Biquini Cavadão no Programa Radar

7 de fevereiro de 2017Notas Musicais

“É quase como se a gente tivesse começando um novo ciclo”, ressalta Bruno Gouveia sobre novo álbum.

 

Não é tarefa fácil se manter durante 32 anos com músicas de sucesso e ainda ser lembrado por uma legião de fãs. Quatro anos depois do lançamento últimos álbum de inéditas do Biquíni Cavadão, “Roda-gigante”, a banda chega com tudo com o 16º álbum de estúdio recém-saído do forno: “As voltas que o mundo dá”.

 

O disco chega ao mercado fonográfico brasileiro no fim de fevereiro, mas para os mais apressados, ele já pode ser adquirido nas plataformas digitais. O álbum foi produzido por Liminha e gravado no estúdio Nas Nuvens, na cidade do Rio de Janeiro.

 

O repertório é formado por 12 músicas inéditas compostas pelos integrantes da banda: Bruno Gouveia (voz), Carlos Coelho (guitarra), Álvaro Birita (bateria), e Miguel Flores da Cunha (teclado). Ele também traz as participações de internacionais de Beth Hart, Simon Spire e Eric Silver. Além de Dudy Cardoso, Izabella Brant (da banda Menina do Céu), Rodrigo Coura (da banda Radiocafé), e Theo Lustosa (da banda Menina do Céu).

 

Em conversa com o ‘Notas Musicais’, Bruno Gouveia e Carlos Coelho falaram dos desafios de se reinventar nos dias atuais, trabalhar com Liminha, um dos melhores produtores do Brasil entre outras coisas. Confira a entrevista na íntegra:

 

 

Depois de celebrar os 30 anos de carreira com um CD e DVD, com definir o disco “As Voltas Que O Mundo Dá”? Como se reinventar depois de três décadas?
Bruno Gouvea – Essa era a pergunta que estava na nossa cabeça depois que a gente começou a desenhar o novo disco. Depois de trinta anos, o próximo passo tem que ser importante para a gente. É quase como se a gente tivesse começando um novo ciclo. Aí vem essa coisa das “voltas que o mundo dá”! A gente pensou poxa “Quantas voltas que o mundo dá?”, como vinha o Biquini, e como vem hoje?

Ao mesmo tempo grandes composições estavam aparecendo, ao todo foram 30. E, daí fomos juntando essas composições e filtramos elas, até chegarmos ao total de 12 e foi o que a gente acabou gravando.

Havia uma outra coisa comum entre a gente que era concretizar nossos sonhos. Um deles, era que a gente nunca tinha gravado com o Liminha, um dos maiores produtores do Brasil e responsável por grandes discos do rock nacional. Nós entramos em contato com ele e houve uma sinergia muito grande. Então, com isso, houve uma novidade dentro do Biquini. Ele não só produziu como também tocou contrabaixo e outros instrumentos.

 

Ele foi produzido pelo Liminha. Como foi trabalhar com ele? Ele é conhecido por muita gente e significa muito para a música brasileira…
Carlos Coelho – Ele tocou contrabaixo no disco. Ele é um exímio baixista e um ótimo músico. Só se a gente não tivesse um baixista na banda que a gente gravaria um disco apenas produzido por ele e sem tocar baixo. Ele é um produtor que entende muito da parte técnica, entende muito bem e sabe administrar bem a banda.

Veja bem… Não é apenas um cara que você tem que conversar, é com uma banda inteira. Tem que fazer o meio de campo para que todo mundo saia satisfeito com o disco. Então, foi uma experiência ótima.

Demoramos uns três meses para fazer o disco. Estamos muito orgulhosos e satisfeitos com o resultado. Estamos tendo uma boa aceitação com pouco tempo que o disco está aí. A resposta está muito boa e com isso, a gente já lançou a nossa música de trabalho (“Soltos pelo ar”) e um lyricvideo que é um vídeo que disponibilizamos na internet com a gente tocando acompanhado da letra da música.

Nós já fizemos das doze músicas e estaremos lançando ao longo de três meses para as pessoas irem assimilando. O lançamento do disco será em um mês, mas o disco digital já está em todas as plataformas. Estamos muito orgulhosos e confiantes.

 

Para este disco vocês estão com parcerias internacionais. Como surgiram esses nomes que trabalharam? (Eric Silver, Simon Spire e Beth Hart)
Bruno – O Eric Silver e o Simon Spire são parceiros antigos do Biquíni. Das quatro músicas inéditas que fizemos, entraram duas para o CD e DVD “Me leve sem destino”. O Eric fez uma música conosco chamada “Livre” e o Simon tinha uma música chamada “We’ll roll on”, e fez a adaptação para o português e virou “Vou deixar tudo pra trás”. Com eles, essas eram apenas umas das músicas que a gente tinha testado e veio mais uma oportunidade de fazer música com eles. Fizemos também “Um minuto” com o Eric Silver.

O Coelho me mostrou um riff que ele e o Coelho tinham trabalhado juntos e chamado “Para sempre seu maior amor” e a Beth (Hart) já é uma coisa mais antiga. A gente fez umas três músicas com ela e elas ficaram engavetadas durante um tempo.

O Liminha que teve a ideia de produzir a música. Nós gravamos a música em português e inglês que sairá na versão deluxe, com as demos e tudo mais.

 

Vocês já estão na ativa há mais de trinta anos. Como lidar com as diferentes formas de se fazer música? Hoje em dia as pessoas conseguem gravar e fazer a divulgação sozinha por meio de redes sociais.. Aliás, vocês foram a primeira banda ater um site oficial….
Carlos – Fomos a primeira banda a ter um site, e-mail…

Bruno – A gente foi pioneiro nessa coisa de internet e continuamos sempre pesquisando muita coisa pra justamente estar antenado com o que está saindo. Por um lado, nós ganhamos uma certa independência com isso. Hoje em dia, nós participamos de todo o processo. Mas é muito trabalhoso, o que faz a gente também trabalhar com muitos parceiros. Seja através de alianças, ou contratando escritórios que ajudem a gente nessa parte de divulgação.

O importante disso é que temos um controle de tudo isso. Antigamente nós deixávamos tudo na gravadora e ficava perguntando como estavam as coisas.

Hoje não. A gente arregaça as mangas e vai junto com a gravadora. Está todo mundo junto nesse barco para fazer com que a gente consiga alcançar esse sucesso.

Por outro lado, a concorrência é muito grande. Como se isso não bastasse, ainda se tem no país um modismo que vigora há muitos anos que são muitas duplas fazendo sucesso e se torna mais difícil fazer a nossa música ficar conhecida.

A gente sabe que quando as pessoas ouvem o que a gente faz, muitas elogiam, mas, às vezes, isso não está dentro do modismo popular e em algumas situações até peca um pouco nestes quesitos. A gente está apensas fazendo este trabalho. E fazer a gravação, lançar e divulgar hit é um processo bem mais complicado de acontecer. Mas a gente está sempre batalhando isso.

 

O Biquíni teria sido diferente, se tivesse começado hoje?
Bruno – Primeiro, eu acho que seria muito difícil as pessoas prestarem atenção na existência da banda. Se a gente tivesse feito “Tédio” – música lançada em 1985, hoje, eu não sei se teria sido sucesso. Por que é um espaço muito exigente.

A gente estaria tentando, mas eu vejo que é muito difícil para os iniciantes hoje fazerem acontecer. Certamente nós estaríamos sofrendo fortes pressões e certamente invejando o que seria o Biquíni Cavadão de trinta anos atrás.

Carlos – Por outro lado, estar aqui hoje divulgando um novo disco é um novo início. Na nossa carreira, nós temos vários pontos em que a gente inicia fases.

Acabamos de encerrar uma fase importante na nossa carreira que foi a comemoração dos trinta anos. Agora nós vamos fazer trinta e dois anos, então, nós estamos começando uma nova fase com toda a bagagem que a gente já tem. Seria muito mais cômodo e trabalhoso viver daquilo que a gente já fez…

Toda a nossa obra… Todos os nossos shows… A gente está aqui, por que a gente gosta de fazer música nova e mostrar um trabalho novo. Ao contrário disso, poderíamos estar sentados em casa, esperar o telefone tocar e continuar fazendo shows.

 

Vocês já têm uma identidade própria, mas ainda se inspira em alguém, ou alguma banda?
Bruno – Um monte de gente.

Carlo – Quando a gente começou, havia um cenário musical. E nesses trinta e dois anos aconteceram tanta coisa e tanta banda nova apareceu. Hoje mesmo, assistimos a um vídeo da Sheryl Crow. Ela começou depois da gente e ouvimos falar dela bem depois de seu lançamento. Então, as influencias e estilos de músicas aparecem desde quando a gente começou. Uma nova forma de tocar, uma nova banda, novos letristas… Então, nós vamos sendo influenciados ao longo da nossa carreira, somando essas influencias e todos nos reinventamos, a partir de ideias.

 

O que vocês têm ouvido hoje?
Bruno – Eu estava comentando muito sobre isso. Gosto muito de uma banda que eu até participei do disco deles que se chama “Los Porongas”. Acho eles supercompetentes. Eles têm letra e melodia. E tem outros grupos que eu poderia citar aqui, como “Seu Zé”, do Rio Grande do Norte, o próprio “Duty Cardoso” que é o nosso parceiro… Então assim, estou falando de gente que está no meio e que estão fazendo música boa. O próprio “Suricato” que é mais conhecido e que apareceu em programas de televisão.

O que mais me chama atenção é que algumas bandas estão prontas para o mercado. Elas estão batalhando de uma forma diferente que a gente teria batalhado, mas elas têm seu público e lançamentos. Ainda que num universo menos, elas conseguem batalhar e sobreviver com aquilo.

 

O que esses trinta anos de música ensinaram ao Biquini?
Carlos – Outro dia, eu estava pensando longamente sobre os erros que a gente cometeu na nossa carreira. A gente não vai cometer os mesmos erros. Nós vamos errar por que somo humanos. Então, por exemplos, fazemos opções e não chegamos onde a queríamos, mas nem tudo pode ser considerado um erro. É um aprendizado.
Bruno – Eu não sei se são erros, mas às vezes a gente se planeja para uma coisa, como o lançamento de um disco e a gente se frustra por que talvez você pensa que a música poderia ter ido um pouco mais longe, ou esse disco poderia ter vendido um pouco mais, etc. Então a gente busca entender, por que a gente não conseguiu aquilo em determinado disco ou no outro. De um tempo para cá, nós até conversamos sobre isso. De como as coisas estão difíceis.

Está havendo um modismo do sertanejo que ocupa 90% das rádios e você deixa a MPB ou o rock para uma coisa muito seleta e se você faz isso sem planejamento, a coisa triplica ou quadriplica de dificuldade.

Então hoje, a gente conversa muito sobre como lançar um disco e como fazer as coisas para que não haja um erro no tiro. O tiro tem que matar o leão. E a gente pensa nisso.

Para se ter uma ideia, esse disco está pronto desde setembro e daí pensamos, “por que lançar no final do ano?”. Nesta época do ano, a concorrência por programas, principalmente de tv é muito grande, e tem aqueles especiais de fim de ano. As rádio já estão mais num clima de festa e todo mundo numa coisa natalina. Não é hora de fazer isso. Por que não lançar quando o ano começar? Então tudo isso foi uma coisa pensada. Como fazer esse disco atingir as metas com mais clareza? Tudo isso foi pensado. É buscar o melhor e tentar entender por que você, de repente não consegue atingir tudo aquilo que estava planejando. Não é exatamente um erro.

 

Por: Raphaela Cunha / Foto: Eduardo Moreira

 

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