Bete balança, meu amor…

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“Quem vem com tudo não cansa, Bete balança o meu amor, me avise quando for a hora…”

Quem nunca ouviu esse hit do Barão Vermelho, que estourou nos anos 80 e faz sucesso até hoje? A música fez parte da última faixa do terceiro álbum “Maior Abandonado”, de 1984, sendo a música mais regravada e de maior sucesso da banda. Mas, na verdade, ela foi encomendada pela Embrafilmes e fez parte do filme homônimo, estrelado pela atriz Débora Bloch, sendo um estouro de bilheteria.

O próprio Frejat contou a história dessa parceria que fez com Cazuza, quando os dois ainda davam os primeiros passos com o Barão Vermelho. Essa foi uma das raras vezes onde ele primeiro fez a música e depois Cazuza inseriu a letra. Eles haviam recebido a sinopse do filme e Frejat teve a ideia de um groove meio rock latino. Mas, o mais curioso foi que o Cazuza falou para ele: “Pô cara, estou começando a ficar cansado. Gravamos o primeiro disco e não aconteceu nada. Depois gravamos o segundo disco e também não aconteceu nada. Eu acho que esse negócio não vai rolar”.

Foi impressionante como naquele momento os dois estavam se preparando para construir um dos maiores sucessos do Barão Vermelho e ao mesmo tempo estavam na dúvida se ia dar certo ou não. Segundo Frejat, essa situação deu um sabor especial para “Bete Balanço”.

Outro fato engraçado foi a criação do solo de guitarra. A banda foi até o estúdio da Som Livre em uma sexta-feira para a gravação e todos os funcionários adoravam o Barão Vermelho. Ou seja, o lugar ficou lotado de pessoas que queriam ver a banda! No meio dessa confusão toda, o solo de guitarra nasceu de um improviso de Frejat, em uma condição de um ambiente totalmente inóspito, com gente falando, aquela bagunça toda.

Para quem tem curiosidade em assistir ao filme, a história trata de Bete, uma moça de Governador Valadares (MG), recém aprovada no vestibular, que sai de sua cidade natal para tentar a carreira artística no Rio de Janeiro. Entre sexo, drogas e rock n´roll, se desilude com o mercado fonográfico, amores e sonhos, mas encontra apoio nos amigos.

Além de Barão Vermelho, outras bandas participaram das gravações, como Lobão e Seus Ronaldos, Titãs, Banda Brylho, Manhas e Manias, Celso Blues Boy, Metralhadora Txeca e Azul 29.

O filme foi um dos mais importantes dentre os nacionais na década de 80 e até hoje possui seu valor. Abordou temas considerados tabus na época, como homossexualidade, ditadura, comportamento e anseios da adolescência.