Santana, que o convocava a participar de produções de trilhas sonoras e composições.

Gilberto Gil, na época conhecido como “Beto”, também morava em Salvador e chamava a atenção no programa “J&J Comandam o espetáculo” da TV Itapoan. Estudava administração na UFBA, tocava acordeão, gostava de música e criava jingles publicitários para o Estúdio JS.

Roberto Santana tinha um bom faro para novos talentos e logo convidou Gil, que era bom de violão, para integrar seu grupo. Daí nasceu uma grande amizade entre os dois. Um dia, em 1963, caminhavam juntos pela Rua Chile, em Salvador, quando avistaram Caetano, caminhando no sentido oposto. Nesse encontro nada planejado, finalmente se conheceram. A música foi o que os uniu (inclusive o gosto mútuo pela obra de João Gilberto). A admiração foi instantânea, como se fossem almas gêmeas. Com o passar do tempo, Gil começou a frequentar a casa da família Velloso e Caetano aprendia muito vendo o novo amigo tocar violão por horas a fio.

Ao longo do tempo estavam juntos nos grandes festivais transmitidos pela TV Record e TV Excelsior, na criação do movimento tropicalista, que visava a transformação da cultura brasileira. Saíram juntos do Brasil com destino à Londres no período de exílio. O disco “Barra 69” (gravado em 1969 no Teatro Castro Alves, mas lançado apenas em 1972) foi o primeiro gravado ao vivo que juntou os dois. O repertório que desenvolveram em parceria sintetiza boa parte da linha evolutiva da música popular brasileira.

Entre os diversos trabalhos que fizeram juntos, podemos destacar o projeto “Doces Bárbaros”, com a participação de Gal Costa e Maria Bethânia e a turnê “Caetano & Gil: Dois amigos, um século de música”, que rodou algumas cidades brasileiras além de alguns países da Europa, América do Norte e América do Sul . O ponto alto foi a apresentação realizada no dia em que a cidade de Salvador completou 467 anos de fundação. Coincidentemente os dois artistas completavam 50 anos de carreira e também de amizade.

O álbum “Dois Amigos, Um Século de Música: Multishow ao Vivo” aparece como a única produção brasileira indicada ao Grammy 2017. Segundo o próprio Caetano, em entrevista: “nossas canções têm hoje um certo valor histórico. Mas eu não seria nada sem Gil”. Uma relação afetiva que rendeu não só discos e apresentações memoráveis, mas também transformou a música brasileira.