Perfil do Artista

Tim Maia (Sebastião Rodrigues Maia)
Nascido no Rio de Janeiro (RJ), em 28 de setembro de 1942

Tim começa a tocar violão ainda na infância. Em 57, forma os Sputniks, grupo que inclui na formação Roberto e Erasmo Carlos. Dois anos depois, viaja para os Estados Unidos. Lá, forma o grupo Ideais, com quem grava alguns compactos. Condenado por porte de drogas, é deportado para o Brasil em 64. Só volta a gravar em 69, quando Elis Regina o convida para participar da faixa de um LP seu. No ano seguinte, assina com a PolyGram e grava seu primeiro LP.

O disco, um dos pioneiros na fusão entre o soul e a MPB, emplaca os hits “Azul da cor do mar” e “Primavera”, vendendo mais de duzentas mil cópias. Os dois LPs seguintes trazem os hits “Você” e “Gostava tanto de você”.

Durante os anos 70, tornava-se cada vez mais famoso com canções como a dançante “Não quero dinheiro (só quero amar)”, na era Disco. Teve altos e baixos durante a carreira, como enfrentando o descaso de amigos, após a prisão em Nova York, além de problemas financeiros e drogas.

Em 1973, funda sua própria gravadora, Vitória Régia. Dois anos depois, adere à seita Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, lançando dois discos sem sucesso, os álbuns Tim Maia Racional, volumes 1 e 2 pelo selo Seroma (abreviação do próprio nome Sebastião Rodrigues Maia).

São considerados até hoje como os melhores de Tim Maia, com grandes influências de funk e soul e pelo fato de que nesta época, Tim Maia manter-se afastado dos vícios, o que se refletiu na qualidade da voz.

Desiludido com a ideologia, percebeu que o “mestre espiritual” Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco existem várias pérolas, uma das quais é “Imunização Racional”.

Após o término de sua fase racional, Tim voltou a seu antigo estilo de música e vida e mais sucessos se seguiram: “Sossego” (do LP “Tim Maia Disco Club”, de 1978), “Descobridor dos Sete Mares” (faixa-título do LP de 1983, que também trouxe “Me Dê Motivo”) e “Do Leme ao Pontal” (de “Tim Maia”, 1986).

Até o começo da década seguinte, emplacará hits como “Acende O Farol”, “Pede a ela” e “Me dê motivo”, com vendagens próximas a cem mil discos. Sua popularidade cresce em 1983 com o sucesso de “Vale tudo”, dueto com Sandrá Sá. O LP de 1985 traz dois hits: “Leva” e “Pede a ela”.

Descontente com as gravadoras, Tim retomou a idéia da editora Seroma e da gravadora Vitória Régia Discos, pela qual passou a fazer seus lançamentos. Regravado por artistas do pop (Paralamas do Sucesso, Marisa Monte), Tim retribuiu a homenagem gravando “Como uma onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta, que foi grande sucesso nos anos 90, juntamente com seu álbum ao vivo, de 1992. De Jorge Ben Jor, ganharia o apelido de “o síndico do Brasil”, na música “W Brasil”. Ao longo da década, Tim gravaria discos de bossa nova (um deles com Os Cariocas) e de versões clássicos do pop e do soul (“What a wonderful world”).

Em 1993, dois acontecimentos reimpulsionaram a carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção “W/Brasil” e uma regravação que fez de “Como uma onda” (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD Tim Maia, do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade nesta década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas,'funks e souls. Também teve muitas composições regravadas por artistas da nova geração, como Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e Skank.

Em 1996 lançou dois CDs ao mesmo tempo: Amigo do Rei, juntamente com Os Cariocas, e What a Wonderful World, com recriações de standards do soul e do pop norte-americanos dos anos de 1950 a 1970.

Em 1997 lançou mais três CDs, perfazendo 32 discos em 28 anos de carreira. Nesse mesmo ano fez uma nova viagem aos Estados Unidos.

Teve graves problemas com vícios. Chegava a beber três garrafas de uísque por dia, além do uso de maconha e cocaína. Colecionou desafetos e processos trabalhistas — de músicos contra ele e dele contra gravadoras –, além de renegar publicamente antigas amizades, ameaçar críticos e faltar a espetáculos. Exemplo disso foi o atraso de três horas para um show no clube Noites Cariocas; isto porque Tim desejou receber o cachê em espécie para cantar, e, mesmo após ter seu desejo atendido, recusou-se a pegar o bondinho por medo de altura.

Passou anos sem se apresentar na Rede Globo e acusava o executivo da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, de ser o culpado pelo boicote. Outro conhecido inimigo ele denominava ETA, “Exploradores do Talento Alheio”, formado por empresários e donos de casas de espetáculos.

Durante a gravação de um espetáculo para a TV no Teatro Municipal na cidade de Niterói, no dia 3 de março de 1998, Tim tentou cantar, mesmo sabendo de sua má condição de saúde. Não conseguiu e retirou-se sem dar explicações; terminou sendo levado para o hospital numa ambulância, vindo a falecer em 15 de Março em Niterói, após internação hospitalar devido a uma infecção generalizada. No ano seguinte, seria homenageado por vários artistas da MPB num show tributo, que se transformou em disco, especial de TV e vídeo.

Entre tantas homenagens de qualidade já feitas a ele a mais recente foi no dia 14 de dezembro de 2007, a Rede Globo homenageou Tim no especial “Por Toda a Minha Vida”.

Discografia:
Tim Maia (1970)
Tim Maia (1971)
Tim Maia (1972)
Tim Maia (1974)
Tim Maia Racional Vol. 1 (1975)
Tim Maia Racional Vol. 2 (1976)
Tim Maia (1976)
Tim Maia (1977)
Sossego/A Fim De Voltar (1978)
Disco Club (1978)
Reencontro (1979)
Tim Maia (1980)
Nuvens (1982)
O Descobridor Dos Sete Mares (1983)
Sufocante (1984)
Benvinda (1985)
Tim Maia (1986)
Somos América (1987)
Carinhos (1988)
Dance Bem (1990)
Tim Maia Canta Sucessos Da Bossa Nova (1991)
Tim Maia ao vivo (1992)
Tim Maia Romantico (1993)
Voltou Clarear (1994)
Nova era glacial (1995)
Amigos do rei – Tim Maia e os Cariocas (1997)
Pro meu grande amor (1997)
Sorriso de criança (1997)
Só você pra ouvir e dançar (1997)
What a wonderful world (1997)
Tim Maia ao Vivo II (1998 )