Perfil do Artista

Dorival Caymmi Nascido em Salvador (BA), 30 de abril de 1914 – 16/8/2008

Desde criança, Dorival Caymmi tinha contato com música. Cantava no coral da igreja. Sem nunca ter estudado música aprendeu a tocar violão sozinho, criando um estilo singular.  Nesta mesma época escreveu sua primeira canção, “No sertão”. Aos 20 anos, estreou cantando e tocando violão em programas na Rádio Clube da Bahia.

Em abril de 1938, aos 23 anos, Dorival embarca em um ita – nome dado aos navios que transitavam entre o norte e o sul do Brasil rumo ao Rio de Janeiro,-  com a intenção de realizar o curso preparatório de Direito e ainda arranjar um emprego como jornalista, profissão que já havia exercido em Salvador. Empregado no jornal Diários Associados continuava a compor e a cantar. Nessa época, conheceu Samuel Wainer e Carlos Lacerda.

Durante sua passagem pela revista Cruzeiro, foi apresentado por um amigo a um diretor da Rádio Tupi, de Assis Chateaubriand. Em 24 de junho de 1938, na noite de São João, estreou na rádio cantando duas cações. Começou a ter destaque como calouro e durante suas aparições cantando dois dias durante a semana e aos domingo no programa Dragão da Rua Larga, sucesso na época.

Foi durante uma participação em um programa de calouros, que conheceu a cantora Stella Maris, quando tinha 17 anos, com quem se casou em abril de 1940 e permaneceu até o último dia de sua vida.

Se firmou como autor de músicas com temáticas ligadas às tradições populares, e no final dos anos 1940, passou a se dedicar ao samba-canção, que vinha sendo praticado desde Noel Rosa até Ary Barroso, com temática mais urbana. Nela prevaleceram temas românticos e intimistas. A música mais emblemática dessa fase é ”Marina”, gravada em 1947 por Dick Farney.

Caymmi passou a freqüentar um curso de desenho na Escola de Belas Artes, em 1940, no Rio de Janeiro, e dedicou-se à pintura durante dois anos.

Nos anos 1950, Caymmi se torna referência na bossa nova. Suas canções foram fundamentais para o estilo, desenvolvido por João Gilberto, que gravou uma série de composições suas, como ”Rosa Morena” e ”Saudade da Bahia”. Tom Jobim passou a destacar o caráter moderno da composição de Caymmi.

Importantes homenagens dentro e fora do Brasil marcaram os anos 1980 para Caymmi. Em 1984, no seu septuagésimo aniversário, ele foi condecorado em Paris pelo ministro da cultura francês, Jack Lang, com a Comenda das Artes e Letras da França, atribuída a importantes personalidades culturais. No ano seguinte, inaugurou-se em Salvador a avenida Dorival Caymmi. Em 1986, no Rio, o artista virou enredo da Estação Primeira de Mangueira, com o qual a escola de samba venceu o desfile do carnaval daquele ano.

Em 1994, em comemoração a seus 80 anos, foi lançado pela Editora Lumiar o Songbook em dois volumes com um total de 98 canções, e caixa de quatro CDs com oitenta e duas canções.

Em meados de 2001, foi lançada a biografia “Dorival Caymmi – o mar e o tempo” escrita por sua neta, a jornalista Stella Caymmi, filha de Nana Caymmi que desde criança gostava de conversar com o avô sobre sua vida e sua obra.

O cantor e compositor baiano Dorival Caymmi, de 94 anos, faleceu insuficiência renal, no apartamento da família, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele sofria de câncer renal desde 1999, quando passou por uma cirurgia e retirou um dos rins. Desde então, vivia recluso.

A obra de Dorival Caymmi é caracterizada pelos temas praianos e pela exaltação às belezas de seu estado natal, a Bahia. O artista foi o patriarca de uma família de grandes intérpretes, compositores e instrumentistas: Dori Caymmi, Danilo Caymmi e Nana Caymmi.

Referência: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira e Wikipédia

Discografia: (2000) Caymmi amor e mar (1996) Caymmi inédito (1994) Caymmi em família (1988) Família Caymmi em Montreux (1987) Família Caymmi (1985) Caymmi, som, imagem e magia (1984) Setenta anos (1976) Gal canta Caymmi (1973) Caymmi também é de rancho (1972) Caymmi (1967) Vinicius e Caymmi no Zum Zum (1965) Caymmi (1964) Caymmi visita Tom (1960) São Salvador/Eu não tenho onde morar (1960) Rosa morena/Acalanto (1960) Eu não tenho onde morar (1959) Caymmi e seu violão (1958) Ary Caymmi – Dorival Barroso (1957) Saudade da Bahia/Roda pião (1957) Acalanto/História pro sinhozinho (1957) 2 de fevereiro/Saudades de Itapoã (1957) Caymmi e o mar (1957) Eu vou pra Maracangalha (1956) Sábado em Copacabana/Só louco (1956) Saudades de Itapoan/A lenda do Abaeté (1956) Maracangalha/Fiz uma viagem (1955) Sambas (1954) Quem vem prá beira do mar/Pescaria (Canoeiro) (1954) A jangada voltou só/É doce morrer no mar (1954) Canções praieiras (1953) Tão só/João Valentão (1952) Não tem solução/Nem eu (1949) O vento/Festa de rua (1948) A lenda do Abaeté/Saudade de Itapoã (1948) Cantiga/Sodade matadera (1947) Marina/Lá vem a baiana (1946) A vizinha do lado/Trezentos e sessenta e cinco igrejas (1945) Dora/Peguei um ita no Norte (1943) Essa nêga fulô/Balaio grande (1943) É doce morrer no mar/A jangada voltou só (1943) O mar (l)/O mar (ll) (1941) Essa nega Fulô/Balaío grande (1941) É doce morrer no mar/A jangada voltou só (1940) Navio negreiro/Noite de temporal (1940) O mar (I)/O mar (II) (1939) O que é que a baiana tem?/A preta do acarajé (1939) Roda pião (1939) Rainha do mar/Promessa de pescador